Quando Tia Ciata deixou a Bahia e migrou para o Rio de Janeiro em 1876, levou consigo as tradições da cultura afro-brasileira e o samba de roda do Recôncavo. Sua casa na praça Onze foi a amálgama de músicos e compositores na construção do que seria o samba carioca.
Depois de 150 anos, a raiz fará o caminho de volta e será reverenciada neste Carnaval. Quando o Rei Momo receber a chave simbólica de Salvador, decretando a abertura da festa em 12 de fevereiro, o samba será o protagonista.
Com o tema O Samba Nasceu Aqui, o Carnaval de Salvador terá sua abertura no circuito do Campo Grande, num espetáculo que unirá mestres como Edil Pacheco, Nelson Rufino e Roberto Mendes, a força feminina de Mariene de Castro, Gal do Beco e Ju Moraes e a tradição das Ganhadeiras de Itapuã.
Logo atrás, em um trio elétrico aberto ao público, o cantor Xanddy Harmonia completa a festa com o seu pagode baiano, seguido dos tradicionais blocos de samba como o Alerta Geral, Amor e Paixão, Pagode Total e Proibido Proibir.
Um ano após celebrar os 40 anos do axé, liquidificador de gêneros musicais que se tornou a principal marca do Carnaval baiano, Salvador reafirma sua vocação para a diversidade, mesclando camarotes, blocos de trios, afoxés, blocos afro, blocos de índio e trios elétricos para o folião-pipoca.
O Carnaval será o ponto alto de um verão que atravessou festejos populares como a Lavagem do Bonfim e Festa de Iemanjá, e desfiles de blocos, como o Banho de Mar à Fantasia e De Hoje a Oito.
A festa começa extraoficialmente no dia 7 de fevereiro, quando minitrios desfilam entre Ondina e a Barra desde o início da tarde, encerrando com apresentações de Daniela Mercury e BaianaSystem. No dia seguinte, o Fuzuê abre espaço para fanfarras, caretas e cheganças.
A partir da quinta-feira (12), o Carnaval se espalha pelos circuitos Barra-Ondina, Campo Grande, Pelourinho e Nordeste de Amaralina, além de palcos espalhados pelo Centro Histórico, blocos que desfilam no Santo Antônio Além do Carmo e shows espalhados pelas ilhas e bairros da periferia.
A saída do Olodum, no Pelourinho, é o destaque da sexta-feira. No dia seguinte, o Ilê Aiyê faz a sua saída na Senzala do Barro Preto, na Liberdade, e segue para desfilar no Campo Grande. No domingo, é a vez dos Filhos de Gandhy.
Medalhões do axé, como Ivete Sangalo, Durval Lélys e Daniela Mercury, desfilam com os seus blocos no circuito Barra-Ondina, mas também vão comandar trios elétricos abertos ao público, bancados com patrocínios e recursos da prefeitura e do governo do estado.
Ainda estão previstos desfiles de trios elétricos com artistas de gêneros como o pagode, forró e arrocha, além de apresentações em palcos no Pelourinho, praça Castro Alves e praça da Cruz Caída.
A expectativa da prefeitura é que 1,2 milhão de turistas desembarquem na capital baiana para aproveitar o Carnaval. O desafio, mais uma vez, será equilibrar as atrações entre os diferentes circuitos, evitando aglomerações e filas nos portais de entrada da festa.
No ano passado, a Secretaria Estadual de Segurança Pública contabilizou 7,5 milhões de pessoas nas ruas em nove dias, entre o Carnaval e festas pré-carnavalescas.
Fonte.:Folha de S.Paulo


