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16 de abril de 2026

Chapada dos Veadeiros é uma ótima opção para ir de moto – 15/04/2026 – Turismo

Chapada dos Veadeiros é uma ótima opção para ir de moto – 15/04/2026 – Turismo

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Aventureiros natos, os motociclistas preferem viajar sob duas rodas porque, dizem, o para-brisa não permite sentir o vento soprar no rosto. Por isso, em vez de entrar num avião, escolhi percorrer os quase 900 km entre São Paulo e a Chapada dos Veadeiros de moto.

Patrimônio da Unesco e, desde 2019, administrado por uma concessão, o parque nacional fica 250 km ao norte de Brasília e se estende por cinco municípios: Alto Paraíso de Goiás (que inclui a Vila de São Jorge), Cavalcante, Nova Roma, Teresina de Goiás, São João d’ Aliança e Colinas do Sul. No total são mais de 2.000 cachoeiras catalogadas, entre poços, piscinas naturais, e quedas d’água, para banho ou contemplação.

Além dos motociclistas e do pessoal que curte a natureza, a galera do turismo místico é bem presente por lá, atraída pela abundância de aflorações de cristal de quartzo e pelo Paralelo 14 S —uma linha imaginária que circunda o planeta Terra a 14 graus ao sul da Linha do Equador, passando por ali e por Machu Picchu.

Com apenas uma semana de viagem, foi preciso planejar cada período do dia para aproveitar ao máximo, mesmo com pouca bagagem. A ideia era percorrer 880 km no primeiro dia, partindo de Vinhedo, (SP).

Ainda à noite, abastecemos as motos (uma Honda X-ADV 750 e uma Suzuki V-Strom 600, do meu amigo Heraldo) às 6h da manhã e partimos. Com parada para o almoço em Uberlândia (MG), seguimos até Cristalina (GO) para pernoitar. No dia seguinte, faltavam 460 km para chegar a São Jorge, incluindo uma parada para almoçar em São João d’Aliança (GO).

Já na rodovia GO-239, que percorre os 36 km finais entre Alto de Paraíso de Goiás e São Jorge, o asfalto rasga os famosos paredões da chapada dando um spoiler do que vem a seguir. Nesse trajeto, aliás, vale uma parada no mirante do Jardim de Maytrea, planície com vegetação típica do cerrado.

Na mesma rodovia, placas indicam cachoeiras abertas visitação, como a cachoeira do Segredo (8 km de terra), a Cachoeira do Cordovil (6 km de terra) e o Vale da Lua (4 km de terra), com corredeiras que passam formações cinzentas que têm um apecto lunar. A maioria fica dentro de propriedades privadas, que cobram em média R$ 25 pelo acesso.

A chegada a São Jorge já no final da tarde nos impediu de visitar o parque nacional nesse primeiro dia, pois a entrada só é permitida até o meio-dia.

O jeito foi aproveitar a viagem para comprar ingressos para o dia seguinte (R$ 47, com meia entrada para estudantes e idosos), incluindo uma van (R$ 35 na ida e R$ 45 na volta, por pessoa, pagos com antecedência) que faz o trajeto entre a entrada do parque e as trilhas que dão acesso às cachoeiras.

Enquanto isso, aproveitamos para conhecer a vila, com pouco mais de 20 ruas. No ano passado, o lugar recebeu pavimentação ecológica e um sistema de abastecimento de água, o que livrou os moradores e turistas da poeira, da lama e dos buracos —mais seguro para andar de moto e convidativo para o turismo.

O novo calçamento incentiva os visitantes a percorrer as ruazinhas a pé, explorando padarias para tomar café da manhã (o que as pousadas não oferecem) e restaurantes e barzinhos com música ao vivo para relaxar à noite.

Uma boa opção de jantar é a Pizzaria Canela D’Ema-ET, conhecida como Bar do ET, que expõe várias motos e também uma coleção de objetos antigos pendurados por todos os lados. Por isso, é parada obrigatória não só dos apreciadores de duas rodas mas dos nostálgicos. E se tiver adesivo de motoclube, fique ainda mais à vontade para colar.

No dia seguinte, enfim, era hora de conhecer o parque. A entrada de carro ou moto é proibida, é claro, e o estacionamento é pago (R$ 15 para o dia todo). É possível deixar os veículos no centro da vila e andar 1 km em estrada de terra. Mas ir motorizado é uma boa pedida principalmente para a hora da volta, quando bate aquele cansaço depois da diversão.

O parque oferece três opções de trilha: azul, vermelha e a amarela —esta última foi a nossa escolha. São 11 km ida e volta com nível de dificuldade moderado superior, percorridos em seis ou sete horas, dependendo do tempo de permanência nas cachoeiras. Ela dá acesso aos dois saltos do rio Preto, de 80 e 120 m de altura, com opção de banho no primeiro.

É bom levar água potável, calçado confortável e protetor solar. Na volta, um quiosque vende bebidas geladas e guloseimas ainda na trilha. E na entrada do parque há uma lanchonete mais estruturada, com lanches prontos, loja de souvenir, bebedouros, banheiros e wi-fi. Há ainda uma área para quem quiser acampar.

As trilhas são autoguiadas, o que dá ao visitante a liberdade de caminhar, dentro das áreas permitidas, em seu próprio ritmo e com segurança, já que as trilhas são bem demarcadas e sinalizadas. Na época seca (de maio a outubro), o volume das cachoeiras é menor, o que também diminui as chances de acidentes com trombas d’água. Os incêndios, por outro lado, são mais frequentes.

Ao final de um dia, é revigorante voltar à aconchegante vila para jantar, observar as estrelas, visitar a Capela de São Jorge e perambular recordando tanto as trilhas sinuosas quanto as estradas de longas retas que percorremos nos últimos dias.

Alguns turistas hospedados em outras localidades da região sentiram o aconchego, dizendo que, numa próxima vez, ficarão mais dias em São Jorge. É uma boa mesmo.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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