O clérigo Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi anunciado neste domingo (8) como novo líder supremo do Irã. Seu pai, o segundo a ocupar o posto de autoridade máxima do país persa, foi morto por um ataque aéreo de Israel em sua residência oficial no sábado (28).
Mojtaba se torna o terceiro líder supremo da história da República Islâmica iniciada em 1979. O primeiro, Ruhollah Khomeini, morreu em 1989, sendo substituído por Ali Khamenei.
O líder eleito em 2026 é o segundo filho de Khamenei e há anos era cotado para ser seu sucessor. Ele foi escolhido pela Assembleia de Especialistas, u grupo de 88 clérigos eleitos em 2024.
Apesar de serem escolhidos por decisão popular, na prática, o colegiado é formado por indicados que passam pelo crivo do líder supremo (no caso, Ali Khamenei) e de seus aliados. Dessa forma, a decisão é controlada pelo grupo político do aiatolá.
O novo líder supremo não possui o título de aiatolá, o mais alto posto religioso no Islã xiita. Essa não seria a primeira vez que o título foi concedido depois da eleição para o cargo de líder supremo —seu pai, Ali Khamenei, também não estava no topo da hierarquia religiosa quando foi escolhido em 1989. Para que ele pudesse ser indicado, foi preciso alterar a Constituição iraniana.
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Mojtaba passou boa parte da vida trabalhando às sombras do pai. Um apoiador da presidência de Mahmoud Ahmadinejad, o ultraconservador que governou o Irã de 2005 a 2013, ele apoiou a repressão aos protestos de 2009 contra supostas fraudes na eleição.
Apesar de sempre aparecer nas listas de cotados à sucessão do pai, um aspecto pesava contra Mojtaba. A Revolução Islâmica de 1979 se insurgiu contra uma monarquia e um de seus princípios estruturantes era o fim do poder hereditário.
A guerra que começou no sábado (28), porém, parece ter tornado irrelevante —pelo menos no momento— essa questão. Além disso, o filho de Khamenei é visto como aliado próximo da Guarda Revolucionária, o que poderia indicar um recrudescimento do regime, o contrário do que o presidente americano, Donald Trump, afirma desejar.
Nesta terça-feira (3), os Estados Unidos e Israel atingiram o prédio da Assembleia de Especialistas em Qom, mas não havia informações sobre a presença dos clérigos no local.
Após o ataque, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que todas as pessoas que seu governo tinha em mente para assumir o comando do Irã após o fim da guerra “estão mortas”.
O republicano não especificou quem elas seriam, nem em quais circunstâncias elas morreram. O conflito no Oriente Médio entrou em seu quinto dia.
Trump vem instando os iranianos a se insurgirem contra a República Islâmica que, até o momento, resiste apesar da morte de sua principal autoridade e de políticos de alto escalão.
No dia seguinte à morte de Ali Khamenei, o presidente Masoud Pezeshkian montou uma junta para governar provisoriamente o país, apontando o aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino. Completava o trio o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei.
Não está claro ainda se essa trinca foi dissolvida com a eleição de Mojtaba ou se passará a ocupar algum outro espaço de poder. Também não há informações sobre o paradeiro do novo líder supremo.
Fonte.:Folha de S.Paulo


