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Introdução
Uma mulher em BH desenvolveu Síndrome de Guillain-Barré após usar caneta emagrecedora ilegal do Paraguai. O caso levanta a questão da relação entre esses produtos e a doença autoimune. Embora canetas *regulamentadas* não causem a síndrome, os riscos de produtos *sem registro* são graves. Entenda a conexão.
- Mulher internada com Síndrome de Guillain-Barré após usar caneta emagrecedora ilegal do Paraguai.
- Entenda o que é a Síndrome de Guillain-Barré e seus sintomas típicos.
- Por que canetas emagrecedoras sem registro na Anvisa representam um risco grave à saúde.
- A investigação sobre a possível conexão entre o produto irregular e o desenvolvimento da síndrome.
- O que a ciência afirma sobre a relação entre canetas emagrecedoras *regulamentadas* e a síndrome de Guillain-Barré.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A mulher que foi internada em Belo Horizonte após utilizar uma caneta emagrecedora irregular vinda do Paraguai recebeu, esta semana, um diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré, segundo a família.
A informação, repassada à imprensa, despertou dúvidas sobre a possível conexão entre o uso desses dispositivos e o desenvolvimento do problema de saúde.
Afinal, existe uma relação entre as duas coisas? Relembre o caso, saiba o que é o Guillain-Barré e o que a ciência diz a respeito.
O que aconteceu?
A auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, está internada desde dezembro após fazer uso de uma caneta emagrecedora ilegal.
Supostamente trazido do Paraguai, o produto da marca Lipoless – que alegadamente conteria tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro – não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não pode ser vendido no Brasil.
Segundo os relatos dos familiares, incialmente Kellen apresentou dores abdominais e outros sintomas característicos de uma virose, como constipação nasal. Mais tarde, porém, a situação se agravou, com complicações neurológicas: ainda segundo os seus parentes, ela chegou a perder o movimento das pernas.
A princípio atribuído ao uso da caneta irregular, o quadro depois foi diagnosticado como sendo a síndrome de Guillain-Barré. Agora, mais investigações são necessárias para entender se há uma conexão entre as duas coisas – uma das hipóteses é que alguma substância presente na caneta ilegal tenha servido de gatilho para o problema.
+Leia também: “Mounjaro do Paraguai”: entenda os riscos de canetas emagrecedoras sem regulamentação
O que é a síndrome de Guillain-Barré?
A síndrome de Guillain-Barré é caracterizada por um ataque autoimune aos nervos periféricos, com sintomas típicos que incluem o formigamento nas extremidades do corpo e a perda de movimentos nos membros, como ocorreu no caso em Belo Horizonte.
Na maioria dos pacientes, os impactos são temporários, mas a duração dos sintomas varia muito, com a recuperação podendo tardar meses.
Embora não se saiba exatamente o mecanismo que leva uma pessoa a desenvolver a síndrome, há uma forte correlação entre diferentes tipos de infecções virais e bacterianas e o aparecimento do Guillain-Barré.
“Isso acontece porque o quadro ocorre por mimetismo molecular, isto é, o sistema imunológico confunde o patógeno com com o nervo e o ataca, causando a síndrome”, explica o neurologista da Rede D’or Sérgio Jordy, diretor do Centro Médico Sinapse.
Acredita-se que essas situações sirvam de gatilhos para a síndrome. Também há relatos esporádicos do Guillain-Barré ocorrendo como reação a determinadas vacinas, embora os estudos não sejam capazes de cravar uma causalidade, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Mas, afinal, as canetas podem causar Guillain-Barré?
Dificilmente. “Não existe, até o momento, relação causal ou qualquer evidência científica sólida que ligue a tirzepatida [substância do Mounjaro] à síndrome de Guillain-Barré”, destaca Jordy.
Mas a situação é mais complexa quando falamos de canetas ilegais, como no caso de Belo Horizonte. Isso porque, diante de um produto irregular, é impossível ter certeza sobre o que exatamente está dentro da caneta.
“Nesse contexto, existe uma possibilidade real”, avalia o neurologista.
Em tese, a caneta ilegal pode conter alguma substância que enfraqueceu o sistema imune da paciente e abriu caminho para uma infecção não relacionada, ou o próprio produto poderia ter algum agente infeccioso que atuou como gatilho para a síndrome.
“Perante produtos ilegais e/ou falsificados, há uma possibilidade muito maior de contaminação com várias outras substâncias que poderiam causas essa complicação”, reforça Jordy.
Essa, por sinal, é uma das hipóteses investigadas no caso de Kellen Antunes. Mesmo sem poder afirmar uma relação de causa e efeito entre o uso do produto paraguaio e o Guillain-Barré, é certo que houve uma correlação entre os episódios.
No entanto, ainda não há identificação do que estaria dentro do produto oriundo do Paraguai, o que poderia ajudar a entender melhor a etiologia do problema nesse caso.
Para evitar riscos, Jordy orienta: “o mais importante é ter acompanhamento com um médico experiente no uso dessas medicações e, principalmente, adquirir o produto de revendedores certificados e confiáveis”.
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Fonte.:Saúde Abril


