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4 de julho de 2026

Trump chama opositores de ‘comunistas’ no monte Rushmore – 04/07/2026 – Mundo

Trump chama opositores de ‘comunistas’ no monte Rushmore – 04/07/2026 – Mundo

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Quatro meses antes das difíceis midterms que vai enfrentar, o presidente Donald Trump usou o cenário do monte Rushmore na noite anterior ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos para caracterizar seus oponentes políticos como comunistas “ímpios” e “malignos”.

“Só podemos perder as eleições de meio de mandato se permitirmos que isso aconteça, se formos tolos, estúpidos e imprudentes”, afirmou ele na sexta-feira (3), exigindo que o Congresso aprove o seu projeto de lei Save America, que imporia regras mais rígidas de identificação de eleitores, dificultando o voto. Ele pediu o fim do obstrucionismo parlamentar.

O propósito maior do discurso não é difícil de perceber. Ele está preparando uma linha de ataque que a Casa Branca começou a usar para conter uma ala progressista recém-insurgente do Partido Democrata que parece estar ecoando entre os eleitores liberais.

Trump leu um roteiro apocalíptico enquanto os rostos pétreos de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln observavam-no. Ele disse a palavra “comunismo” tantas vezes que você poderia pensar que a Guerra Fria ainda estava em curso.

Ele não foi sutil. O comunismo, disse, “é o inimigo de 4 de julho de 1776”. Chamou-o de uma ameaça maior do que Pearl Harbor e até mesmo o 11 de Setembro. Mencionou nominalmente Karl Marx.

O discurso começou em tom otimista. O presidente pintou um retrato orgulhoso e esperançoso dos Estados Unidos, descrevendo-o como nada menos que a maior sociedade da história da civilização. Toda a primeira metade de seu discurso se resumia a esta frase: “Vocês vivem em um lugar muito especial — parabéns a todos”. A multidão adorou.

Logo ele começou a mudar o tom. Há pessoas por aí que não querem que o inglês seja a língua dominante dos Estados Unidos, alertou. Há pessoas por aí que querem tirar as armas de todos, alertou. Prometeu nunca deixar isso acontecer.

Ele alertou para “recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente opostas ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso”.

Não foi a primeira vez que ele usou este cenário para fazer um discurso como esse. Há exatamente seis anos, ele discursou no monte Rushmore no final de seu primeiro mandato, quando fazia campanha sem sucesso para um segundo.

Naquela época, o país estava no auge da pandemia e tomado por agitação civil após a morte de George Floyd, que inspirou um debate nacional sobre estátuas e figuras históricas. Trump usou seu discurso naquela noite para alertar sobre um “novo fascismo de extrema esquerda” se aproximando.

Ele trocou de ideologias em seu segundo discurso no Rushmore nesta sexta-feira.

“O comunismo é o exato oposto de vida, liberdade e busca da felicidade”, declarou. “É morte, tirania e busca do mal.”

O monumento imenso e tão americano serviu como um belo palco para p discurso. O presidente adora uma produção e se aproveitou ao máximo dela. Helicópteros militares voavam de um lado para o outro em frente à montanha enquanto AC/DC e Lynyrd Skynyrd tocavam alto (“Free Bird”, naturalmente), seguidos por um bombardeiro B-52.

Quando o sol mergulhou abaixo do horizonte, holofotes grandes e brilhantes iluminaram os finos rostos de granito dos quatro presidentes, revelando cada contorno que havia sido esculpido com dinamite quase cem anos atrás.

Pouco antes de Trump pousar, nuvens de tempestade e raios atravessaram o céu. O cheiro doce dos pinheiros-amarelos-do-oeste encharcados de água da chuva preencheu a clareira enquanto pedras de granizo do tamanho de bolas de pingue-pongue atingiam a montanha. Os presidentes pareciam estar chorando. A multidão lá embaixo corria para se abrigar, entrando em uma loja de souvenirs e um café.

Muitos dos amigos da Casa Branca na mídia viajaram para Dakota do Sul para o espetáculo. O apresentador da Fox News Bret Baier fez um aquecimento antes da chegada de Trump entrevistando um imitador de Lincoln usando uma cartola alta. A ativista Laura Loomer chegou momentos antes do granizo cair. Um homem indígena com um cocar de penas soprava um instrumento de sopro. O secretário do Interior, Doug Burgum, e o governador de Dakota do Sul, Larry Rhoden, usavam chapéus de cowboy.

A segurança era pesada. Se você olhasse com atenção, podia distinguir as pequenas silhuetas de homens andando no topo da cabeça de Washington como em uma cena do filme “Intriga Internacional” (1959), de Alfred Hitchcock.

Quando o discurso de Trump chegava ao fim, ele partiu para um último ataque. “O Partido Comunista”, concluiu, “é formado por imigrantes ilegais, criminosos e todos que não querem trabalhar.”

Então ele voltou a falar sobre como a América é incrível por mais um minuto. Fogos de artifício dispararam sobre as cabeças presidenciais, e os sons familiares do Village People começaram a tocar.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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