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Introdução
A Estação Espacial Internacional realizou sua primeira evacuação médica em 25 anos, após o astronauta Michael Fincke perder a voz subitamente. As causas ainda são investigadas, com foco na exposição à gravidade zero. Enquanto evacuações na ISS são facilitadas pela proximidade terrestre, na missão Artemis II, emergências médicas são mais complexas, dependendo do treinamento da tripulação. A Artemis II já teve um problema não médico com seu sistema de banheiro, que foi resolvido.
- A ISS realizou sua primeira evacuação médica em 25 anos devido a um incidente com o astronauta Michael Fincke.
- A causa da perda de voz de Fincke ainda é investigada, com foco em possíveis alterações pela exposição prolongada à ausência de gravidade.
- Emergências médicas na ISS são geridas com o retorno antecipado da tripulação em naves que ficam estacionadas em órbita.
- Na Artemis II, as emergências médicas são mais desafiadoras, exigindo treinamento da tripulação e um kit de primeiros socorros adaptado à gravidade zero.
- A missão Artemis II enfrentou um problema inicial com o funcionamento do sistema de banheiro da nave, que já foi reparado.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Em janeiro deste ano, a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) precisou realizar sua primeira evacuação médica de emergência em mais de 25 anos de operação: foi quando a missão Crew-11 teve que voltar à Terra por uma questão de saúde do astronauta norte-americano Michael Fincke.
Aos 59 anos, Fincke estava em sua quarta expedição ao espaço, e o problema em si não foi revelado à época. Agora, veio à tona que Fincke passou 20 minutos mudo, sem conseguir falar com os outros companheiros a bordo da ISS. Mesmo se sentindo bem na sequência, ele foi evacuado preventivamente para passar por novas avaliações na Terra.
Os médicos já descartaram problemas como um engasgo ou um ataque cardíaco, mas seguem investigando o que pode ter causado o episódio. A hipótese mais forte é alguma alteração no corpo relacionada à exposição prolongada a um ambiente sem gravidade: Fincke, que estava há mais de cinco meses no espaço na sua missão mais recente, acumulava 549 dias em órbita somando todas as suas expedições.
O caso de janeiro voltou aos noticários junto com o lançamento da Artemis II, missão da NASA que dará a volta na Lua nos próximos dias: longe do contexto mais previsível da ISS, o que acontece em caso de emergência médica na missão em andamento?
Como funciona a evacuação médica no espaço
Em um caso como o de Fincke, vivenciado na Estação Espacial, o procedimento é um pouco mais fácil: as missões a bordo da ISS estão na órbita da Terra, o que torna previsível sua localização e o tempo necessário pra retornar ao planeta. A própria nave que levou a equipe para lá permanece “estacionada” ao longo da missão, podendo ser utilizada para o retorno na data programada ou antes disso, em caso de emergências.
Durante a inédita evacuação de janeiro, a decisão foi trazer de volta antecipadamente todos os integrantes da SpaceX Crew-11, missão que estava prevista para acabar cerca de um mês mais tarde. A descida ao planeta levou pouco mais de 10 horas, embora o retorno só tenha ocorrido oito dias após o incidente com Fincke.
Já na Artemis II, uma emergência médica tende a ser mais desafiadora. Em primeiro lugar, porque durante quase toda a missão os astronautas estarão mais longe da Terra do que a ISS fica: o tempo para a comunicação com a base de comando (de onde também vêm orientações médicas) é mais demorado, assim como os procedimentos necessários para dar meia-volta.
Por isso, o método principal para lidar com emergências é o treinamento da própria tripulação para lidar com as situações mais comuns que podem ameaçar a vida de quem está a bordo. A nave conta com um kit de primeiros socorros que inclui medicamentos, instrumentos para atendimento médico e alguns equipamentos para diagnóstico, e os astronautas aprenderam a utilizar esses dispositivos e também a realizar procedimentos de ressuscitação em caso de parada cardiorrespiratória (PCR) adaptados à ausência de gravidade.
Em casos extremos, a missão também pode ser abortada no meio do caminho, iniciando movimentos para retornar antes do prazo de cerca de 10 dias previsto originalmente.
Artemis II já teve “emergência” por razão inusitada
Felizmente, desde o lançamento do foguete na quarta-feira (1º), a Artemis II não registrou qualquer incidente médico envolvendo os quatro astronautas a bordo. Mas houve, sim, uma primeira emergência por uma razão bem mundana: o banheiro da nave não funcionou nas primeiras horas de viagem.
Para essa missão, a NASA desenvolveu uma nova tecnologia que recebeu o pomposo nome de Sistema Universal de Gestão de Resíduos (UWMS, na sigla em inglês): desenvolvido ao custo de US$ 23 milhões, ele pode ser usado por homens e mulheres e conta com funil, mangueira e fluxo de ar para garantir que a urina e as fezes sejam coletadas em compartimentos hermeticamente fechados, sem correr o risco de sair flutuando pela nave.
Em função da gravidade zero, também os próprios astronautas precisam ser presos a cordas para não sair voando enquanto atendem ao chamado da natureza.
A tecnologia é um grande avanço em relação ao que se utilizava nas missões Apollo, as últimas a chegar à Lua: na época, o xixi era coletado em um tubo e eliminado diretamente no espaço (onde congelava instantaneamente), enquanto o cocô precisava ser depositado em pacotes colados às nádegas nos quais, depois, os próprios astronautas misturavam um produto antisséptico para evitar a formação de gases ao longo da missão.
Era preciso enrolar bem o pacotinho e guardar até o retorno para casa, mas não para evitar produzir mais lixo espacial: a NASA fazia questão de ter as fezes de volta para estudar o que acontecia com elas em um ambiente sem gravidade e exposto à radiação do espaço.
Durante a falha do UWMS, os integrantes da Artemis II foram obrigados a recorrer a algumas técnicas de outrora. Mas, após algumas horas de conversa com os especialistas da NASA e a identificação do que causou o problema (um mau funcionamento do ventilador que auxilia na sucção), o sistema já está novamente operacional.
Fonte.:Saúde Abril


