O presidente dos EUA, Donald Trump, está prestes a anunciar novas tarifas sobre dezenas de países já nesta semana, mesmo com seus assessores alertando-o contra os riscos de choques econômicos de sua guerra comercial original antes das eleições de meio de mandato.
A medida será tomada para substituir as taxas globais de 10% impostas pelo presidente que expiram no final desta semana, segundo pessoas informadas sobre os planos.
A cobrança de 10% foi uma resposta de Trump após a Suprema Corte vetar o uso de uma lei de 1977 para a criação de impostos de importação sobre centenas de países que vigorava desde abril de 2025.
Autoridades americanas prepararam opções para permitir que Trump lance novas tarifas sobre dezenas de países. Na segunda-feira (20), o republicano divulgou tarifas de 50% sobre produtos canadenses, após já ter atingido importações brasileiras com uma taxa de 25%, ressaltando sua fixação contínua em usar tributos contra parceiros comerciais.
Washington passou para um regime tarifário de 10% após a decisão da Suprema Corte em fevereiro, mas essas medidas devem expirar na sexta-feira (17). O novo conjunto de taxas seria implementado após uma investigação sobre práticas de trabalho forçado, permitindo que Trump evite usar os poderes de emergência derrubados pela Suprema Corte.
Embora as novas taxas mais imediatas devam ficar no mesmo patamar das tarifas de 10% já em vigor, o governo também está trabalhando em outras investigações que poderiam conceder autoridade legal para propor taxas mais altas.
Nos bastidores, altos funcionários têm aconselhado o presidente a manter a estabilidade com parceiros comerciais e honrar os acordos que Washington firmou com eles para reduzir suas tarifas em 2025, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto.
A tentativa de Trump de renovar sua guerra comercial ocorre em um momento de crescente hostilidade entre os EUA e o Irã, que tem agitado os mercados globais de energia e corre o risco de se expandir para um conflito regional.
A guerra tem causado dor econômica aos americanos comuns, empurrando os preços da gasolina de volta para acima de US$ 4 (R$ 20,28) por galão nesta semana e arriscando inflamar a frustração dos eleitores com o alto custo de vida.
Uma pesquisa realizada pela Focaldata a pedido do FT no início deste mês revelou que mais de dois terços dos eleitores desaprovavam a forma como Trump estava lidando com o custo de vida.
“Acredito que a grande influência sobre as alíquotas tarifárias é o clima político e as preocupações com acessibilidade, que limitam a capacidade de Trump de escalar”, comentou Michael Smart, diretor-geral da Rock Creek Global Advisors, empresa de consultoria em Washington.
Autoridades norte-americanas moderaram muitas das tarifas originais de Trump, que chegaram a até 145% sobre a China, oferecendo grandes isenções para bens de consumo essenciais como carne bovina e café, e aliviando algumas das taxas sobre produtos feitos com aço e alumínio.
Folha Mercado
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Após duas investigações comerciais recentes sobre minerais críticos e peças de aviões, autoridades recomendaram que Washington realizasse negociações com seus parceiros comerciais em vez de pressionar por tarifas.
“Isso não significa que os aumentos de taxas ficaram para trás… Mas sugere que uma abordagem mais cautelosa é agora necessária, particularmente no período que antecede as eleições de meio de mandato”, declarou Wendy Cutler, ex-funcionária de comércio dos EUA que agora é vice-presidente sênior do Asia Society Policy Institute.
A Casa Branca e o escritório do representante de comércio dos EUA não responderam a um pedido de comentário.
As tarifas que podem ser anunciadas nesta semana ficarão entre 10% e 12,5% sobre 60 países por práticas de trabalho forçado, e foram propostas pela primeira vez por autoridades comerciais americanas em junho.
Os EUA lançaram a investigação —conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974— em março, junto com uma sobre excesso de capacidade manufatureira, e realizaram audiências públicas sobre suas propostas.
Essa segunda investigação inclui aBrasil, UE, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.
A nova abordagem para impor tarifas ressalta a maneira como o governo deve depender de uma colcha de retalhos de leis para aplicar taxas altas, em vez de poder atingir países com tarifas enormes quase instantaneamente sob poderes presidenciais de emergência.
Fonte.:Folha de S.Paulo


