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Introdução
Os rins são faxineiros vitais do corpo, mas suas doenças crônicas são silenciosas e perigosas. Entenda a importância desses órgãos, as principais condições que os afetam e 5 sinais de alerta cruciais para identificar problemas antes que seja tarde. Sua saúde renal agradece.
- Rins: os faxineiros essenciais do corpo, que filtram o sangue, regulam a pressão e produzem hormônios.
- Atenção às Doenças Renais Crônicas (DRC), que progridem lentamente e são frequentemente silenciosas, afetando a estrutura e função renal.
- Diabetes e hipertensão são os principais vilões da saúde renal, atuando como causas e consequências da doença.
- Cansaço extremo, confusão mental e necessidade de urinar várias vezes à noite (noctúria) são alertas importantes.
- Inchaço, perda de apetite, náuseas, e problemas de coagulação ou formigamento nas pernas também podem indicar problemas renais.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Os rins são a dupla de faxineiros incansáveis do organismo. A cada minuto, eles passam o sangue por um sistema de filtros microscópicos, retirando toxinas, excesso de líquidos e resíduos que o corpo não precisa mais. Todo esse “lixo biológico” segue então para a urina e é eliminado.
Mas o trabalho desses órgãos ainda vai além. Os rins também ajudam a regular a pressão arterial, equilibram a quantidade de sal e minerais no corpo e até participam da produção de hormônios.
Não é de se estranhar, portanto, que, quando algo sai do eixo nesses órgãos, o impacto possa ser sentido no corpo inteiro.
Foi justamente para chamar a atenção para essa importância que surgiu o Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março. Essa mobilização global busca conscientizar a população sobre a saúde renal e prevenção de problemas, especialmente as doenças renais crônicas (DRCs) – aquelas que se estendem para toda a vida.
Embarcando na data, reunimos cinco sinais de alerta que podem indicar que algo não vai bem com a saúde dos seus rins, segundo especialistas. Confira a seguir.
Quais são as principais doenças renais?
Diversas condições podem afetar os rins. Algumas estão ligadas a hábitos do dia a dia — como beber pouca água ou ter higiene inadequada — enquanto outras têm origem genética ou estão associadas a doenças prévias ou condições autoimunes.
Entre as mais conhecidas estão o cálculo renal, popularmente chamado de “pedra nos rins”; a infecção urinária; e a nefrite, formas de inflamação na região do rim responsável pela filtragem do sangue, chamada de glomérulo.
Esses problemas costumam ser agudos, ou seja, surgem de forma relativamente rápida e podem desaparecer com o tratamento adequado.
Por isso, uma das maiores preocupações dos médicos está nas chamadas doenças renais crônicas.
Esse termo engloba alterações que afetam tanto a estrutura quanto a função dos rins. Elas podem ter várias causas, mas compartilham uma característica em comum: provocam uma perda lenta, progressiva e muitas vezes irreversível da função renal.
Por exemplo, uma lesão renal aguda que não se recupera completamente após o tratamento ou persiste por mais de três meses pode evoluir para doença crônica.
Mas, apesar das origens distintas, há dois fatores que aparecem no topo da lista de riscos: “a principal causa de doença renal no mundo é a diabetes , uma condição comum que atinge, entre outras coisas, os rins. Depois vem a hipertensão arterial”, resume Maria Julia Nepomuceno, nefrologista do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas. Pessoas com obesidade também têm um risco aumentado.
Isso acontece porque essas condições afetam diretamente os delicados vasos sanguíneos que formam o sistema de filtragem dos rins.
No caso da pressão alta, existe uma espécie de ciclo de causa e efeito. Alterações na pressão sobrecarregam os rins, já eles têm justamente o trabalho de ajudar a regulá-la. Ao mesmo tempo, quando deixam de funcionar bem, os níveis de pressão arterial também tendem a aumentar.
“Por isso, uma pressão alta difícil de controlar pode sugerir que o rim não está conseguindo cumprir o seu papel, porque ele faz um balanço dessa pressão, eliminando excesso de líquido e de sal”, diz a médica.
Outras causas de DRC incluem o bloqueio do trato urinário (obstrução), algumas anomalias renais — como a doença renal policística e a glomerulonefrite — e doenças autoimunes, como o lúpus, que fazem com que o próprio sistema imune produza anticorpos que atacam estruturas do rim.
Sintomas de problemas nos rins
Um dos desafios das doenças renais é que os sintomas costumam surgir de forma lenta e discreta. “O grande problema é que essa doença é silenciosa. Por anos o seu rim vai perdendo a função e você não sente nada até que ela esteja avançada”, explica Maria.
À medida que os rins perdem capacidade de filtrar o sangue, resíduos começam a se acumular no organismo — e é esse acúmulo que dá origem aos sintomas.
Problemas agudos são mais fáceis de identificar, como a pedra nos rins, que causa dor na região lombar e urina turva, ou infecções, que levam a febre e calafrios.
Já a doença renal crônica costuma ser dividida em cinco estágios, que indicam o nível de funcionamento dos rins. Geralmente, para descobrir em qual deles uma pessoa se encontra, a equipe de saúde deve realizar exames. Mas alguns sinais podem indicar que eles estão enfrentando dificuldades. Veja os principais:
- 1. Idas frequentes ao banheiro
Nos estágios iniciais, a perda leve ou moderada da função renal pode provocar sintomas discretos. Um deles é a necessidade de urinar várias vezes durante a noite, quadro conhecido como noctúria.
