5:54 PM
26 de fevereiro de 2026

Ex-esquerdista segue há 15 meses sem ver a filha

Ex-esquerdista segue há 15 meses sem ver a filha

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Após anunciar mudança de posicionamento político durante a caminhada de Nikolas Ferreira, em janeiro, o ex-influenciador esquerdista Leonardo Stoppa continua sem contato com a filha. Segundo ele, são mais de 15 meses sem falar com a menina pessoalmente ou por videochamadas. A pequena está atualmente com sete anos e mora em Belo Horizonte/MG, a cerca de 200 quilômetros de distância do pai.

“A última vez que vi minha filha foi em 16 de novembro de 2024”, relata Stoppa, que é jornalista e advogado. “Depois disso, não tive contato nenhum”, continua, ao informar que a decisão publicada na última semana pela 9ª Vara de Família de Belo Horizonte manteve seu direito de falar com a criança por telefone e de passar finais de semana e feriados alternados com ela, além do Dia dos Pais.

“O juiz manteve a decisão referente ao convívio entre pai e filha, e só indicou participação em um projeto de convivência, que já manifestei expressamente meu interesse”, disse o influenciador.

No entanto, segundo ele, a decisão judicial não está sendo cumprida por dificuldade de agendamento das visitas com as advogadas da ex-esposa, já que uma medida protetiva por violência psicológica o impede de conversar diretamente com a ex-companheira.

“Ainda que a Vara da Família tenha decidido que posso buscar minha filha, minha ex-esposa pode chamar a polícia e dizer que estou descumprindo essa protetiva”, explica Stoppa, que já apresentou a situação ao 3º Juizado de Violência Doméstica e Familiar, em Belo Horizonte, e aguarda análise.

Segundo a defesa da mãe, no entanto, a filha estaria em risco atualmente devido à mudança de posicionamento político divulgada recentemente pelo pai nas redes sociais. “Ele falou que mudou [da esquerda para a direita] por conta do que aconteceu com a filha, e as pessoas começaram a ofender a mãe e a criança”, disse a advogada Bruna Morato, em entrevista à Gazeta do Povo.

De acordo com ela, a ex-companheira de Leonardo ficou assustada e chegou a evitar que a menina fosse à escola após o fato. No entanto, apesar do receio relacionado à exposição, Bruna afirma que não existiria empecilho para que o pai visse a criança.

“Mas a gente queria que ele regulamentasse esse contato, que fosse algo certo e com rotina”, aponta, ao citar que foi Stoppa quem solicitou a suspensão das visitas em novembro de 2024.

Pai pediu suspensão temporária das visitas após defesa da mãe apresentar parecer negativo

À Gazeta do Povo, o pai informa que tomou a decisão de suspender as visitas após a defesa da ex-esposa apresentar relatório do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontando problemas no convívio dele com a filha, e risco à saúde emocional da criança.

Stoppa nega as situações relatadas no parecer e afirma que ficou preocupado. Por isso, solicitou pausa nas visitas até que fosse realizado um estudo psicológico da filha. O objetivo seria verificar o “risco psíquico mencionado pela fisioterapeuta ocupacional e a possibilidade da utilização do implante de falsas memórias como ferramenta de alienação parental”, disse.

No entanto, o influenciador afirma à Gazeta do Povo que até hoje esse laudo não foi emitido e, em agosto de 2025, ele decidiu retomar as visitas, mesmo sem o estudo psicológico. “Afinal, não é apenas direito meu falar com minha filha, mas direito dela”, continuou, lembrando que as visitas nunca foram proibidas pela Justiça.

As tentativas de reaproximação, no entanto, foram recebidas pela defesa da ex-esposa com receio, já que não havia solicitação formal no processo. De acordo com a advogada Bruna Morato, o pai só documentou o novo pedido nos autos após participar da passeata do deputado Nikolas Ferreira, no início de 2026.

Ex-esquerdista pode ver a filha, mas defesa da mãe quer visitas supervisionadas

Com a petição em que Leonardo Stoppa desiste da suspensão das visitas e solicita retomada do contato com a criança, a advogada da mãe informa que o pai “pode, sim, ver a filha”. No entanto, ela explica que a defesa da genitora quer que esse convívio seja monitorado devido à “instabilidade” demonstrada pelo pai ao mudar de opinião durante o processo.

A advogada adianta que fará nova manifestação nos autos, aguardará posicionamento do Ministério Público (MP) e espera nova determinação do juiz. “Ela [a filha] é uma criança, e não um brinquedo”, diz a advogada.

Leonardo, no entanto, aponta que essa é uma estratégia da defesa para manter a alienação parental por mais um ano, já que as decisões judiciais demoram. Além disso, ele ressalta que o juiz da Vara de Família já determinou o direito do pai ao convívio com a criança sem supervisão e que a ex-esposa desobedece à ordem judicial quando nega esse direito.

A decisão mais recente no processo é da última semana, quando o magistrado manteve a convivência quinzenal entre pai e filha aos finais de semana e o contato entre eles nos demais dias por videochamada, incluindo realização de aulas de inglês e música. No entanto, Stoppa aponta que nunca foi apresentado, sequer, um telefone para esse contato e que ele está disposto a disponibilizar o aparelho.

Jurista afirma que genitor não perde direito a visitas após suspensão justificada

Procurada pela Gazeta do Povo, a jurista Regina Beatriz Tavares da Silva, doutora em Direito pela USP e presidente da Associação de Direito de Família e das Sucessões (ADFAS), confirma que o genitor tem direito às visitas e telefonemas, e que esse direito se mantém após suspensão justificada de visitas.

Além disso, ela alerta que o afastamento prolongado entre genitor e filha pode criar dificuldades na convivência e, por isso, a recomendação é que o direito às visitas seja exercido. “Como diz o ditado, que se aplica também aos filhos menores: ‘longe dos olhos, longe do coração’”, alerta a presidente da ADFAS.

Por isso, ela ressalta que os pais que têm direito às visitas devem enfrentar, por meio de instrumentos legais, os empecilhos criados sem razão plausível pelo genitor que tiver a guarda.

Além disso, a especialista ressalta que o descumprimento injustificado de decisão do juiz pode resultar na aplicação de multa e na possibilidade de modificação nos termos da decisão judicial, como ampliação do regime de visitas ou convivência. Essas ações, de acordo com a doutora em Direito, visam impedir a alienação parental e dependerão das “circunstâncias de cada caso”.

*Atualização
Após a publicação da reportagem, a defesa da ex-companheira entrou em contato com a Gazeta do Povo ressaltando que a culpa do distanciamento entre pai e filha seria do genitor, que pediu suspensão das visitas e negou contato com a filha durante vários meses. Leonardo Stoppa, no entanto, insiste que a culpa seria da genitora e suas advogadas, que não possibilitam agendamento das visitas ou telefone para contato com a menina, mesmo após retirada formal do pedido de suspensão de convivência. O caso, suas versões e a explicação legal dos fatos está na reportagem acima.



Fonte. Gazeta do Povo

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