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19 de abril de 2026

Roma: Villa Torlonia entrega muito mais do que o bunker de Mussolini

Roma: Villa Torlonia entrega muito mais do que o bunker de Mussolini

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Em Roma, é comum encontrar atrações com histórias que atravessam milênios e se entrelaçam de maneiras muitas vezes impensáveis. Ao norte da zona central da cidade, a Villa Torlonia é um desses lugares: seu subsolo guarda catacumbas usadas por judeus na Roma Antiga; seus prédios remetem à nobreza italiana do século 19; e, em outra parte do complexo, novamente escavando sob a terra, é possível visitar até mesmo o bunker que Benito Mussolini pretendia usar para se defender das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Fora dos caminhos mais batidos pela capital italiana, a Villa Torlonia – que, entre diversos usos, foi a casa do próprio Mussolini por 18 anos, no auge do poder fascista – reúne uma série de museus que buscam revisitar a longa história da área. Com tempo, pode render até um passeio de dia inteiro: além do interesse histórico, os jardins palacianos garantem um espaço verde e agradável para dar uma caminhada entre uma visita e outra.

Conheça mais sobre a Torlonia e alguns destaques da visita:

História do lugar

A área começou a ganhar sua forma atual no começo do século 19, quando títulos nobiliárquicos eram corriqueiros numa Itália que ainda não tinha se unificado: o banqueiro Giovanni Torlonia, cuja família administrava nada menos que as finanças do Vaticano, decidiu adquirir a villa (até então conhecida como Colonna) e inaugurar um palácio para marcar sua nova fase – ele havia se tornado marquês de Romavecchia e Turrita e príncipe de Civitellia Cesi.

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Fachada do teatro existente dentro da villa (Gunnar Klack/Wikimedia Commons)

Com a supervisão do arquiteto Giuseppe Valadier, estruturas que já existiam foram ampliadas e ganharam adornos rebuscados, enquanto outras áreas – como estábulos e a entrada do complexo – foram inteiramente erguidas do zero. Prezando pela simetria, Valadier construiu “avenidas” dentro da villa e encomendou esculturas e outras obras de arte para dar um aspecto ainda mais grandioso à propriedade.

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Os Torlonia seguiram investindo pesado nas décadas seguintes: após a morte de Giovanni em 1832, o filho dele, Alessandro, contratou diferentes arquitetos para construir “templos” dedicados a deuses pagãos, um anfiteatro, um teatro, uma torre e até um par de obeliscos dedicados aos pais.

Relação com Mussolini

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Um dos jardins internos da Villa Torlonia, com obelisco dedicado ao criador do espaço (Jean-Pierre Dalbéra/Wikimedia Commons)

A Villa Torlonia seguiu como residência da rica família de nobres até as primeiras décadas do século 20, quando os rumos políticos da Itália mudaram a história da propriedade: em 1925, buscando consolidar as boas relações com o regime que se instaurava, um dos príncipes herdeiros da casa ofereceu a villa para Benito Mussolini, que havia se tornado o primeiro-ministro três anos mais cedo.

Para enfatizar a simpatia pelo nascente governo fascista, a tradição conta que os Torlonia alugaram o complexo pelo valor simbólico de uma lira por ano.

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O Duce e sua família viveram na villa pelos 18 anos seguintes, durante todo o período de ascensão, consolidação e posterior declínio da ditadura. Mussolini mudou pouca coisa na parte visível da propriedade, mas há um legado significativo de sua passagem por lá: um bunker antiaéreo subterrâneo, cuja construção começou em dezembro de 1942, apenas seis meses antes do líder fascista se ver obrigado a abandonar o espaço, com as obras ainda inacabadas.

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Restaurado, bunker de Mussolini se tornou museu imersivo que abriu em 2024 (Musei di Villa Torlonia/Divulgação)

Conforme o regime ia colapsando, também a história da Villa Torlonia mudou de novo. Em 1944, de forma simbólica, tropas aliadas a converteram em uma base de operações. Ali ficaram pelos três anos seguintes, inclusive após o final da guerra. Quando os soldados americanos e britânicos se retiraram, a propriedade passaria mais 30 anos abandonada, até ser adquirida pelo governo de Roma em 1977, abrindo para visitação no ano seguinte.

O que ver e como visitar

Uma visita pela Villa Torlonia é uma chance de conhecer elementos de vários momentos da história italiana em um só lugar. A propriedade por si só é testemunha da opulência dos nobres italianos em um período-chave da história do país: o século 19, quando a nação estava se unificando, inicialmente, sob um sistema ainda monarquista.

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Estruturas visitáveis que se destacam incluem o Teatro da Villa Torlonia, parcialmente destruído na Segunda Guerra e finalmente reinaugurado em 2013, que hoje recebe até eventos pontuais. Também vale a pena conhecer a Serra Moresca, uma das estruturas mais ambiciosas da villa, cuja arquitetura é inspirada na Alhambra, e conta com vitrais impressionantes.

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Vitrais da Serra Moresca (Musei di Villa Torlonia/Divulgação)

Recentemente, o bunker de Mussolini também entrou no roteiro de lugares que podem ser visitados: em 2024, uma restauração foi concluída e rendeu um museu próprio sobre o uso da Villa Torlonia durante o regime fascista, além de proporcionar uma experiência imersiva (com explosões, sirenes e até vibrações no chão) de como seria estar ali dentro durante um bombardeio das forças aliadas.

Há ainda lugares que não foram abertos para visitação geral, mas que também mobilizam o imaginário de quem visita a Torlonia. Um deles é muito mais antigo que a própria villa: escavações na região do estábulo revelaram que essa parte da cidade já abrigou uma catacumba judaica na Roma Antiga – há ossadas dos séculos 2 a 5 d.C. No entanto, o risco de desabamento e os esforços de conservação de antigos afrescos subterrâneos ainda não permitem a visita turística: o acesso é liberado pontualmente para grupos de pesquisadores.

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A maioria dos outros espaços, porém, pode ser acessada como parte do complexo museológico conhecido como Musei di Villa Torlonia.

Serviço

A Villa Torlonia fica na Via Nomentana, número 70, com a bilheteria no Casino Nobile. Abre de terça-feira a domingo, das 9h às 19h. Os ingressos custam a partir de € 8, mas o valor varia conforme a área que se deseja acessar (a visita ao bunker, por exemplo, sai por € 12. Alguns espaços da villa, como a Serra Moresca, também fecham em parte do ano. Confira as informações detalhadas antes da visita, no site oficial.

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Fonte.:Viagen

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