A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta segunda-feira (15) uma operação contra um grupo investigado por causar deformidades e outras lesões em pacientes submetidos a procedimentos estéticos de harmonização de glúteos na Baixada Fluminense.
Segundo investigação, ao menos 15 pessoas procuraram a polícia relatando danos físicos após os procedimentos. A Decon (Delegacia do Consumidor) apura se as complicações foram provocadas pelo uso de PMMA (polimetilmetacrilato) ou por contaminação cruzada durante as aplicações. Os investigadores acreditam que o número de vítimas pode ser maior.
A delegacia reúne diversos inquéritos relacionados ao Instituto Paula Lima. Segundo a polícia, as apurações apontam indícios da utilização de substâncias capazes de provocar graves complicações à saúde, incluindo deformidades permanentes e até risco de morte.
A Operação Estética Segura teve como objetivo reunir novas provas, aprofundar as investigações e identificar todos os envolvidos. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados à empresária Ana Paula Lima de Souza Mariano, apontada pela polícia como responsável pela clínica investigada.
A Justiça decretou a prisão de Ana Paula, mas ela não foi localizada e é considerada foragida. Ela é investigada por crimes contra a saúde pública, contra as relações de consumo, associação criminosa, exercício ilegal da medicina e propaganda enganosa.
A Polícia Civil informou não saber se Ana Paula possui advogado constituído. A reportagem não conseguiu identificar eventual defesa da investigada.
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Os agentes estiveram nas duas unidades do estabelecimento, localizadas em Madureira, na zona norte do Rio, e em Vilar dos Teles, distrito de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, além de outros endereços relacionados à investigada na Barra da Tijuca, Olaria e Belford Roxo.
Durante as diligências, os policiais apreenderam medicamentos vencidos, materiais utilizados em procedimentos estéticos e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia. Segundo a polícia, parte dos produtos foi encontrada na unidade de São João de Meriti.
No mês passado, a clínica já havia sido interditada durante uma ação conjunta da Decon com a Vigilância Sanitária. Na ocasião, os agentes encontraram irregularidades sanitárias, incluindo medicamentos e frascos de soro fisiológico fora do prazo de validade. Uma assistente de Ana Paula foi presa durante a fiscalização.
As investigações tiveram início após denúncias de pacientes que relataram complicações decorrentes de procedimentos estéticos para harmonização dos glúteos. Segundo o delegado Wellington Vieira, responsável pelo caso, o procedimento custava, em média, R$ 10 mil.
Uma das hipóteses investigadas é o uso de PMMA, substância sintética utilizada como preenchedor permanente. Nos últimos anos, o produto passou a ser empregado em procedimentos estéticos para aumento de volume em regiões como glúteos e rosto, uso questionado por entidades médicas devido ao risco de complicações graves.
Recentemente, o CFM (Conselho Federal de Medicina) proibiu o uso do PMMA por médicos em procedimentos estéticos e reparadores. A exceção é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids realizado em serviços especializados.
Uma vez injetado, o PMMA permanece no organismo para sempre e pode desencadear reações meses ou anos após a aplicação. Além dos riscos agudos, o material pode migrar para outras partes do corpo e formar granulomas (nódulos inflamatórios crônicos), e pode evoluir para insuficiência renal crônica.
A Polícia Civil orienta pessoas que tenham sofrido complicações após procedimentos realizados pela clínica investigada a procurar uma delegacia para registrar ocorrência.
Fonte.:Folha de S.Paulo


