O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (9) que completará “por bem” ou “por mal” seu objetivo de que a Groenlândia, hoje território semiautônomo dinamarquês, seja dos Estados Unidos.
“Quero chegar a um acordo por bem. Mas, se não conseguirmos fazer da forma fácil, faremos da difícil”, disse Trump em uma reunião na Casa Branca com executivos da indústria petrolífera americana.
O presidente afirmou que o controle da ilha rica em minerais é “crucial” para a segurança nacional dos EUA, citando um aumento da atividade militar da Rússia e da China no Ártico.
Obsessão antiga de Donald Trump retomada após a captura do ditador Nicolás Maduro em Caracas, a Groenlândia tem uma trinca de fatores principais a orientar a investida do presidente americano sobre o local, um território autônomo da Dinamarca.
O primeiro motivo são as riquezas minerais que teoricamente poderão ser acessadas com a aceleração do aquecimento global negado por Trump. Entre os elementos presentes se destacam as terras raras, motivo de cobiça global e outra fixação do presidente —afinal, a China controla a maior parte das reservas globais. Esses elementos são vitais para a indústria de tecnologia, com amplas aplicações militares.
Um segundo motivo é o controle potencial de rotas marítimas em caso de conflito. Passam perto da Groenlândia caminhos que o aquecimento global abre mais a cada ano no oceano Ártico.
Há ainda a questão estratégica. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Washington dá atenção especial ao local. Os Estados Unidos tentaram comprar pela primeira a Groenlândia na época, para evitar que os nazistas que tomaram a Dinamarca chegassem perto do país norte-americano.
Por diversas vezes o mandatário americano ameaçou tomar a ilha. Em 2025, a ameaça ganhou maior repercussão após o vice-presidente J. D. Vance anunciar uma polêmica visita acompanhado de sua esposa, Usha, e de altos funcionários do governo Trump. Em resposta, Copenhague logo informou que a delegação americana não recebeu qualquer convite para visitar o território, seja de forma privada ou oficial.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Vance se limitou a dizer que vários países estão ameaçando a Groenlândia, usando o território e vias navegáveis para intimidar os EUA, o Canadá e o povo da ilha. Ele se referia, de forma indireta, a Rússia e China, que intensificaram suas atividades militares na região nos últimos anos.
Oficialmente, o motivo da viagem seria uma visita à Base Espacial Pituffik, instalação operada pelos EUA no noroeste da Groenlândia e um dos locais militares mais importantes estrategicamente do mundo. Cerca de 150 integrantes da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA atuam de forma permanente no local.
Os governos da Groenlândia e da Dinamarca têm se oposto a qualquer tentativa de tomada do território autônomo pelos americanos. No fim de janeiro, uma pesquisa encomendada pelo jornal dinamarquês Berlingske e pela publicação groenlandesa Sermitsiaq apontou que 85% da população local (a ilha tem 57 mil habitantes) não querem fazer parte dos EUA.
As relações entre Groenlândia e Dinamarca têm enfrentado tensões após revelações recentes de maus-tratos históricos contra os groenlandeses durante o período colonial. No entanto, o interesse de Trump em controlar a Groenlândia, dentro de uma crescente disputa de influência no Ártico, levou a Dinamarca a acelerar os esforços para melhorar os laços com o território.
A Dinamarca é, ainda, parte da Otan, aliança militar do Ocidente com 32 membros que nunca viu um de seus integrantes atacar diretamente o outro. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já afirmou que uma eventual ação dos EUA contra a Groenlândia iria acabar com a organização.
Fonte.:Folha de S.Paulo


