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22 de março de 2026

Justiça condena 2 presos pela morte de Vitor Medrado em SP – 22/03/2026 – Cotidiano

Justiça condena 2 presos pela morte de Vitor Medrado em SP – 22/03/2026 – Cotidiano

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A 30ª Vara Criminal de São Paulo condenou, na última sexta-feira (20), dois homens denunciados pela morte do ciclista Vitor Medrado perto do Parque do Povo, no Itaim Bibi, zona oeste paulistana. O crime ocorreu na manhã de 13 de fevereiro de 2025.

Ainda cabe recurso da decisão.

O instrutor de ciclismo foi baleado antes mesmo de entender o que estava acontecendo. Uma câmera de segurança mostrou que a abordagem de Jeferson de Souza Jesus e Erik Benedito Veríssimo, que estavam em uma motocicleta, durou poucos segundos.

Na decisão, o juiz Marcus Alexandre Manhães Bastos ressaltou que o crime, praticado com crueldade e por motivo fútil para facilitar a ação criminosa, revela a elevada reprovabilidade e justifica o maior rigor na pena.

“O vídeo revela contexto em que, provavelmente, sequer anunciaram assalto. É muito rápido o movimento de aproximação e a queda do acusado, que, aparentemente, sequer levanta os olhos do celular para mirá-los. Sua cabeça permanece abaixada. Eles se aproximaram e simplesmente efetuaram o disparo para em seguida, sem nenhum risco de oposição ou resistência, pegar seu celular”, observou.

Segundo a sentença, um dos réus foi condenado a 28 anos de prisão. O outro recebeu pena de 22 anos, 2 meses e 20 dias por confessar o crime. Ambos já estão presos e cumprirão pena em regime inicial fechado.

Eles também foram condenados a pagar R$ 200 mil cada um à viúva da vítima, por danos morais.

O magistrado destacou que os acusados demonstraram personalidade dissociada dos valores mínimos de convivência, evidenciada pelo desrespeito à vida da vítima e ao sofrimento dos familiares.

“Poucas vezes vi tamanha incapacidade de sentir respeito à vida humana como neste caso, em que aos acusados pouco importava a morte de alguém”, escreveu, acrescentando que a subtração do celular extrapola o prejuízo material, por implicar violação da intimidade e perda de lembranças de uma vida.

O CASO

Segundo a denúncia do Ministério Público à Justiça, Jeferson e Erik se uniram com a finalidade de praticar roubo na região de Pinheiros, que fica próxima do Itaim Bibi, e saíram juntos em uma moto Yamaha Fazer 250 azul.

Ao passarem pelo local, afirma a Promotoria, os dois vislumbraram a vítima na beira da calçada sentada sobre uma bicicleta e manuseando o celular.

“Imediatamente retornaram na contramão e foram em direção à vítima. Aproximaram-se e Erik [que estava na garupa] desembarcou da motocicleta conduzida por Jeferson e empunhando arma de fogo calibre .38, engatilhada, com o dedo no gatilho, anunciou o assalto apontando a arma em direção à vítima”, diz a denúncia.

No momento em que foi atingido por um tiro no pescoço, Medrado esperava uma aluna para o treino em uma calçada do Parque do Povo. Com a cabeça baixa de olho na tela do celular, em cima da bicicleta, ele não percebeu a chegada da dupla de ladrões que se aproximou de moto.

“Concomitante, e antes de qualquer reação da vítima, Erik efetuou disparo de arma de fogo em direção ao pescoço da vítima, que tombou no chão, derrubando o aparelho celular que trazia em mãos. Erik, então, pegou o aparelho do chão, montou na garupa da motocicleta e partiram em fuga”, completa o texto.

O ciclista foi socorrido ainda na calçada por um médico que também treinava no parque e fez as manobras de reanimação até a chegada dos paramédicos. Ele foi levado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu ao ferimento e morreu.

Medrado participava de provas de ciclismo de velocidade e começou a pedalar em campeonatos de mountain bike ainda em Minas Gerais, antes de se mudar para a capital paulista e abrir a assessoria de ciclismo.

A morte dele gerou forte comoção e um protesto contra a falta de segurança foi organizado pelos ciclistas.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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