12:02 AM
5 de março de 2026

Gripe “vampirinha”: doenças respiratórias estão em alta no Brasil após o Carnaval e Fiocruz faz alerta

Gripe “vampirinha”: doenças respiratórias estão em alta no Brasil após o Carnaval e Fiocruz faz alerta

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Após o Carnaval, muita gente passou a relatar sintomas como dor de garganta, mal-estar e febre. Surfando na alta de reclamações, a internet batizou os quadros de “gripe Vampirinha”, em alusão à música da cantora Ivete Sangalo que embalou os festejos de 2026. Mas, apesar do nome divertido, o cenário exige atenção e envolve vírus com a circulação intensifcada no país.

Segundo o mais novo boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (26), o Brasil registrou, nos últimos dias, um aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), quadros que envolvem dificuldade para respirar e necessidade de internação. A atualização mostra que três estados estão em nível de alerta ou risco: Goiás, Sergipe e Rondônia.

Ainda de acordo com a instituição, apesar de terem recebido a alcunha de “gripe”, os casos recentes de síndrome respiratória são provocados, principalmente, por rinovírus, causador do resfriado comum, e o vírus sincicial respiratório (VSR), da bronquiolite.

Ainda assim, o país também registra quadros associados ao Influenza, vírus da verdadeira gripe, e Sars-CoV-2, da Covid-19.

Na soma das quatro últimas semanas epidemiológicas, 36,5% dos casos de síndrome respiratória grave foram causados por rinovírus, 20,4% por Covid-19, 13,1% por VSR, 18,9% por Influenza A e 2,1% por Influenza B. Este período engloba meados de 25 de janeiro a 21 de fevereiro.

O que pode explicar essas taxas?

Segundo o pneumologista Rodolfo Bacelar Athayde, da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), o principal fator que explica o cenário de alta esta semana é, de fato, o feriadão de fevereiro.

“Muitas pessoas juntas e próximas fisicamente favorecem a propagação dos vírus respiratórios. Essas aglomerações acontecem nos blocos, nos bailes, nas festas em família e até em retiros espirituais”, avalia.

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No caso das crianças, o impacto também se relaciona à volta às aulas, que aumenta a circulação viral. 

Por isso, para o médico, o momento pede vigilância, especialmente para idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, mais vulneráveis a formas graves das doenças. “Mas não é motivo para pânico”, ressalta.

O infectologista Alexandre Naime, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) explica, ainda, que a aproximação do outono, período em que há uma maior transmissão de vírus, também pode influenciar as taxas.

“Essas últimas quatro semanas provavelmente representam o começo de um aumento que vai se manter nas próximas, já que vamos ter dias mais frios”, destaca.

Quais os principais sintomas da “gripe vampirinha”?

Apesar do título de “gripe”, os quadros respiratórios em alta nos últimos dias não estão relacionados somente ao vírus Influenza. Como visto, na verdade, a maioria deles são culpa dos rinovírus e VSR

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Apesar disso, todas são doenças respiratórias que se enquadram no que é chamado de síndrome gripal, um tipo de doença com febre de início súbito, acompanhada de tosse ou dor de garganta.

Os principais sintomas desse tipo de doença são coriza intensa, obstrução nasal, espirros frequentes, dor de garganta, tosse seca ou produtiva e febre.

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Doenças respiratórias em alta após o carnaval receberam o título de “gripe vampirinha”, em alusão à hit carnavalesco de Ivete Sangalo em 2026. (Instagram/Reprodução)

+Leia também: Gripe: médico esclarece 4 mitos comuns e ensina a se proteger de verdade

Quando procurar um médico?

O atendimento deve ser procurado especial em caso de sintomas de agravamento da doença e entre pessoas mais vulneráveis, que podem sofrer com quadros mais intensos de bronquiolite e, até, pneumonia.

“Por exemplo, o rinovírus é conhecido por causar principalmente o resfriado comum, mas em crianças pequenas, idosos, pessoas com asma e doenças pulmonares, pode descer do trato respiratório alto e ir para o pulmão, causando emergência”, diz Naime. Já o VSR pode afetar, principalmente, crianças pequenas e lactantes com bronquiolite e pneumonia.

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Athayde explica que as complicações dão sinais como chiado no peito (sibilância), tosse mais produtiva e dor ao respirar. Nesses casos, o atendimento médico deve ser considerado imediatamente.

Outros sinais de alerta são dificuldade para respirar, sonolência excessiva ou estado de confusão mental. Ademais, merecem atenção redobrada a tosse com sangue, febre alta persistente, recusa alimentar e dificuldade de hidratação. “Nas crianças menores, a respiração acelerada e o batimento “das asas” do nariz também são sinais de alerta”, destaca o pneumologista.

A busca por atendimento também é muito importante quando há piora progressiva dos sintomas mesmo após três ou cinco dias.

Como se cuidar?

Para a maioria das pessoas, essas doenças são leves e o tratamento é baseado em repouso e hidratação.

Outra indicação é lavagem nasal com soro fisiológico para aliviar a congestão e a tosse. Para amenizar sintomas, o uso de antitérmicos, conforme orientação médica, também é útil.

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Além disso, segundo Athayde, uma das principais preocupações na hora do autocuidado é evitar o uso de automedicação com antibióticos. “Essas infecções são virais e antibióticos não têm efeito sobre elas”, destaca o médico. Para piorar, o uso inadequado pode promover resistência bacteriana, dificultando tratamentos futuros.

É importante considerar, ainda, que para algumas doenças, como Influenza e Covid-19, existem remédios antivirais específicos que podem ajudar nos primeiros dias de infecção. “[Por isso], pessoas vulneráveis, mesmo que tenham sintomas leves, principalmente nos primeiros dias, devem procurar atendimento médico, porque é possível diferenciar com exames qual dos vírus está causando a síndrome e adequar o tratamento”, lembra Naime. 

Prevenção

A principal forma de prevenção é o uso de vacinas. No Sistema Único de Saúde (SUS), há a vacina contra o VSR, Influenza e Covid-19.

A vacina contra VSR é destinada a gestantes a partir da 28ª semana com o objetivo prevenir os casos de bronquiolite em recém-nascidos. Ao fazer uso do imunizante, a mãe transfere seus anticorpos contra o vírus ao bebê. 

Já as vacinas contra as variantes do vírus Influenza são distribuídas em campanhas para todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade, enquanto a vacina contra a Covid-19 é focada em grupos prioritários, como idosos, imunocomprometidos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde e pessoas com comorbidades.

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Outras medidas importantes de prevenção (e para evitar contaminar outras pessoas), incluem:

  • Lavar as mãos com frequência, especialmente antes de tocar olhos, nariz e boca;
  • Usar máscaras em ambientes fechados e aglomerados;
  • Ao apresentar sintomas, manter-se em isolamento;
  • Evitar contato com bebês, idosos e imunossuprimidos, enquanto estiver sintomático;
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar

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Fonte.:Saúde Abril

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