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Introdução
Urupês (SP) se torna a primeira cidade do estado a distribuir Mounjaro (tirzepatida) pelo SUS para obesidade. Medicamento de alto custo, disponível para pacientes em vulnerabilidade social e na fila da bariátrica, com acompanhamento multidisciplinar. Outras cidades já implementam, enquanto a incorporação nacional enfrenta obstáculos.
- Urupês (SP) é a primeira cidade do estado a distribuir Mounjaro (tirzepatida) para obesidade no SUS.
- Medicamento de alto custo será destinado a pacientes em vulnerabilidade social e na fila da cirurgia bariátrica.
- Critérios incluem idade (a partir de 40 anos), IMC e presença de comorbidades.
- Os contemplados terão acompanhamento multidisciplinar completo pela rede pública.
- A incorporação ampla da tirzepatida ao SUS ainda depende de avaliações econômicas da Conitec.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A prefeitura de Urupês, município de 14 mil habitantes a 420 km de São Paulo, anunciou que vai iniciar a distribuição de Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de obesidade na rede pública local. Com a iniciativa, a cidade será a primeira do estado a disponibilizar o medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), uma oferta ainda rara no Brasil.
Com um custo elevado, que pode oscilar de R$ 1,4 mil a R$ 3 mil por mês dependendo da dose, o Mounjaro vem gerando grande expectativa sobre uma distribuição mais ampla o sistema público. Proibitivos para grande parte dos brasileiros, os preços têm feito muitos pacientes recorrerem a versões contrabandeadas do Paraguai e potencialmente falsificadas, expondo a saúde a riscos.
Entenda como vai funcionar o projeto em Urupês.
Quem poderá ser tratado
A ideia é priorizar pacientes em situação de vulnerabilidade social, incapazes de custear o medicamento pela rede privada, e que estejam na fila de espera para a cirurgia bariátrica. Podem ser contemplados até 200 pacientes, de forma escalonada, desde que cumpram todos os critérios abaixo:
- Idade igual ou superior a 40 anos;
- Índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 35 kg/m², associado a pelo menos uma comorbidade clínica relevante; ou IMC maior ou igual a 30 kg/m², associado a pelo menos duas comorbidades clínicas relevantes;
- Possuir tentativa prévia documentada de tratamento não farmacológico para a obesidade, por um período mínimo de seis meses.
Pacientes com IMC superior a 40 kg/m² não precisarão atender ao critério da idade.
Além da dispensação do medicamento, a promessa é que os pacientes receberão acompanhamento multidisciplinar pelo SUS, com uma equipe composta por médico endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social. Confira outros detalhes no anúncio oficial.
Apesar de ainda incomum, a oferta de tirzepatida por uma secretaria municipal de saúde não é inédita no Brasil: em dezembro, a prefeitura de Vilhena, em Rondônia, lançou um programa similar de distribuição do Mounjaro nas unidades básicas de saúde (UBS) da cidade.
Por lá, foram contemplados 80 pacientes com IMC acima de 40 e comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e esteatose hepática.
Incorporação ampla ao SUS ainda encontra obstáculos econômicos
A chegada de qualquer novo medicamento e procedimento pelo sistema público no Brasil deve passar pelo aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Além de uma análise da eficácia e segurança dos métodos propostos, o estudo também leva em conta fatores econômicos, dentro da chamada custo-efetividade: se o preço pago pelo governo pelo remédio será compensado pelo que se economizaria no longo prazo, na medida em que menos pacientes precisariam ser atendidos por complicações associadas às condições tratadas.
No ano passado, analisando a liraglutida e a semaglutida, a Conitec deu parecer desfavorável à incorporação das duas pelo SUS. Somando os dois medicamentos, o impacto estimado aos cofres públicos foi de R$ 4,8 bilhões em cinco anos, e a comissão apontou incertezas quanto ao tempo de tratamento e os riscos de reganho de peso após a interrupção do uso do remédio.
Apesar de considerar as canetas como seguras e eficazes, a análise entendeu que a custo-efetividade ainda não fazia sentido para o contexto brasileiro. A tirzepatida não fez parte da análise.
Com isso, o SUS segue oferecendo a cirurgia bariátrica como alternativa para o controle de peso, mas não tem qualquer medicamento incorporado para combater a obesidade. Por enquanto, interessados nos análogos de GLP-1 devem recorrer à rede privada ou torcer para que sua cidade siga a tendência de iniciativas como as vistas em Vilhena e Urupês.
Fonte.:Saúde Abril


