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- Author, Archie Mitchell
- Role, Da BBC News
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (10/06) que “ama a inflação” — após novos dados mostrarem que os preços subiram no mês passado no ritmo mais rápido em três anos no país.
Dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês) mostraram que os preços aumentaram 4,2% em maio em relação a um ano antes. O aumento, de 3,8% em abril, foi impulsionado pela alta dos custos de energia na esteira da guerra entre EUA e Israel no Irã.
“Eu amo isso. Os números foram ótimos. Sabe o que eu realmente amo? Eu amo a inflação”, disse Trump na Casa Branca.
Reagindo aos números da inflação na quarta-feira, o presidente disse que forças dos EUA realizaram operações noturnas para retirar “milhões de barris” de petróleo do Irã, o que, segundo ele, contribuiu para uma leve queda nos preços.
“Quando esse conflito acabar… você verá o [preço do] petróleo cair para onde estava antes”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
O principal índice global do petróleo, o Brent, ainda está sendo negociado significativamente acima dos níveis anteriores à guerra.
Trump disse posteriormente ao jornal New York Post que seus comentários foram tirados de contexto e que quis dizer que a inflação está “muito mais baixa do que o previsto”, apesar da guerra no Irã.
Inflação alta nos EUA
A quarta-feira marcou o terceiro mês consecutivo de alta no Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, com consumidores sentindo cada vez mais o impacto da guerra dos EUA e de Israel no Irã.
Trump já havia dito em outras ocasiões que a inflação está subindo apenas temporariamente e que espera que ela desacelere rapidamente assim que a guerra terminar.
A inflação ainda está bem abaixo do pico de 9,1% durante o governo de seu antecessor Joe Biden em meados de 2022.
Ainda assim, representa um problema político para Trump, dado que os eleitores classificaram a economia como uma das principais preocupações antes das eleições legislativas de novembro.
Uma inflação mais alta aumenta a probabilidade de o Federal Reserve — o Banco Central dos EUA — elevar as taxas de juros na tentativa de conter os gastos.
De modo geral, as contas de energia — incluindo gás e eletricidade — estavam quase um quarto mais altas em maio do que um ano antes, sendo a gasolina responsável por grande parte desse aumento.
Segundo dados da associação automobilística AAA, o preço médio do galão de gasolina comum nos EUA está atualmente em US$ 4,15 (R$ 4,73 por litro) — um aumento significativo em relação aos US$ 2,98 (R$ 3,40 por litro) registrados em 28 de fevereiro, quando Trump lançou ataques contra o Irã.
Em resposta aos ataques, o Irã fechou o estreito de Ormuz, por onde normalmente passa o transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, restringindo a oferta.
Na noite de quarta-feira, os militares dos EUA disseram ter lançado ataques contra o Irã pela segunda vez em dois dias.
Ambos os lados têm trocado ataques esta semana — apesar de um cessar-fogo que entrou em vigor em abril. O conflito começou há mais de três meses.

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Os dados do BLS também apontaram para o aumento dos custos de passagens aéreas, cuidados pessoais e médicos, lazer e comunicação.
O CPI mede a alta dos preços em um determinado mês em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A meta de inflação de longo prazo do Fed é de 2%.
Economistas alertaram que, mesmo com uma resolução rápida da guerra no Irã, pode levar até 2027 para que o fluxo normal de bens pelo estreito de Ormuz seja restabelecido.
Trump prometeu em sua campanha de 2024 que reduzir a inflação estaria no centro de sua agenda.
Mas seu comentário de quarta-feira, aparentemente entusiasmado com o aumento dos preços, foi explorado por opositores. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, escreveu na rede X: “O desprezo dele por vocês não tem limites.”
Trump também foi criticado no mês passado por dizer que não foi “nem um pouco” influenciado pela situação financeira dos americanos ao tentar garantir que o Irã não desenvolva armas nucleares.
Desafio para autoridades monetárias
A inflação mais alta também representa um desafio para Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve, antes de sua primeira decisão sobre taxas de juros à frente do banco central na próxima semana.
Quando a inflação está significativamente acima da meta do Fed, o conselho de governadores do banco central normalmente opta por elevar as taxas de juros. Isso, por sua vez, aumenta os custos de empréstimos e restringe o fluxo de dinheiro na economia, limitando novos aumentos de preços e trazendo a inflação sob controle.
No período que antecedeu a nomeação de Warsh, Trump pediu repetidamente a seu antecessor, Jerome Powell, e ao banco central que reduzissem as taxas de juros.
Economistas esperam que as taxas permaneçam no nível atual, entre 3,5% e 3,75%, no próximo mês, mas alertaram que mais evidências de inflação persistente podem forçar o Fed a elevá-las.
Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, disse que a alta de maio, por si só, “não é grande o suficiente para fornecer munição” àqueles no comitê de definição de taxas do Fed que querem aumentá-las.
Mas Isaac Stell, gestor de investimentos da Wealth Club, disse que um aumento das taxas de juros é “a conclusão mais lógica com base nos dados de hoje combinados com os sólidos números de empregos da semana passada”.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


