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5 de março de 2026

Vinhos: Preste atenção no que as mulheres dizem e escrevem – 05/03/2026 – Isabelle Moreira Lima

Vinhos: Preste atenção no que as mulheres dizem e escrevem – 05/03/2026 – Isabelle Moreira Lima

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Muito do que sei sobre vinhos foi ensinado por mulheres. Começando pelos livros, um dos melhores que li nos últimos dois anos é da francesa Pascaline Lepeltier, que coleciona títulos como Master of Wine e melhor sommelier da França em 2018. “One Thousand Vines” (Mil vinhas, em tradução livre) traz uma abordagem contemporânea do mundo do vinho, focando a planta, passando por clima, geologia e terroir, até chegar ao que ela chama da leitura do vinho, ou seja, sua produção, a degustação e o serviço.

Lepeltier faz uma defesa apaixonada do que chama de “vinho vivo”, produzido da forma mais pura possível, a versão enológica do que seria a comida de verdade e oposta aos vinhos superconstruídos, ultraprocessados com mil aditivos. No fim, sua conclusão mira o futuro e pergunta: o que vamos beber amanhã? O texto é filosófico, profundo e abrangente, dá a impressão de que o mundo do vinho não tem fim e que precisa estar mais próximo da natureza.

Nessa mesma linha estão três outras autoras: Alice Feiring com a newsletter The Feiring Line, que traz cartas de vinho de bares e restaurantes, além de dicas de vinho; Isabelle Legeron, do já clássico “Natural Wine”, que explica o bê-á-bá da corrente que revolucionou a bebida desde os anos 1980; e a brasileira Lis Cereja, de “Vinho Natural”, que traz uma abordagem brasileira do assunto.

Com Cereja, os que gostam de viajar podem aprender presencialmente, nas caravanas que lidera em destinos como Tbilisi, na Geórgia, ou Andaluzia, na Espanha. Pioneira na defesa dos vinhos naturais no Brasil, ela tem uma coleção de vídeos e podcasts em que aborda diferentes temas da bebida. Vale ainda ficar de olho em seu perfil no Instagram e se programar para a edição 2026 da Feira Naturebas, nos dias 27 e 28 de junho.

Outra professora viajante é Analu Torres. Especialista na Borgonha, ela organiza anualmente viagens à região. Além disso, comanda o Plou, bar na Vila Madalena que em pouco tempo virou referência do vinho na cidade, e segue na sala de aula, ministrando seu curso online de francês e vinhos e promovendo degustações sobre regiões francesas. Como degustadora, é capaz de abrir os sentidos de qualquer um.

O formato de aula-degustação também tem sido o foco da primeira brasileira a ter o diploma WSET, Bianca Veratti. Educadora com muita bagagem, hoje faz ateliês de provas temáticas em seu Vitis Lab e monta jantares onde a harmonização está em foco. Na programação de março e abril, há vinhos do Loire, técnicas de degustação e a chardonnay.

Mas é a sommelière Alexandra Corvo a grande pioneira no formato. Com vocabulário próprio e irreverente e imagens claras e diretas, traduz especificidades de uvas, terroirs e processos há quase 30 anos, quando fundou a escola Ciclo das Vinhas. Hoje, é possível aprender com ela tanto em aulas avulsas como em cursos mais longos.

Vai uma taça?

Para comemorar o Dia da Mulher, recomendo o trabalho de duas portuguesas geniais: o espumante 3B Rosé (R$ 186), de Filipa Pato, que é fino, elegante e melhora qualquer ocasião; e o Pedra Cancela Seleção do Enólogo Branco 2023 (R$ 98 na DiVinho), um corte com encruzado, cerceal e malvasia, do Dão, que apesar do nome é assinado por uma enóloga, Sónia Martins.


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Fonte.:Folha de São Paulo

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