Antes mesmo de escolher um restaurante na Cidade do México, surge uma decisão inevitável: qual taco provar primeiro? Eles estão por toda parte – nas esquinas movimentadas, em bairros charmosos como Roma e Condesa, em pequenas barraquinhas ou em redes já bem conhecidas. São milhares de opções, mais de 10 mil só na capital, o que pode deixar qualquer forasteiro um pouco perdido (foi exatamente assim que eu me senti quando cheguei para morar na capital mexicana).
Para facilitar esse caminho, comecei a me guiar por duas coisas: as sugestões do Guia Michelin México, que inclui taquerias em suas recomendações, e as redes que você encontra com facilidade pelos bairros mais visitados e que já possuem lugar cativo para moradores da cidade.

Outra descoberta importante veio logo nas primeiras mordidas: o taco mexicano é bem diferente do que costumamos encontrar no Brasil. Nada de tortilha crocante, carne moída, sour cream, queijo, alface e tomate. Aqui, a graça está na simplicidade: tortilhas macias, quase sempre de milho (e em diversas cores), carnes bem preparadas e aquele toque final de cebola, coentro e molhos, na maioria das vezes picantes e que você vai aprendendo a dosar.
Aos poucos, fui entendendo que cada taqueria tem seu estilo, seus segredos e suas especialidades. Comer tacos não é só uma refeição, é uma das formas mais autênticas de viver a Cidade do México. A seguir, as minhas favoritas:
Tacos Del Valle
Com selo Bib Gourmand do Guia Michelin, reconhecimento dado a locais com excelente custo-benefício, o Tacos Del Valle é daqueles lugares que confirmam a fama logo na primeira visita.

O espaço é pequeno e bastante disputado. A fila costuma começar antes mesmo da abertura, então chegar com antecedência (cerca de 30 minutos) faz diferença. Mas a espera é parte da experiência: ali, já dá para observar o movimento da casa e o preparo das carnes.

Um dos grandes atrativos é justamente acompanhar tudo de perto. As carnes são assadas e organizadas no trompo – a estaca giratória típica das taquerias, que lembra um espeto vertical – de onde vão sendo fatiadas diretamente para os tacos. É uma cena comum na cidade, mas que aqui ganha ares de espetáculo.
Para quem não domina o cardápio, o atendimento faz toda a diferença. A equipe sugere combinações e explica os principais ingredientes, o que ajuda bastante na escolha.
Entre eles, para mim o destaque vai para o Tijuanita: tortilha (de milho ou trigo), crosta de queijo, carne assada, abacate e batata ralada crocante. Uma mistura intensa, com diferentes texturas que funcionam muito bem juntas.

Outra boa pedida é a Trompo Orden Mixta, ideal para quem quer provar diferentes sabores em uma única pedida: ela reúne versões de carne asada, pork belly marinado e o Trompo Negro Fuego, com toque defumado e tempero especial.

As flautas são versões fritas da tortilha – em formato que lembra o instrumento musical – e bastante recheadas. São bem servidas e ótimas para dividir, permitindo explorar mais o cardápio. Para beber, a dica é a michelada – cerveja com limão espremido e sal ou tajín na borda do copo (mistura de pimentas suaves, limão desidratado e sal). Para quem viaja com crianças, o suco Boing aparece como opção – clássico mexicano presente em quase todas as taquerias.

Pequenos detalhes completam o charme: os copos com o nome da casa escrito à mão, o clima descontraído e a sensação de estar em um lugar que equilibra tradição e popularidade.
Endereço: Av. Álvaro Obregón 130, Roma Norte; saiba mais
Castacán
Na seleção do Guia Michelin, a Castacán é daquelas taquerias que ajudam a entender, logo de cara, dois clássicos da cozinha mexicana: lechón e cochinita pibil.

O lechón é o leitão assado lentamente até a pele ficar crocante, enquanto a carne permanece macia e suculenta, perfeita para desfiar. Já a cochinita pibil é carne de porco marinada com achiote e laranja, cozida por horas até desmanchar – normalmente servida com cebola roxa curtida.

Nos tacos, a cochinita se destaca pela intensidade e leve acidez. Mas não pare por aí: a torta de cochinita (o sanduíche mexicano) é uma das melhores formas de provar o recheio em outra versão – farta e cheia de sabor.

Outro ponto que faz diferença para quem ainda está se acostumando com a pimenta: os molhos vêm organizados por nível de intensidade, o que permite experimentar sem sustos.

O ambiente, com clima acolhedor e um leve toque retrô, completa a experiência que ainda pode terminar com um bom pudim da casa.

Endereço: C. Puebla 387, Roma Norte; saiba mais
Maizajo
Mais do que uma taqueria, a Maizajo é quase uma aula sobre o papel do milho na cultura mexicana. Aqui, tudo gira em torno desse ingrediente: dos milhos nativos ao processo tradicional de nixtamalização, que transforma o grão em massa e dá origem às tortilhas feitas na hora, na frente do cliente.

