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1 de abril de 2026

Veja como se precaver do aumento dos preços das passagens – 01/04/2026 – Turismo

Veja como se precaver do aumento dos preços das passagens – 01/04/2026 – Turismo

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Nesta quarta-feira (1), o preço do QAV (querosene de aviação, usado em aeronaves) sofreu um reajuste de 55%. O aumento é um reflexo da guerra no Irã, que levou o barril de petróleo, que antes custava cerca de US$ 66, para mais de US$ 100.

Como o combustível representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas, essa alta já impacta a operação de muitas delas. Há duas semanas, a escandinava SAS cancelou mil voos previstos para abril, e o grupo Air France-KLM disse que aumentaria em US$ 58 os bilhetes para voos longos.

A Cathay Pacific, de Hong Kong, anunciou que cobrará de US$ 18 a US$ 149 dólares a mais por voo, e a Thay Airways disse que seus preços devem subir entre 10% e 15%.

Até agora, nenhuma das companhias aéreas brasileiras ainda não anunciaram nenhum aumento nos preços das passagens por aqui, mas segundo especialistas e profissionais do mercado ouvidos pela Folha, os aumentos já estão acontecendo e devem persistir enquanto durar o conflito.

O agente de viagens Estácio Franco, da agência Hello Viagens, em Aracaju, percebe essa alta desde o início da guerra. Ele diz que os preços aumentaram entre 20% e 30%, tanto em bilhetes domésticos quanto internacionais.

Passagens para a Europa que antes custavam R$ 4.000 ou R$ 5.000 agora estão na casa dos R$ 6.000. Voos entre Aracaju e São Paulo, que antes saíam por R$ 1.000, agora chegam aos R$ 1.300.

“Os clientes estão mais cautelosos por causa desses aumentos, mas, de modo geral, todo mundo continua viajando”, diz Franco. “Alguns preferem esperar um pouco para decidir pela compra, mas está muito difícil prever o que vai acontecer, porque os preços têm flutuado bastante.”

A reportagem tem acompanhado esse vaivém. Há duas semanas, uma passagem só de ida de São Paulo para Fortaleza no final de abril era vendida pela Latam por cerca de R$ 1.200. Uma semana depois, caiu para R$ 800, e agora já passa dos R$ 1.300.

Num cenário tão volátil e imprevisível como este, valeria a pena então se adiantar e comprar todas as passagens aéreas possíveis antes que elas encareçam mais?

Se o preço ainda estiver razoável, sim, mas não necessariamente. Isso porque, segundo o professor de economia do transporte aéreo Adalberto Feliciano, a alta dos preços tem um impacto bem maior no curto prazo.

“O petróleo está caro, mas daqui a pouquinho deve baixar. Por isso, as companhias não estão repassando totalmente esse aumento. No curto prazo, todo mundo vai pagar mais caro, mas no longo prazo, vai depender da evolução do conflito”, diz. “Se se resolver em um ou dois meses, a flutuação de preços será relativamente pequena. Mas se demorar mais 90 dias, 120 dias, aí o impacto tende a ser mais pronunciado.”

Doutor em economia e consultor da Finance, José Afonso Assumpção também recomenda cautela, já que o dólar mais fraco pode compensar pelo menos um pouco dessa alta do petróleo.

“Se for viajar nas próximas semanas ou meses, pode valer a pena comprar logo [para evitar novas altas]”, diz Afonso. “Mas para o próximo verão não sei se compensa se antecipar tanto.” Momento pode ser oportuno para o Brasil

Para conter os efeitos da alta do petróleo, o governo anunciou uma linha de crédito especial para as aéreas e a redução de alguns impostos. Mas para além das ações emergenciais, Assumpção aposta que a crise pode ser uma oportunidade para o país acelerar os investimentos no combustível sustentável de aviação, o SAF.

“O Brasil pode se tornar o maior produtor e exportador de SAF do mundo, o que ajudaria na economia e na transição energética”, diz o consultor. “Fomos vitoriosos no etanol e podemos fazer o mesmo com o SAF, que virou um atrativo óbvio, principalmente se produzido em uma região pacífica.”

Especialista dá dica para driblar alta dos preços

O professor Adalberto Feliciano recomenda que, ao antecipar a compra de passagens, o viajante evite as tarifas mais baratas, optando por aquelas que permitem remarcação ou reembolso sem taxas.

É uma maneira de se blindar de novos aumentos e, caso os preços caiam, basta recomprar a mesma passagem pelo valor mais barato e ter a diferença reembolsada. Ele lembra que mesmo as passagens já compradas podem ser canceladas caso as companhias sejam forçadas a cancelar seus voos, como aconteceu com SAS.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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