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Introdução
O câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum no Brasil e tem previsão de crescimento. A doença é altamente prevenível e tratável em estágios iniciais, tornando a observação de alterações nas fezes e hábitos intestinais fundamental. Sinais como sangue nas fezes, formato afilado ou mudanças persistentes indicam a necessidade de avaliação médica e a colonoscopia é essencial para prevenção.
- O câncer colorretal é o terceiro tipo de tumor mais comum no Brasil, com alta previsão de crescimento.
- A doença é prevenível e tratável, especialmente quando diagnosticada em estágios iniciais.
- Mudanças persistentes nas fezes (sangue, formato afilado, diarreia ou constipação) e no hábito intestinal são alertas.
- Sintomas como dor abdominal, fraqueza, anemia e perda de peso sem causa aparente requerem atenção.
- A colonoscopia é essencial para prevenção e detecção precoce, indicada a partir dos 45 anos ou com histórico familiar.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O câncer de intestino, ou colorretal, é um tipo de tumor, como sugere o nome, que afeta o cólon (parte do intestino grosso) ou o reto (parte final do órgão).
Ele é o terceiro mais comum entre os brasileiros e deve avançar ainda mais nos próximos anos. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), trata-se do tipo de neoplasia com maior crescimento previsto até 2030 na faixa dos 30 aos 69 anos.
Por outro lado, a doença é uma das mais preveníveis e tratáveis quando descoberta cedo. E um dos sinais mais acessíveis (e ignorados) está justamente no banheiro.
Pois é. É que prestar atenção na frequência, aparência, cor e até na consistência das fezes pode ajudar a identificar problemas no intestino, incluindo o câncer colorretal.
A seguir, especialistas descrevem quais são os pontos que merecem atenção quando o assunto é saúde intestinal. Confira:
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Como são as fezes de quem tem câncer no intestino?
Não existe um “cocô típico” de quem tem câncer colorretal. “E não necessariamente o fato de ter um tumor vai mudar o formato das fezes. Isso geralmente acontece se o câncer for na parte mais final do intestino”, explica Ignez Braghiroli, coordenadora do comitê de tumores gastrointestinais altos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
Mesmo assim, o corpo pode dar sinais que aparecem no banheiro, principalmente quando há mudanças nos padrões intestinais.
“O paciente com câncer de intestino pode ter alteração tanto da consistência das fezes quanto do hábito fecal”, exemplifica Vanessa Prado, coloproctologista do Hospital Nove de Julho.
Fezes com sangue, formato afilado (fezes finas como fita/lápis), diarreia ou constipação persistentes, e sensação de esvaziamento incompleto (ou “estufamento”) são os principais sinais de alerta.
Para quem busca alguma característica na forma da fezes que possa ser chamativa, o primeiro ponto de atenção deve ser a presença de sangue. Além disso, o afinamento no formato dos dejetos também é um sintoma importante.
“Você tem uma lesão [tumor] que está estreitando o canal do intestino. Então, quando o material [fezes] passa por aquele ponto, ele tem alterações na sua forma. Ao invés de ter o formato habitual, estará fragmentado, mais fino ou com consistência diferente”, explica Duílio Reis, oncologista clínico e membro da diretoria da SBOC.
Vanessa completa: “ás vezes o tumor que acomete o intestino deixa o cocô floculado, ou seja, quase uma diarreia, porque nem passa mais [pelo processo típico de formação no intestino] e, então, só sai líquido. Todas essas características, principalmente o cocô com sangue, chamam atenção”, esclarece.
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Dá para perceber, portanto, que não existe uma regra perfeita. Por isso, segundo os médicos, mais importante do que se preocupar com a forma das fezes em si, é saber comparar se a aparência atual é muito diferente do habitual.
“Alguém que nunca teve sangramento, por histórico de doença hemorroidária, por exemplo, e de repente começa a ver sangue nas fezes ou uma pessoa que estava constipada e o intestino muda e começa a funcionar todo dia — são coisas que chamam atenção”, diz Ignez.
