
Resenha por Arnaldo Lorençato
Coisa rara de acontecer é atribuir a um estreante quatro das cinco-estrelas máximas de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER. Novatos podem surpreender, e este é o caso do Marie Cuisine, originário de Brasília e instalado no mesmo ponto onde por 36 anos funcionou o Charlô Bistrô (hoje no Pulso Hotel). Trata-se de uma das casas do restaurateur Carlos Rodrigues, que mantém quatro operações italianas e uma mediterrânea na capital federal. Antes de chegar a São Paulo, o bistrô ganhou filiais em Campinas e Belo Horizonte. O menu tem um mentor que é um craque em cozinha bretã: o mineiro Marcílio Araújo, hoje dedicado a consultorias. Para que os resultados não oscilem, há um chef residente: Raphael De Lucca. O cardápio traz três pratos da Itália, mas não prestei atenção a eles. Por anos, não comia uma porção de escargots (R$ 99,00) tão boa. Fumegantes e em manteiga de salsinha e alho (este, sem excesso) como na Borgonha, têm uma textura formidável. Outro clássico dessa região, o boeuf bourguignon (R$ 128,00) é o guisado de cubos de músculo cozidos em vinho tinto até ficarem macios junto de cenoura, cebola, cogumelo-de-paris e bacon que marca presença sem ser invasivo. Completa-se com um sedoso purê de batata com muita manteiga. A carne de caça que anda escassa nos menus da cidade é representada pela refinada codorna desossada e recheada de seus miúdos ao molho de vinho de Sancerre e uva verde na companhia de lentilha du Puy (R$ 169,00). Faz lembrar de alguma forma o memorável filme A Festa de Babette (1987). Com fatias de maçã em caramelo com manteiga como pede a receita original, a tarte tatin (R$ 56,00) vem com sorvete de baunilha.
Informações checadas em fevereiro de 2026.
Fonte.: Veja SP Abril


