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29 de agosto de 2025

Vinhos do Vale do São Francisco são novidade em rótulos – 29/08/2025 – Comida

Vinhos do Vale do São Francisco são novidade em rótulos – 29/08/2025 – Comida

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Vinhos jovens ou envelhecidos, com a leveza que combina com altas temperaturas do verão ou a potência para dias frios de inverno. O Vale do São Francisco, em uma região entre Bahia e Pernambuco, produz bebidas capazes de agradar consumidores de diferentes perfis e bolsos.

Beneficiados pelo clima tropical e pela tecnologia de irrigação contínua, rótulos de tintos, brancos, rosés e espumantes são produzidos durante o ano todo por ali.

A área, que agora também desponta em roteiros enoturísticos, começou a ganhar potencial para produção de frutas a partir dos anos 1960, quando o governo federal investiu em sistemas de irrigação capazes de levar água às fazendas. Desde então, surgiram uma série de propriedades que, além dos vinhos, produzem 95% da das uvas de mesa consumidas no país inteiro.

Como explica a britânica Jancis Robinson no livro “Expert em Vinhos em 24 horas” (ed. Planeta, 160 págs.), climas mais quentes, como o da região, tendem a produzir uvas com mais açúcar, levando a vinhos mais alcoólicos após a fermentação.

Thiago Mendes, fundador da escola de vinho Eno Cultura, explica que é possível regular a quantidade de açúcar na uva antecipando sua colheita. Ele ressalta, porém, que uma retirada da fruta cedo demais pode interromper seu amadurecimento e prejudicar a profundidade dos sabores dos vinhos.

A região deu origem a marcas que ganharam protagonismo no país, a exemplo da Rio Sol. Também estão ali produtoras já conhecidas em outras regiões brasileiras, como a Miolo, presente em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

Essas fazendas cultivam uvas como cabernet sauvignon, malbec, merlot e syrah, usadas na vinificação de tintos, e sauvignon blanc, arinto e grenache, próprias da produção de brancos e espumantes. O vinho com borbulhas, aliás, é o carro-chefe da região, com opções que vão do extra brut, de perfil mais seco, aos moscatéis mais adocicados, como os produzidos pela Garziera, na vinícola Verano Brasil.

Mas também há vinhos tintos com potencial para envelhecimento, como as linhas Reserva e Gran Reserva da Rio Sol (entre R$ 120 e R$ 200), e a linha Garziera Resiliente, que será lançada em outubro deste ano e possui potencial para guarda de 7 a 10 anos.

Além da diversidade de estilos, também há boa oferta de preços, que atendem diferentes situações de consumo. Há vinhos com valores em torno de R$ 20 até R$ 200 (sem frete), a depender do tempo de envelhecimento e das castas de uvas usadas.

Em 2020, o Vale do São Francisco recebeu registro de Indicação Geográfica concedido pelo Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) na categoria Indicação de Procedência (IP), que designa espaço geográfico (cidade, região ou localidade) reconhecido por produto ou serviço. Outras regiões que também têm IP são Vale dos Vinhedos e a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

A segunda modalidade de indicação é a Denominação de Origem (DO), concedida quando as características do produto ou serviço não podem ser reproduzidos em outra condição.

O Vale do São Francisco segue investindo na tecnologia para melhorar seus vinhos. Além da produção tradicional, são cultivadas espécies híbridas ou geneticamente modificadas.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mantém um banco de germoplasma na região herdado da Suvale (Superintendência do Vale do São Francisco), nos anos 1970.

Um dos focos de atenção da empresa é o comportamento de insetos e pragas, que podem gerar mais danos em um cenário de mudanças climáticas.

“Tem se tornado difícil converter os investimentos em vitivinícolas em um resultado positivo porque perdeu-se a previsibilidade”, afirma Patrícia Leão, engenheira agrônoma pesquisadora da Embrapa.

O jornalista viajou a convite do Sebrae-PE e do Consevitis-RS (Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul)



Fonte.:Folha de São Paulo

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