9:02 AM
30 de novembro de 2025

Promotoria do Rio apura morte de três pessoas em ação policial no Complexo da Maré

Promotoria do Rio apura morte de três pessoas em ação policial no Complexo da Maré

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro instaurou um procedimento investigatório para apurar as circunstâncias das mortes de três pessoas durante uma operação da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, na última terça-feira (26).

A investigação, aberta nesta quinta-feira (27) pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada, mira especialmente o caso de Bruno Paixão, 36, vendedor de queijos na região. O corpo de Bruno chegou a ser considerado desaparecido por horas, até ser localizado e reconhecido pela família no Instituto Médico Legal, no centro do Rio.

Na ordem que determina as diligências iniciais, a Promotoria requisitou todas as imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos na ação, além de laudos do local, de necropsia, boletins de atendimento médico, depoimentos e demais documentos já produzidos no inquérito policial instaurado. Testemunhas e familiares das vítimas também serão ouvidos.

A operação foi deflagrada após a Core afirmar ter recebido informações de inteligência de que uma liderança da facção que atua na Maré planejava invadir outra comunidade. A ação ocorreu na tarde de quarta e deixou, além dos três mortos, um adolescente de 12 anos baleado.

Ainda naquele dia, a Polícia Civil disse que os três mortos eram “narcotraficantes” e que atuavam como segurança de um chefe do tráfico local. A corporação não detalhou se Bruno Paixão está incluído nessa contagem, apenas informou que a Delegacia de Homicídios da Capital apura três mortes.

A versão oficial foi contestada por familiares e moradores. À noite, vias expressas da cidade foram bloqueadas em protesto. Parentes afirmam que Bruno trabalhava vendendo queijos em uma Kombi e que foi baleado logo após gritar para policiais que era trabalhador.

Testemunhas ouvidas pela Folha dizem que o vendedor estava prestes a iniciar mais um dia de vendas quando foi cercado por dois blindados da polícia. Ao sentar-se no banco do motorista, teria levantado as mãos para fora da janela e dito que era morador, mas foi atingido por tiros no pescoço e nas costas. Um vídeo exibido à reportagem mostra Bruno caído ao lado da Kombi, na porta do motorista.

O veículo passou por perícia na 21ª DP (Bonsucesso) e apresentava ao menos 11 marcas de disparo no vidro frontal, além de perfurações no vidro traseiro e na lateral. Segundo um irmão, Bruno não chegou a ser levado a um hospital –o corpo foi enrolado em um lençol e colocado na carroceria de uma caminhonete da polícia.

Nas redes sociais, a Polícia Civil publicou nesta quinta um vídeo gravado por drone que, segundo a corporação, mostraria Bruno em um bunker do tráfico. “No Complexo da Maré, o ‘queijeiro’ não era um inocente na cena. As imagens mostram sua participação ativa no tráfico. Não acredite em narrativas antipolícia”, diz o texto da postagem.

Morador do Timbau, também na Maré, Bruno tinha 14 irmãos e, segundo a família, manteve a tradição dos pais ao vender queijos pelas ruas da comunidade.

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Fonte. .Noticias ao Minuto

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