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18 de março de 2026

Restaurante TonTon é uma pausa das modinhas de São Paulo – 18/03/2026 – Restaurantes

Restaurante TonTon é uma pausa das modinhas de São Paulo – 18/03/2026 – Restaurantes

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CRÍTICA | SP
TonTon

Três estrelas (Bom)
R. Caconde, 132, Jardim Paulista, região oeste. @tontonrestaurante

Tem vezes em que tudo o que a gente quer é sentar para comer bem num ambiente acolhedor. Sem invencionice, sem pegar fila para entrar, sem dividir pequenos pratos naqueles restaurantes da moda que só oferecem porções para compartilhar.

Quando chegamos, o aroma dos cozimentos, dos caldos e das reduções parecia aquecer o salão e nos conduzir gentilmente à mesa. Fez o apetite crescer. A luz, bem baixa, não convidava a fotografar e postar. Mas a relaxar e curtir o momento.

Coxa de pato assada com molho escuro, acompanhada de purê amarelo e couve refogada, servida em prato branco com borda e nome do restaurante.

Coxa de pato confit com redução de molho rôti e vinho tinto, musseline de mandioquinha e espinafre, do TonTon


Priscila Pastre/Folhapress

Numa mesa, uma família. Em outra, um casal. Numa terceira, um grupo de amigos. Gente mais jovem, gente mais velha, uma clientela de perfis diversos. Uma lousa grande na parede destacava sugestões do chef com nomes em francês —no cardápio, eles também são escritos assim, mas logo na sequência recebem suas descrições em português.

Havia mais lugares disponíveis no piso superior. Mas preferimos ficar embaixo, na parte mais movimentada. Ficamos curiosos pelos pratos de moqueca e de bobó, que apareciam antes das receitas francesas, mas preferimos permanecer na vibe “uma noite em Paris“, como convidava aquele clima acolhedor de bistrô.

Começamos dividindo a entrada “le bouchon de côte de boeuf braisé” (R$ 43). Não se deixe intimidar pelo nome. Na prática, são quatro unidades de croquete de costela. O cozimento lento da carne (disseram que leva 12 horas) rendeu mordidas prazerosas nos bolinhos, que desmanchavam na língua.

De principal, a coxa de pato confit (R$ 135) estava sequinha por fora e macia por dentro. Soltava-se só com o toque do garfo. Carnes confitadas são aquelas armazenadas e cozidas demoradamente em sua própria gordura para manter a suculência e potencializar o sabor. Uma redução de molho rôti e vinho tinto emprestava acidez. E uma aveludada musseline de mandioquinha contrastava texturas.

Outro prato provado foi o tournedos de boeuf (R$ 119). Um filé-mignon alto grelhado, com tomate assado e béarnaise (molho holandês à base de manteiga clarificada e emulsão em gema de ovo) e fritas. Dava para pedir a carne com pimenta, com mostarda ou molho rôti. Escolhemos a primeira opção, au poivre.

O filé estava um pouco mais passado do que o esperado em um corte alto, mas ainda assim, rosado por dentro. O tomate não agregava muita coisa, mas servia de base para cogumelos salteados, que estavam saborosos. O molho au poivre estava espesso na medida, com pimentas verdes pungentes. As fritas, corretamente preparadas, eram finas e crocantes. Um clássico, bem preparado, sem surpresas.

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Na dúvida sobre qual doce pedir, o garçom recomendou o café gourmand (R$ 39) que, segundo informou, vinha com um pouco de tudo, inclusive com uma xícara de expresso. Como estávamos em dois, pedimos um cafezinho a mais e dividimos essa sobremesa.

Veio com um pedaço pequeno de bolo de figo, sorvete artesanal de nata e dois copinhos. Um deles com musse de chocolate, chantilli, caramelo salgado e farofinha. O outro, mais interessante, com creme de queijo e duas versões de goiabada: confit (que se assemelha a uma compota) e cascão (rústica). Dá para pedir a segunda combinação separadamente. Chama-se tonguava (R$ 33).

Fora do hype, com atendimento solícito e sem grandes ousadias culinárias, o TonTon revelou uma cozinha consistente. Daquelas que a gente vai quando quer sossego, aconchego e o prazer de provar pratos corretos, feitos com técnica e tempo.





Fonte.:Folha de São Paulo

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