Os tacos seguem a linha mais clássica: tortilha macia + carne (como ribeye, suadero com linguiça ou milanesa de frango) + finalizações simples.
Mas, apesar de toda a reverência ao taco clássico, foi outra estrela do cardápio que roubou meu coração: as costras. Diferente do taco tradicional, aqui o recheio vem envolto por uma camada de queijo tostado e crocante – como se fosse uma “tortilha de queijo”. Resultado: uma combinação intensa, crocante por fora e suculenta por dentro. Das que provei, costilla de res, brisket e ribeye me emocionaram.

Para acompanhar, há molhos artesanais à vontade, cervejas locais e o tradicional suco Boing. E, para fechar, o pudim da casa, feito com receita familiar.

Detalhe: você come no balcão, em pé, de frente para a chapa. Dá para acompanhar todo o processo: da prensa que molda a tortilha ao queijo borbulhando até ganhar a crosta divina. A Maizajo, em suma, é uma taqueria que mescla técnica, cuidado e sabor.

Endereço: Fernando Montes de Oca 113, Condesa; saiba mais
Taquería Orinoco
Com unidades espalhadas por bairros como Roma, Condesa e Polanco, a Orinoco é uma daquelas escolhas coringas e confiáveis para incluir no roteiro.

A casa segue o estilo do norte do México, especialmente de Monterrey, e isso aparece logo no cardápio. Aqui, o tradicional pastor – que leva carne de porco marinada, assada e servida na tortilla de milho com abacaxi, cebola, coentro e salsa – é chamado de trompo, referência ao espeto vertical onde a carne é assada e fatiada na hora. Outra diferença importante é o uso mais frequente da tortilha de trigo, um pouco maior, que ganha protagonismo em muitos pedidos.

Entender alguns nomes que você encontra no menu ajuda na escolha. A gringa é uma das opções mais populares – leva tortilha de trigo, carne trompo, queijo derretido, cebola, coentro e abacate. É uma boa pedida para quem sente falta de queijo nos tacos mais tradicionais.
Entre os clássicos da casa estão também os tacos de trompo, bistec e chicharrón, sempre acompanhados por diferentes molhos, que você pode ajustar conforme sua tolerância à pimenta.

O ambiente reforça a experiência. A decoração remete às taquerias antigas, com letreiros, azulejos e detalhes em alumínio – um visual simples, mas cheio de identidade.

Na unidade que visitei em Roma Norte, vale esticar o passeio: a poucos passos dali, a sorveteria Amorino é uma boa parada para a sobremesa.
Endereços:
Av. Álvaro Obregón 100, Roma Norte
Av. Yucatán 3, Condesa
Av. Horacio 400, Polanco
Florencia 18, Zona Rosa
Plaza de la República 117, Tabacalera
Pensilvania 167-A, Nápoles; saiba mais
Tacos Atarantados
Conheci a Atarantados depois de ver fotos da Katy Perry por lá, durante uma de suas passagens pela cidade – e não é difícil entender a escolha: as opções no cardápio são variadas, as combinações generosas e tudo chega à mesa com aquele apelo irresistível que conquista logo na primeira mordida.

Aqui, a tortilha de trigo aparece com mais frequência, assim como na Orinoco, refletindo a origem da casa no norte do México. O cardápio traz nomes que podem confundir à primeira vista, mas que valem a descoberta.
O Abrazo de Ribeye é um dos destaques: uma lâmina de carne envolta por queijo tostado, servida na tortilha de trigo – uma combinação marcante, que faz jus ao nome.

Outro clássico são as cachetadas, levemente crocantes por fora, com recheios generosos. A de chicharrón é especialmente saborosa.

Os molhos também merecem atenção: vão dos mais suaves – como o de cacahuate (amendoim) e o de yogurt estilo tzatziki, refrescante – até os mais picantes.

Para acompanhar, as águas frescas são uma ótima pedida. Diferentes dos sucos mais concentrados, são bebidas leves e refrescantes perfeitas para equilibrar os sabores mais intensos dos pratos.
A unidade de Lomas de Chapultepec é mais ampla do que a média das taquerias da cidade, o que torna a visita mais confortável, sem deixar de ter um clima descontraído.

Endereços:
Córdoba 113, Roma Norte
Florencia 6, Juárez
Sierra Mojada 215, Lomas de Chapultepec
Av. Insurgentes Sur 337, Hipódromo Condesa; saiba mais

Daniele Bertolini Bellini (@danebertolini) é jornalista, mora na Cidade do México e escreveu um guia completo de lá para a Viagem e Turismo, leia aqui
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Fonte.:Viagen


