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Introdução
O Brasil enfrenta uma crise sanitária: 62,6% dos adultos nas capitais estão acima do peso e 25,7% são obesos, segundo o Vigitel 2024. O aumento acelerado, sedentarismo digital e queda na atividade física natural disparam alertas para um futuro sombrio de doenças crônicas. Urge reação social e políticas públicas.
- Alerta Vigitel 2024: 62,6% dos adultos nas capitais estão com excesso de peso.
- Obesidade dobra no país: 1 em cada 4 brasileiros adultos vive com a condição.
- Jovens (18-24 anos) são alarmantemente afetados, com excesso de peso disparando para 41,3%.
- Sedentarismo digital: 62,6% dos adultos passam 3+ horas em telas, perdendo atividade física natural.
- Doenças crônicas avançam: Diagnóstico de diabetes mais que dobrou e hipertensão atinge 30% da população.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Esqueça a imagem do Brasil como o país do “corpo de praia” atlético e saudável. A realidade desenhada pelas estatísticas de saúde pública revela uma nação que adoece pelo excesso de peso.
O relatório Vigitel 2024, o mais completo inquérito telefônico sobre saúde do país, acaba de acender o sinal vermelho: a frequência de adultos com excesso de peso nas capitais brasileiras atingiu a marca histórica de 62,6%.
Isso significa que, de cada dez adultos que você cruza na rua, mais de seis estão carregando um peso acima do recomendado para sua altura. Não se trata apenas de estética; trata-se de uma bomba-relógio para a saúde pública.
Se olharmos pelo retrovisor, o cenário é assustador: em 2006, quando este monitoramento começou, essa taxa era de 42,6%. Em 18 anos, “engordamos” a estatística em 20 pontos percentuais. E o pior: a tendência não mostra sinais de desaceleração. Pelo contrário, apenas entre 2023 e 2024, houve um salto de 1,2 ponto percentual em apenas doze meses.
Um em cada quatro brasileiros já vive com obesidade
Se o sobrepeso é o aviso, a obesidade é o incêndio. O dado mais alarmante do Vigitel 2024 é que a obesidade — o estágio mais grave do excesso de peso, onde o risco de doenças crônicas dispara — mais que dobrou no país. Em 2006, 11,8% dos adultos tinham obesidade. Hoje, esse número saltou para 25,7%.
Estamos falando de mais de um quarto da população adulta das capitais vivendo com obesidade. A velocidade desse crescimento é vertiginosa. No recorte mais recente, entre 2019 e 2024, a obesidade cresceu a uma taxa média de cerca de 1 ponto percentual ao ano.
De 2023 para 2024, o aumento foi abrupto: saímos de 24,1% para os atuais 25,7%. O Brasil não está apenas ganhando peso; está fazendo isso em um ritmo que desafia a capacidade de resposta do sistema de saúde.
+Leia também: Brasil pode evitar 1 em cada 4 casos de obesidade com essas 4 estratégias
Diferenças entre homens, mulheres e o alerta entre jovens
A epidemia não atinge a todos da mesma forma, revelando nuances importantes entre homens e mulheres. Quando falamos de excesso de peso (IMC igual ou superior a 25 kg/m²), os homens lideram o ranking negativo: 64,9% deles estão acima do peso, contra 60,6% das mulheres.
No entanto, quando a lente foca na obesidade (IMC igual ou superior a 30 kg/m²), o cenário se inverte e as mulheres são as mais afetadas. A prevalência de obesidade feminina chegou a 26,7%, superando os 24,4% registrados entre os homens. As mulheres viram a obesidade crescer de forma mais acelerada no período recente, subindo de 20,7% em 2019 para o patamar atual.
Mas talvez o dado que mais deva tirar o sono de pais e gestores públicos seja o que acontece com a juventude. A faixa etária dos 18 aos 24 anos, tradicionalmente a mais saudável e ativa, está sucumbindo à epidemia.
O excesso de peso nesse grupo jovem disparou de 29,9% em 2019 para impressionantes 41,3% em 2024. Estamos vendo uma geração inteira adoecer precocemente, o que projeta um futuro sombrio de doenças crônicas para as próximas décadas.
Sedentarismo e a falsa sensação de atividade
Como chegamos a esse ponto? A resposta passa, inevitavelmente, pela forma como paramos de nos mexer. Os dados sobre atividade física mostram um paradoxo. Embora a prática de exercícios no tempo livre (lazer) tenha aumentado a longo prazo, chegando a 42,3%, ela estagnou nos últimos anos. E o que ganhamos na academia, perdemos na rotina.
A atividade física “natural” — aquela que fazíamos para ir ao trabalho ou à escola a pé ou de bicicleta — está em extinção. Em 2009, 17% dos adultos se deslocavam ativamente. Hoje, apenas 11,3% o fazem. Trocamos as pernas por motores, e o corpo cobra o preço. O resultado é que um terço da população (33,3%) ainda não atinge o mínimo de atividade física recomendada pela Organização Mundial da Saúde.
+Leia também: Horas sentado, anos perdidos: malefícios do comportamento sedentário
O domínio das telas no tempo livre
Enquanto o movimento físico cai, o imobilismo digital bate recordes. O relatório Vigitel traz um alerta contundente sobre o nosso tempo de tela. Houve, sim, uma queda no hábito de assistir televisão por longos períodos (três horas ou mais), que caiu de 27,3% em 2010 para 20,9% em 2024. Mas não se engane: não desligamos a TV para caminhar no parque. Apenas trocamos a tela grande pela pequena.
O uso excessivo de computador, tablet ou celular no tempo livre explodiu. Em 2016, 19,2% dos adultos passavam três horas ou mais nesses dispositivos. Em 2024, esse número saltou para 26,3%.
Quando somamos todas as telas (TV, celular, tablet), o quadro é desolador: 62,6% dos adultos das capitais brasileiras passam três horas ou mais do seu precioso tempo livre parados em frente a um dispositivo eletrônico. Entre as mulheres, esse índice é ainda maior, atingindo 62,7%. O lazer do brasileiro tornou-se sinônimo de sedentarismo digital.
O avanço do diabetes e da hipertensão
O corpo humano não sai ileso dessa combinação tóxica de ganho de peso e inatividade. O relatório mostra que as doenças associadas à obesidade acompanham o ritmo de crescimento da balança. O diagnóstico médico de diabetes mais que dobrou desde 2006, saindo de 5,5% para atingir 12,9% da população adulta em 2024.
Esse aumento é impulsionado (pelo menos em parte) pelo envelhecimento e pelo excesso de peso, afetando mais as mulheres (14,3%) do que os homens (11,2%). A hipertensão arterial segue o mesmo caminho, atingindo agora quase 30% da população adulta das capitais (29,7%).
Uma crise instalada e a urgência de reação
Não estamos falando de previsões futuras. O título deste texto não é um exagero retórico. Com 62,6% da população acima do peso e mais de um quarto clinicamente obesa, o Brasil já vive uma crise sanitária instalada. Os números do Vigitel 2024 mostram que as mudanças de hábito não são apenas necessárias; são urgentes.
A epidemia de obesidade não é uma falha individual de força de vontade; é o resultado de um ambiente complexo que favorece o sedentarismo, o tempo excessivo de tela e alimentação inadequada. Se não houver uma mudança drástica na forma como vivemos, nos movemos e nos alimentamos, os dados de 2025 serão ainda mais alarmantes.
A sociedade precisa reagir, e a hora é agora. E isto depende de cada um de nós e também de toda a sociedade integrada em torno de políticas públicas estruturadas.
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Fonte.:Saúde Abril


