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19 de março de 2026

Patente do Ozempic chega ao fim nesta sexta: por que isso importa para pacientes e para o SUS

Patente do Ozempic chega ao fim nesta sexta: por que isso importa para pacientes e para o SUS

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A patente da substância semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic (usado para diabetes), Wegovy (indicado para obesidade) e Rybelsus (versão em comprimido), expira no Brasil nesta sexta-feira (20).

Com isso, o direito que garante exclusividade de produção para a farmacêutica Novo Nordisk deixará de valer e medicamentos genéricos e similares poderão ser inseridos no mercado. A expectativa é de que, com a mudança, haja uma queda nos preços do remédio.

A seguir, entenda mais sobreo assunto.

O que é a patente

A patente é um documento de propriedade temporária, válido no Brasil por até 20 anos, emitido pelo Estado aos inventores de um tratamento ou tecnologia. O prazo garante à empresa inventora o monopólio para fabricar e comercializar a sua inovação.

Quando esse período chega ao fim, o que é conhecido como “quebra da patente”, a fórmula cai em domínio público, o que permite que qualquer laboratório possa produzi-la. Esses novos produtos costumam ter preços menores, graças à maior competitividade no mercado.

O efeito nos preços

Para ilustrar, dados de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que que há uma proporção favorável aos bolsos: quanto maior o número de versões disponíveis de um medicamento, menor tende a ser seu preço.

No contexto atual, ainda não há previsão para a chegada dos genéricos de semaglutida às farmácias, nem estimativas concretas de preço. Também não se sabe, por enquanto, o quanto essa mudança vai impactar o valor dos produtos de marca.

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Mas, segundo a análise do Ipea, em geral, com a entrada de um primeiro produto genérico no mercado brasileiro, estima-se uma redução média de 20,8% nos preços mínimos de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA). Já a partir do terceiro, a economia chega a 55,2%.

Vale dizer que os similares têm uma redução de preço menor (entenda as diferenças aqui).

Quais genéricos podem chegar ao mercado?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu ao menos 14 pedidos de análise para produtos concorrentes à base de semaglutida. Empresas como EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm têm solicitações em andamento.

Além disso, a Eurofarma já lançou, em outubro de 2025, duas versões da semaglutida em parceria com a Novo Nordisk, Poviztra (voltada para obesidade e sobrepeso) e Extensior (focada em diabetes tipo 2).

Apesar disso, nenhum dos novos remédios concorrentes teve o nome comercial anunciado até o momento, e também não está claro se todos eles serão produzidos já em 2026, como as fabricantes esperam.

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+Saiba mais em: Quem são os “genéricos” do Ozempic que devem chegar ao mercado brasileiro com o fim da patente

O que muda com a queda da patente?

Em nota, a Novo Nordisk afirma reconhecer o encerramento da patente como uma etapa natural no ciclo de qualquer inovação e diz que o Brasil seguirá ocupando “um papel central na estratégia global da companhia”.

Além disso, pouco antes do fim da exclusividade, a empresa já anunciou duas estratégias para ampliar o acesso aos tratamentos: o programa Acesso Equitativo, focado na rede pública, e uma nova dinâmica de valores para o mercado privado. As duas medidas foram lançadas no início deste mês.

A primeira iniciativa propõe a colaboração técnica para a geração de evidências que apoiem o Sistema Único de Saúde (SUS) a criar melhores condições de acesso a tratamentos inovadores para a obesidade.

Por enquanto, está sendo analisada a criação de um projeto piloto, que deverá durar cerca de dois anos. Segundo a empresa, a iniciativa não visa o próprio ganho; mesmo que as instituições adotem terapias de outros fabricantes, as etapas de produção de conhecimento seguirão as mesmas.

Uma mudança mais imediata, também lançada em março, são as novas dinâmicas de preço para as vendas de Wegovy e Rybelsus.

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Agora, no caso do Wegovy, pacientes podem receber gratuitamente a dose inicial de 0,25 mg, desde que a prescrição inclua também a dose de manutenção indicada pelo médico. Mas o benefício é temporário, válido enquanto durarem os estoques.

Já para o Rybelsus, também por tempo limitado, a compra de duas caixas — em qualquer dosagem (3 mg, 7 mg ou 14 mg) — reduzirá o custo mensal do tratamento para R$ 565 no e-commerce ou R$ 615 em lojas físicas credenciadas.

Para acessar as condições especiais, o paciente deve estar cadastrado no programa NovoDia e realizar a compra diretamente nas lojas das redes credenciadas.

Quando a semaglutida chega ao SUS?

A possível chegada da semaglutida ao SUS ainda depende de alguns fatores, principalmente preço. Mas, com o fim da patente e a expectativa de queda nos valores, esse debate ganha força.

O Ministério da Saúde informou à VEJA SAÚDE que, visando a futura produção nacional de medicamentos, solicitou à Anvisa prioridade no registro de produtos que simulam o hormônio GLP-1 (classe da semaglutida).

Para a pasta, com a entrada de novos medicamentos genéricos, a expectativa é de que os preços caiam de forma significativa. “Esse é um fator determinante para a análise da possível incorporação de uma nova tecnologia ao SUS”, completa, em nota.

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No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer desfavorável à incorporação dos princípios ativos semaglutida e liraglutida (que já tem mercado nacional), considerando, entre outras razões, o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões anuais

Esse valor representa quase o dobro do orçamento da Farmácia Popular em 2025”, diz a pasta.

Com a possível redução de preços, esse cenário pode mudar. O próprio ministério estima que a concorrência pode levar a uma queda média de cerca de 30% nos valores, o que pode reabrir a discussão sobre a viabilidade de oferta desses medicamentos no sistema público.

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Fonte.:Saúde Abril

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