A capital mexicana é como uma irmã norte-americana de São Paulo —grande, caótica e viva. Seus quase 1.500 km² de extensão e o trânsito constante indicam que visitar a CDMX (sigla pela qual a cidade é conhecida) requer planejamento.
O ideal é dar preferência para atrações próximas umas das outras, reservar passeios e restaurantes com antecedência e aceitar que não será possível conhecer tudo o que a cidade tem a oferecer. Mas, em três dias bem organizados, dá pra sacar a essência da vibrante capital. História, culinária e festa são algumas palavras-chave para guiar sua viagem.
Pela segurança e pelas opções de entretenimento, vale se hospedar nos bairros vizinhos Roma Norte ou La Condesa. Mas, independente da localização, o transporte público da cidade funciona bem. Engloba ônibus, teleférico, trens e metrô em um único sistema, cuja passagem custa 5 pesos mexicanos (cerca de R$ 1,50), paga sempre com a Tarjeta de Movilidad Integrada, vendida nas estações por 15 pesos (R$ 4,30).
Dia 1
A Cidade do México é famosa por ser uma das metrópoles com mais museus do mundo —são mais de 170. Portanto, vale começar a conhecê-la visitando dois deles, que ficam dentro do parque Chapultepec, o principal do local. Lá existe um castelo homônimo que no passado já hospedou imperadores e presidentes mexicanos. As varandas permitem vislumbrar o parque e diferentes partes da cidade, e a sala de vitrais é um lindo cenário para tirar algumas fotos. O ingresso custa 210 pesos (cerca de R$ 60).
Andando mais um pouco pelo parque chega-se ao Museu Nacional de Antropologia, sem dúvida o mais imperdível da capital mexicana. As 23 salas que apresentam os povos formadores do México e também falam da evolução humana poderiam ocupar um dia inteiro, então vale reservar pelo menos duas horas para o passeio. Os ingressos podem ser comprados na porta, também por 210 pesos (R$ 60). Perto dali fica o centro histórico da cidade. Na praça Zócalo, o centro cívico local, ficam o Palacio de Bellas Artes e a Catedral Metropolitana, ambos separados por uma curta caminhada.
Para fechar a noite com os ânimos bastante aflorados vale conferir a tradicional Lucha Libre que acontece todas as noites de terças, sextas e domingos na Arena México, conhecida como a Catedral da Lucha Libre. A luta é cênica (como um telecatch), mas a emoção da plateia é real. Gritos de “sí se puede” e “fuera” contagiam até os espectadores mais novatos no mundo das lutas.
Durante o show não é preciso levantar para consumir, já que palomitas (pipocas), salgadinhos e bebidas são vendidas por ambulantes. Os ingressos (90 pesos, ou R$ 25) devem ser comprados com antecedência no site da Ticketmaster. A seção laranja permite uma visão melhor das lutas e dos telões, enquanto as fileiras da frente nas sessões azul e verde são melhores para quem quer interagir com os lutadores
Dia 2
50 km do centro da Cidade do México, há um passeio imperdível mesmo em um roteiro como este, mais curto. São as Pirâmides de Teotihuacán, um sítio arqueológico que guarda as famosas pirâmides do Sol e da Lua. Reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco, elas permitem ver a realidade da história contada no Museu de Antropologia.
É possível chegar de transporte público, Uber ou de excursão. Essa última opção, oferecida por todas as agências, é mais indicada porque inclui guia, transporte de ida e volta e até passeio de balão por um preço fixo, em diferentes opções de horários e duração.
É um passeio impressionante, mas também extenuante. No verão ou na primavera, prepare-se para um calorão seco. Leve água e vá com sapatos e roupas que facilitem a escalada até o primeiro patamar da Pirâmide da Lua.
Na volta, dê uma voltinha pelas ruas arborizadas de Roma Norte e La Condesa, cheias de ventanitas (cafés para viagem vendidos em janelinhas), churrerias e taquerias populares (destaque para a Taquería Orinoco, que serve comida típica simples e deliciosa). Há também lojas bastante originais de designers mexicanos e latino-americanos. A Mooni Art Gallery e a Originario vendem objetos que são verdadeiras obras de arte, enquanto a Rumor Store é ao mesmo tempo loja de roupas e cafeteria trendy.
A região também garante uma noite divertida. O Mama Rumba é um clube de salsa onde estrangeiros e locais se tiram para dançar. Entre a música ao vivo e o movimento na pista, vale bebericar drinques de tequila ou mezcal, muitos servidos com pimenta. Por ali não é preciso saber dançar, mas é indicado. A pista começa a encher às 22h30 e depois disso já fica mais difícil entrar no clube.
O Mama Rumba fica na rua Querétaro, um dos points das noites mexicanas (mais movimentadas mesmo às sextas e sábados). O lugar é um destino certo porque tem, na mesma quadra, uma infinidade de outras baladas, bares dançantes e restaurantes.
Dia 3
Um pouco mais distante do centro fica o Museu Frida Kahlo. A casa azul habitada por Frida e sua família, e depois também pelo seu marido, Diego Rivera, pode ser visitada sob uma reserva disputadíssima. Os ingressos de 320 pesos (cerca de R$ 91) podem ser adquiridos no site oficial do museu e costumam esgotar com uma semana de antecedência.
Dentro da casa podem ser vistos originais de Frida, fotos de sua vida e objetos que ela usou —incluindo a famosa cama com espelho que lhe permitiu pintar muitos de seus autorretratos. O museu fica no bairro de Coyoacán, ao sul da cidade.
Saindo dali vale caminhar até o Mercado 89 Coyoacán, mercadão que vende doces, flores e souvenirs extremamente coloridos. Barganhar é permitido, mas nem sempre dá resultado. Por ali, sentar em qualquer uma das mesas amarelas já garante uma boa refeição.
Mais ao sul do bairro, a praça Jardín Hidalgo é um ponto querido por locais. Para os turistas vale ir para observar os mexicanos, escutar os curiosos músicos locais e provar as iguarias de rua. São diversos carrinhos que vendem quitutes como os dorilocos (Doritos incrementados com pimentas e ingredientes à sua escolha), elotes (milhos em espiga ou em copo) e manga com pimenta.
Para finalizar vale se jogar nas festas únicas do Xochimilco. O bairro inundado (conhecido como Veneza mexicana) tem um sistema de canais construído pelos maias, por onde sobem e descem os barcos chamados trajineras.
Percorrer os canais pode levar de duas a três horas. Como em Teotihuacán, é indicado buscar uma excursão com antecedência (valores variam de R$ 200 até R$ 1.000). Se preferir escolher a trajinera por lá, há duas opções: ou alugar um barco inteiro para seu grupo ou comprar assentos em um deles.
A maioria das excursões inclui comida e bebidas ilimitadas, além de guias que são mais como animadores de festa. Esbarrar em outros barcos faz parte do passeio. Pelas águas, locais vendem comidas e mariachis oferecendo músicas típicas em troca de uma gorjeta (ali chamada de propina).
Fonte.:Folha de S.Paulo