Outros sintomas característicos da doença incluem:
- Alteração geral na forma típica das fezes;
- Alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados);
- Dor ou desconforto abdominal;
- Fraqueza;
- Anemia;
- Perda de peso sem causa aparente.
E não esqueça: mudanças persistentes, como sangramento e diarreia que não melhoram, devem acender o alerta.
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Escala de Bristol: o que o cocô diz — e o que ele não diz — sobre sua saúde
A formação do câncer colorretal costuma ser silenciosa. Células do cólon ou do reto passam a se multiplicar de forma desordenada, dando origem a tumores que, na maioria das vezes, surgem a partir de pólipos. Estes, por sua vez, são lesões inicialmente benignas, mas com potencial de se tornar câncer ao longo dos anos se não forem removidas.
Nesse processo lento, o intestino até tenta avisar. O problema é que os sinais são, em geral, sutis e facilmente confundidos com questões do dia a dia, como mudanças na alimentação, estresse ou até hemorroidas (que podem causar sangramento).
Mas aí também entra um recurso simples, mas útil: a Escala de Bristol. Embora não sirva exatamente para o diagnóstico de câncer, essa escala ajuda a entender o que seu cocô está tentando te dizer sobre a sua saúde.
Ela organiza as fezes em sete tipos, de acordo com formato e consistência. Assim, define como anda o trânsito intestinal:
- Tipo 1: fezes endurecidas e separadas (“de cabrito”); sinais de constipação grave
- Tipo 2: fezes em formato de salsicha e encaroçada; constipação moderada
- Tipo3: forma de salsicha, mas com rachaduras; mais próximo ao normal
- Tipo 4: lisas e cilíndricas; normais
- Tipo 5: macias e divididas em pedaços separados; sinal de trânsito acelerado
- Tipo 6: pastosas e com bordas irregulares; característico de diarreia leve
- Tipo 7: mais líquidas; diarreia grave, podendo ser sinal de infecções, intoxicação ou doenças gastrointestinais mais graves.
“Por isso, eu sempre falo: vamos olhar para o cocô! A escala diz muito sobre você!”, aconselha Vanessa.

Mas, quando falamos de tumores do intestino, há alguns limites importantes. Isso porque, como visto, o câncer nem sempre altera o aspecto das fezes, sobretudo nas fases iniciais. Assim, ter um cocô “normal” na escala não descarta problemas.
“É muito difícil falar para o paciente sobre escala e tipo de fezes. Por isso, geralmente falamos sobre sinais de risco, que são essas mudanças gerais notrânsito intestinal das pessoas”, diz Ignez.
Por essa razão, médicos reforçam que, sim, olhar para o que está no sanitário é recomendável, mas não basta observar fatores isolados; é preciso dar atenção geral ao corpo e, sobretudo, garantir os exames de rotina em dias.
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Prevenção é a regra
“O câncer colorretal é uma das doenças mais preveníveis que existem, com diagnóstico precoce bem estabelecido e uma taxa de cura para doenças descobertas cedo muito alta, superior a 90%“, aponta Duílio.
É por isso que o médico avalia que o ideal mesmo é identificar a doença antes que sinais apareçam no vaso sanitário. “E a forma da gente conseguir fazer isso é com colonoscopia de rotina”, diz o médico.
O rastreamento dos tumores de cólon e reto pode ser realizado por meio de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias).
A colonoscopia é o “padrão ouro” para prevenir e detectar precocemente o câncer colorretal. Mas ele tem uma característica ainda mais especial: permite a remoção imediata de pólipos identificados antes que evoluam para tumores.
O exame é indicado a partir de 45 anos ou até mais cedo, no caso de pessoas com histórico familiar. O teste também diagnostica inflamações e hemorragias, garantindo altas chances de cura.
“Os sintomas podem ser explicados por muitas condições médicas diferentes. Então, esse é mais um dos motivos pelo qual existe a recomendação de fazer exames preventivos”, aponta Duílio.
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Fonte.:Saúde Abril