Isso acontece porque os rins deixam de conseguir reabsorver parte da água da urina para reduzir seu volume e concentrá-la, como normalmente ocorre durante o sono. O resultado é uma produção maior de urina ao longo da noite.
- 2. Fadiga e confusão mental
Quando a função renal piora e os resíduos metabólicos se acumulam no sangue, o organismo começa a sentir os efeitos.
É possível que a pessoa passe a sentir cansaço constante, fraqueza generalizada e até uma diminuição da capacidade de concentração e raciocínio. Outro fator que contribui para essa sensação é a anemia, condição frequente em pessoas com doença renal crônica e que também provoca falta de energia.
- 3. Perda de apetite e náuseas
“O rim coloca pra fora várias substâncias e toxinas que, se não forem depuradas, podem causar mal estar”, diz Maria.
Por isso, uma pessoa pode perder o apetite, sentir náuseas e até apresentar vômitos. Muitas relatam ainda um gosto desagradável na boca. Com o tempo, esse conjunto de sintomas pode até mesmo levar à desnutrição e à perda de peso.
Pessoas com doença renal crônica podem perceber que hematomas aparecem com mais facilidade no corpo ou que sangramentos demoram mais do que o normal para parar após um corte ou lesão.
Isso ocorre porque alterações provocadas pela doença renal podem interferir no funcionamento das plaquetas, estruturas do sangue responsáveis pela coagulação.
- 5. Dor, cãibra, inchaço e formigamentos nas pernas
Quando a função renal está gravemente comprometida, os resíduos metabólicos atingem níveis ainda mais altos no sangue.
Esse acúmulo pode afetar nervos e músculos, provocando espasmos musculares, fraqueza, cãibras e dores. Algumas pessoas também relatam sensação de formigamento nos braços e nas pernas ou perda de sensibilidade em determinadas regiões do corpo.
Outro problema possível é a síndrome das pernas inquietas, caracterizada por uma necessidade constante de movimentar as pernas, principalmente à noite.
“[Além disso], o inchaço, também chamado de edema, costuma aparecer nas perna, tornozelos, pés ou ao redor dos olhos. Isso ocorre porque os rins saudáveis eliminam o excesso de água e sal pela urina. Quando há comprometimento da função renal, o excesso de líquido pode se acumular nos tecidos do corpo”, explica Américo Cuvello Neto, chefe do centro especializado em nefrologia e diálise do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Outro ponto importante para observar são as alterações na urina. Quando há a presença de espuma, semelhante à de sabão, é possível que esteja ocorrendo perda de proteínas pelo xixi.
É que, como filtros, os rins permitem a passagem de resíduos, mas seguram as proteínas importantes no sangue. “Quando esse filtro é danificado, parte dessas proteínas pode passar para a urina, alterando a tensão do líquido e formando espuma persistente”, acrescenta Neto.
Diagnóstico e tratamento
Existem diferentes exames para avaliar a saúde dos rins, como testes de sangue, de urina e exames de imagem. Na prática, o principal indicador do funcionamento renal é a Taxa de Filtração Glomerular (TFG), que mostra o quanto os rins conseguem filtrar o sangue.
Outro teste importante é o de urina para avaliar a presença da proteína albumina. “Normalmente, a proteína não deve ser perdida na urina. Portanto, quando isso acontece, pode ser um sinal de que algo não vai bem com os rins”, diz Maria.
Em alguns casos, a pessoa ainda não apresenta alteração na creatinina, mas já tem perda de proteína na urina, o que pode indicar um problema renal em estágio inicial.
Já o tratamento depende do estágio da doença. Nos estágios iniciais, o objetivo é controlar os fatores de risco e evitar que a função dos rins piore, preservando a filtração do sangue pelo maior tempo possível.
Quando a doença está mais avançada, pode ser necessário iniciar a terapia renal substitutiva, que substitui parte do trabalho dos rins. As principais opções são:
- Hemodiálise: o sangue passa por uma máquina que remove toxinas. Geralmente é feita em clínicas, três vezes por semana.
- Diálise peritoneal: realizada em casa, geralmente todos os dias, por meio de um cateter colocado no abdome.
- Transplante renal: substituição do rim doente por um rim saudável de doador.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito, incluindo diálise e transplante, para pacientes com doença renal crônica.
Prevenção
Quando o assunto é prevenção, a principal estratégia é tratar bem as doenças que a pessoa já tem comorbidades associadas.
“Tratar e controlar os fatores de risco como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo são as principais formas de prevenir doenças renais”, diz Marias.
Outro cuidado importante é o uso indiscriminado de medicamentos que podem prejudicar os rins, especialmente os anti-inflamatórios.
“Pessoas com dor crônica, por exemplo, costumam usar com frequência remédios como diclofenaco ou ibuprofeno. Essas medicações podem virar um problema no rim no futuro. Por isso, é importante só tomar remédios com orientação médica”, diz Maria.
Por fim, hábitos saudáveis também ajudam a proteger os rins, como praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, consumir frutas e verduras e reduzir o consumo de sal.
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Fonte.:Saúde Abril


