1:47 AM
10 de abril de 2026

Taboa revela sabor dos ingredientes sem disfarces – 09/04/2026 – Restaurantes

Taboa revela sabor dos ingredientes sem disfarces – 09/04/2026 – Restaurantes

PUBLICIDADE


Crítica | SP
Taboa
Quatro estrelas (muito bom)
R. Medeiros de Albuquerque, 313, Vila Madalena, região oeste. @taboaoficial

Nas poucas indicações que vi sobre o Taboa antes de conhecê-lo, ele estava descrito como um restaurante brasileiro. Uma injustiça e uma imprecisão. A injustiça é quanto à visibilidade: com cozinha de alto nível, é um lugar que merece mais destaque. A imprecisão é quanto à especialidade. De fato o Taboa faz cozinha brasileira. Mas não só.

Tanto que provei lá receitas tão diferentes quanto moqueca e tartare de wagyu. Ao observar o cardápio, dá para notar a inquietação da chef Carla Costa. Enquanto no menu regular aposta em bobó de camarão (R$ 108), costelinha de porco com tutu de feijão (R$ 89) e feijoada (R$ 89), nos especiais de fim de semana ela se permite passear por outros cantos do mundo. No domingo da visita tinha opções como moules et frites (R$ 69) e fish & chips (R$ 94), além de uma sobremesa de torta basca (R$ 41).

Prato redondo com steak tartare de carne crua picada misturada com temperos, acompanhado de batatas fritas finas e salada de folhas verdes e roxas.

Tartare de wagyu do restaurante Taboa


Priscila Pastre/Folhapress

Num primeiro momento, opções tão distintas me deixaram confusa. Na dúvida quanto ao que pedir, achei melhor começar com uma entrada básica de pastéis, só para disfarçar a fome. Demoraram mais do que eu gostaria, mas chegaram.

Sequinhos, dourados e recheados com camarão-rosa. Uma única mordida e entendi que seria feliz ali, não importando o que escolhesse como principal. Também entendi o preço (R$ 62, quatro unidades), devidamente explicado pelo frescor e sabor dos camarões. Na descrição do recheio, lê-se ainda pimentão e coentro. Mas, acredite, eles não roubam a cena. Apenas equilibram o conjunto com sutileza.

Os pratos principais chegaram bonitos e, no caso da minha moqueca de peixe (R$ 104), borbulhante. Contrastando leveza e potência, com sabores que tomam conta do paladar sem perder a ternura, o prato revelou-se memorável. Chegou acompanhado de arroz branco soltinho e uma farofa de coco. Para misturar tudo, de preferência com um toque da forte pimenta da casa, e saborear sem pressa.

O outro principal foi o tartare de wagyu (R$ 91). Com tempero delicado, na medida para realçar o sabor da carne, que estava macia e na temperatura ideal. Alcaparras pequeninas traziam salinidade e uma acidez discreta que contrastava com a untuosidade do wagyu. Veio com uma salada superfresca e variada e com batatas fritas sequinhas, crocantes e salgadinhas no ponto certo. Pena que poucas. Um punhadinho a mais seria bem-vindo. Tanto pelo tamanho quanto pelo conteúdo, acho que teria sido ainda mais feliz se tivesse pedido esse prato como entrada, para compartilhar, não como principal.

De sobremesa, uma torta de chocolate (R$ 38) de sabor intenso e textura leve, quase uma musse. Vem com uma tigelinha cheia de creme de baunilha. Parece com um creme inglês, mas mais fluido. Pode despejar tudo na torta sem medo. Morangos e mirtilos arrematam, adicionando acidez e frescor.

Saí de lá lembrando da sensação que tive na primeira vez em que estive no estrelado L’Arpège, do chef Alain Passard, em Paris. O primeiro prato tinha apenas pequenas cenouras assadas. Provei intrigada. Logo entendi que a beleza daquela refeição estaria em me debruçar na potência de cada ingrediente.

Senti algo parecido no Taboa. E a confusão inicial se desfez. A busca dessa pequena casa na Vila Madalena parece estar menos numa especialidade e mais em oferecer uma cozinha de produto. Aquela que busca despertar o que cada um deles tem de melhor.





Fonte.:Folha de São Paulo

Leia mais

Rolar para cima