10:48 PM
4 de agosto de 2026

Fé e práticas religiosas aumentam a resistência à dor e fortalecem vínculos sociais

Fé e práticas religiosas aumentam a resistência à dor e fortalecem vínculos sociais

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Pesquisa realizada no Brasil e no Reino Unido mostrou como os rituais religiosos liberam substâncias químicas que atuam na percepção da dor. Publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, em junho deste ano, o estudo apresenta um resultado que mescla fatores psicológicos e físicos. Os pesquisadores acompanharam cristãos de várias denominações em 24 locais do Reino Unido e, no Brasil, estiveram com praticantes da umbanda.

Os resultados revelaram que, logo após os rituais religiosos, os participantes apresentaram um aumento significativo do limiar da dor. Para medir esse efeito, os pesquisadores utilizaram uma braçadeira de pressão arterial, inflada gradualmente em intervalos de 10 mmHg. Os participantes indicavam o momento em que a pressão se tornava intensa o suficiente para que não desejassem aumentá-la mais. Quanto maior a pressão suportada antes dessa interrupção, maior era o limiar da dor.

Esse fenômeno, de acordo com os pesquisadores, é explicado pela Teoria do Cérebro Opioide do Apego Social. Comportamentos sincronizados comuns em rituais religiosos, como cantar juntos, orações e preces em uníssono, levantar-se ao mesmo tempo e compartilhar crenças, estimulam a liberação de “opioides mu”, como a beta-endorfina.

Os receptores opioides mu formam a principal estrutura do sistema nervoso responsável pelo alívio da dor. Eles funcionam como analgésico natural do corpo, diminuindo a percepção de dor e promovendo a coesão social em larga escala.