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Introdução
São Paulo confirma o primeiro caso de sarampo em 2026: uma bebê de seis meses, não vacinada e com histórico de viagem à Bolívia. Com um salto de casos nas Américas, especialistas reforçam a urgência da vacinação para evitar novos surtos da doença altamente contagiosa no Brasil. Entenda os riscos e a prevenção.
- São Paulo registra o primeiro caso de sarampo em 2026, envolvendo uma bebê de 6 meses sem vacinação e com viagem recente à Bolívia.
- Um aumento alarmante de casos de sarampo foi registrado nas Américas em 2025, com quase 15 mil ocorrências e 29 mortes.
- Apesar do status de área livre, o Brasil enfrenta o risco de casos importados, já que o sarampo é uma das doenças mais contagiosas.
- Especialistas enfatizam que a vacinação é a estratégia mais eficaz para a proteção individual e para impedir a reintrodução do vírus.
- A imunização contra o sarampo é indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos, sendo crucial para manter as coberturas vacinais altas.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou nesta terça-feira (10) o primeiro caso de sarampo na região em 2026. A paciente é uma bebê de seis meses, do sexo feminino, residente na capital paulista.
De acordo com a pasta, a criança não tinha histórico de vacinação e esteve na Bolívia em janeiro deste ano. O país chegou a declarar emergência sanitária em 2025 após registrar dezenas de casos da doença.
O caso foi notificado em fevereiro, quando a bebê apresentou sintomas como febre e exantema — manchas vermelhas na pele características da infecção —, e foi posteriormente confirmado por exames laboratoriais.
Em 2025, o estado de São Paulo teve dois casos importados da doença. Em todo o Brasil, foram registradas 38 notificações no último ano, sendo praticamente todas (36) em pessoas sem histórico de vacinação. Em 2024, haviam sido contabilizados quatro casos em nível nacional.
Apesar da alta recente, o país mantém o status de área livre de transmissão endêmica do sarampo há dois anos. O Brasil havia conquistado esse título pela primeira vez em 2016, mas o perdeu em 2018, quando a queda nas coberturas vacinais permitiu a reintrodução do vírus. O reconhecimento foi recuperado novamente em 2024.
No entanto, mesmo países considerados livres do sarampo podem registrar episódios isolados, geralmente associados a viagens internacionais.
“Quando falamos que o Brasil se tornou uma zona livre do sarampo, não significa que nunca haverá casos. Pessoas viajam e podem trazer o vírus de outros países. O que caracteriza a área livre é a ausência de transmissão sustentada [ou seja, dentro do próprio país]”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri.
Doença altamente contagiosa
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais transmissíveis conhecidas. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 16 outras em ambientes onde a maioria não esteja vacinada.
“Foi uma das principais causas de mortalidade infantil no passado, especialmente associada à desnutrição e a complicações como pneumonia e encefalite”, destaca Kfouri.
Com a introdução da vacina, no entanto, a circulação do vírus foi drasticamente reduzida em várias regiões do mundo, especialmente nas Américas, primeiro continente a ser considerado livre da doença.
Hoje, o principal desafio é evitar que casos importados provoquem novos surtos. “Um caso pode gerar casos secundários. Por isso, a vigilância precisa ser muito atenta para que a doença não volte a se tornar endêmica”, afirma o especialista.
Vacinação é a principal proteção
Para os especialistas, manter altas coberturas vacinais é a principal estratégia para impedir a reintrodução do vírus.
“A vacina do sarampo é uma das mais eficientes que conhecemos”, afirma o imunologista Luzi Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein.
Segundo ele, se as recomendações de imunização fossem seguidas globalmente, a doença poderia ter sido erradicada. “Se a vacinação contra o sarampo fosse cumprida no mundo dentro dos preceitos conhecidos há mais de 50 anos, o sarampo já teria desaparecido da face da Terra”, diz.
O vírus do sarampo se espalha pelo ar, por meio de gotículas liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. A taxa de transmissão é extremamente alta: uma pessoa infectada pode contaminar cerca de 90% das pessoas próximas que não tenham imunidade.
No Brasil, a vacinação é indicada para todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade. O esquema inclui duas doses da vacina — geralmente a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ou a tetraviral, que também inclui proteção contra varicela.
Adolescentes e adultos que não foram vacinados ou têm esquema incompleto devem iniciar ou atualizar a imunização conforme as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação.
Em situações específicas, como surtos ou maior risco de exposição, a vacina também pode ser indicada para crianças entre seis meses e um ano de idade, mediante avaliação das autoridades de saúde.
Fonte.:Saúde Abril


