6:00 PM
18 de junho de 2026

‘Vou matar ele’, diz PM em abordagem em SP; veja vídeo – 18/06/2026 – Cotidiano

‘Vou matar ele’, diz PM em abordagem em SP; veja vídeo – 18/06/2026 – Cotidiano

PUBLICIDADE


Imagens gravadas pela câmera corporal de um policial militar mostram que ele afirmou que mataria Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, 45, antes de atirar seis vezes contra a vítima, que se rendia.

A ocorrência se deu durante uma briga de trânsito na avenida Raimundo Pereira de Magalhães, no bairro Jaraguá, na zona norte de São Paulo, em 29 de abril. As imagens vieram a público nesta semana.

O policial estava com um companheiro de farda em um posto de combustíveis quando um motoboy chega e diz que foi ameaçado por um homem com um facão após uma discussão no trânsito.

Eles então seguem até a avenida, mas o motoboy vai na frente, alcança o carro onde estava a vítima e buzina. O homem desce do carro com o facão na mão.

Uma câmera de monitoramento da região mostra que, ao ver a viatura da Polícia Militar, Igor para e coloca o facão no chão. O motoboy estava longe dele nesse momento.

A viatura se aproxima e o PM diz ao colega: “Peraí que eu vou matar ele. Vou dar tiro”. Na sequência, são ouvidos sete tiros. O PM começa a atirar antes mesmo de descer completamente da viatura.

Ele atirou seis vezes enquanto o colega fez um disparo. O motoboy envolvido demonstrou desespero ao ver a cena.

Foram chamados reforços e outras viaturas foram ao local. Um policial e uma mulher que passava pelo local prestam socorro a Igor enquanto o resgate não chega.

O policial autor dos disparos chora em alguns momentos e pede para Igor não morrer. “A ambulância está chegando. Igor, a ambulância está chegando. Pelo amor de Deus, não morre não, mano. Fica vivo. Respira, irmão, por favor, por favor. Não morre não, moço, por favor”, diz.

Outro policial tira ele de perto da vítima e o leva para outra viatura, onde ele se senta por alguns instantes antes de voltar para perto da vítima e voltar a pedir que não morresse.

O PM se afasta novamente, vai até sua viatura e reza o Pai Nosso.

Igor foi encaminhado ao Hospital Parada de Taipas, onde morreu.

Ao longo da ocorrência, um homem que estava no local parabenizou o PM pela atuação, mas questionou porque ele não atirou nas pernas da vítima.

“Tiro na perna não existe. Isso não existe. Não existe tiro na perna”, rebateu o policial.

Boletim de ocorrência afirmava que após o suspeito não soltar a arma branca, os agentes o balearam.

O caso foi registrado no 74º DP (Distrito Policial), Parada de Taipas. A Polícia Civil afirmou que a arma dos oficiais e o facão foram recolhidos para perícia e que a ocorrência foi registrada como “resistência e morte decorrente de intervenção policial” no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), que investiga o caso.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse que o caso é investigado também por meio de IPM (Inquérito Policial Militar) no 18º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), com acompanhamento da Corregedoria.

“Os agentes estão afastados do serviço operacional por determinação judicial. A Polícia Militar não compactua com excessos e desvios de conduta por parte de seus agentes. Todas as imagens relacionadas à ocorrência, incluindo as captadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais, são rigorosamente analisadas para adoção das medidas cabíveis”, afirmou a pasta da Segurança.

Um familiar contou à Folha que Igor trabalhava com pequenos reparos e manutenção. Diagnosticado com esquizofrenia aos 8 anos, fazia uso contínuo de medicação controlada. Segundo o familiar, tinha grande interesse e habilidade em serviços elétricos. Morava com o pai, de quem cuidava devido à saúde comprometida dele.

A família critica a condução da abordagem pela PM e afirma ter identificado falhas, como a não utilização de arma de choque elétrico, o taser. A família também questiona a escassez de informações oficiais e contesta a falta de versão do motociclista sobre o ocorrido em boletim de ocorrência.

A Ouvidoria da Polícia manifestou “indignação” com a morte, em nota oficial. “Trata-se de mais uma vida perdida em circunstâncias que exigem rigorosa apuração, transparência e responsabilização”, afirmou o órgão.

A Ouvidoria destacou a importância das câmeras corporais para o esclarecimento do caso. O órgão disse que há necessidade urgente de profunda revisão das políticas de saúde mental destinadas aos profissionais da segurança pública.

“A população não pode continuar pagando com vidas o preço do despreparo, do descontrole emocional ou da incapacidade de atuação compatível com os princípios que devem orientar a atividade policial”, destacou.



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima