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22 de agosto de 2026

Hélio Schwartsman: Como entender a inteligência artificial – 22/08/2026 – Hélio Schwartsman

Hélio Schwartsman: Como entender a inteligência artificial – 22/08/2026 – Hélio Schwartsman

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Apoteose ou apocalipse da civilização? A inteligência artificial (IA) divide opiniões, às vezes segundo linhas ideológicas. Kissinger via enorme potencial. Ele a comparava à revolução dos tipos móveis de Gutenberg, que permitiu a produção em massa de livros. Já Chomsky é um cético. Para ele, a IA não chega nem perto de pensar e pode no máximo reproduzir trivialidades.

Em “How to Think about AI”, Richard Susskind tenta pôr ordem nessa confusão. Para isso, dedica um bom pedaço do livro a mostrar nossos vieses em relação à tecnologia em geral e ao aprendizado de máquina em particular. Um primeiro obstáculo é a falácia da IA. Acreditamos erroneamente que, para um computador conseguir produzir algo no mesmo nível de humanos, ele precisa copiar nossa forma de pensar e nossos processos cognitivos. Não precisa. IAs não têm por ora nada remotamente parecido com consciência e nem sequer pensam ou compreendem. Mas, valendo-se de quantidades pantagruélicas de dados e de capacidade de processamento ainda mais impressionante, geram respostas desconcertantes e, sim, criativas.

Tendemos a superestimar o impacto de curto prazo de novas tecnologias e subestimar os de longo. É verdade que as coisas são vendidas com muito hype. Aí, quando vemos que havia muito exagero nas promessas para já, ficamos desconfiados. Com isso, deixamos de considerar que avanços podem ter escala exponencial, de modo que não fazemos ideia do que a IA será capaz de realizar em prazos mais dilatados, de 20 ou 30 anos. Mas é certo que haverá transformações profundas. Alguns problemas deixarão de existir e outros serão criados. O carro eliminou o problema das fezes de cavalos nas cidades, mas ajudou a nos lançar na era da mudança climática antropogênica.

Susskind, com muito didatismo e bons exemplos, dá essa organizada básica nos debates. Em outras partes do livro ele se permite as especulações obrigatórias sobre futuro do emprego, singularidade e até a substituição da vida biológica pela digital.


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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