Você sabia que seus rins trabalham 24 horas por dia, sem que você perceba?
Eles filtram o sangue, eliminam toxinas, equilibram minerais, controlam a pressão arterial e produzem hormônios essenciais.
Apesar de sua grande importância, os rins atuam de forma silenciosa e não costumam emitir sinais claros quando algo está errado.
A seguir, conheça mais sobre a doença renal crônica.
DRC: uma ameaça silenciosa
A doença renal crônica (DRC) costuma progredir sem sintomas nos estágios iniciais. Estima-se que cerca de 850 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com essa condição.
No Brasil, o Ministério da Saúde aponta uma prevalência estimada de 6,7% em adultos, mas esse índice triplica entre aqueles com 60 anos ou mais. Para comparação, algumas fontes estimam que a DRC afete entre 10,5% e 14% da população geral, especialmente em grupos de risco.
Por que o diagnóstico costuma ser tardio
Grande parte das alterações renais são silenciosas até estágios mais avançados, quando sintomas como inchaço, cansaço ou alteração na urina já surgem.
Dados do Sistema de Informações da Atenção Básica (Sisab) mostram que, em março de 2024, 227.478 pessoas estavam sinalizadas com DRC entre 180,5 milhões cadastradas na APS — representando apenas cerca de 0,1% da população acompanhada, um número que pode estar abaixo da realidade.
Entre 2019 e 2023, o número de atendimentos na Atenção Primária aumentou significativamente, sendo mais comuns entre homens (305.632 atendimentos) que entre mulheres (275.170), com a maioria dos casos concentrada entre pessoas de 50 a 79 anos (68,3%).
+Leia também: Salve seus rins: como prevenir e controlar a doença renal crônica
Como detectar a doença sem sintomas
Para detectar alterações renais antes do aparecimento de sintomas, inclua esses exames no seu check-up anual:
- Exame de sangue: creatinina com cálculo da taxa de filtração glomerular estimada (eGFR).
- Exame de urina: detecção de proteínas ou albumina.
Esses testes permitem o diagnóstico precoce, orientando intervenções eficazes e evitando complicações graves, como a necessidade de diálise ou transplante.
Existem aplicativos que ajudam a monitorar a saúde renal de forma prática e personalizada:
- RenalMe: registra exames, controla pressão arterial, peso e fornece lembretes de medicamentos.
- RenalHealth: oferece orientações personalizadas para prevenção, acompanhamento em hemodiálise ou após transplante.
Essas ferramentas promovem maior engajamento no cuidado à saúde e fortalecem o diálogo com o médico.
Prevenção é o caminho para a saúde renal
Mesmo em silêncio, a saúde dos seus rins está diretamente ligada ao seu bem-estar geral. Por isso:
- Faça consultas e exames regulares (especialmente acima dos 40–50 anos);
- Adote hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, controle do sal, prática de atividade física, controle de peso, pressão arterial e glicemia;
- Evite tabagismo e uso indiscriminado de medicamentos sem prescrição.
Com prevenção, monitoramento e intervenção precoce, você garante que seus rins continuem trabalhando por você — silenciosamente e com saúde.
*Carlucci Ventura, nefrologista, membro da International Society of Nephrology e membro da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
Fonte.:Saúde Abril