11:17 AM
9 de maio de 2026

Entre a maternidade e o queijo premiado: mães do Nortão transformam tradição em reconhecimento nacional | ASN Mato Grosso

Entre a maternidade e o queijo premiado: mães do Nortão transformam tradição em reconhecimento nacional | ASN Mato Grosso

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Neste Dia das Mães, comemorado no domingo (10.05), histórias que nascem dentro de casa ganham destaque nacional no campo mato-grossense. Entre a rotina da maternidade, os cuidados com a família e o trabalho na propriedade rural, duas produtoras do Nortão transformaram tradição e dedicação em reconhecimento no 4º Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. Patrícia Roberta de Oliveira Assis, de Paranaíta, e Maristela Rodrigues Cupertino, de Nova Canaã do Norte, conquistaram medalha de ouro e hoje representam a força do empreendedorismo feminino no agro.

O protagonismo delas reflete uma realidade cada vez mais presente em Mato Grosso. Segundo pesquisa do Sebrae/MT (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso), as mulheres já representam 41% dos empreendedores no estado, e mais de 68% das empreendedoras têm filhos. O levantamento também aponta que equilibrar trabalho e vida pessoal ainda está entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres nos negócios.

A produtora Patrícia coleciona premiações na queijaria artesanal. Após medalhas conquistadas em 2024 em concursos estaduais e nacionais, recebeu ouro no 4º Mundial do Queijo do Brasil, em 2026, com o queijo Sesame.

Foi dentro da rotina familiar que nasceram os produtos premiados. Mineira e criada entre histórias sobre queijo contada pela avó, Patrícia chegou a Mato Grosso em 2011. A produção começou de forma simples, com o aproveitando do leite da propriedade da família. O que surgiu como uma tentativa de aumentar a renda virou negócio, cresceu e hoje abastece mercados em Paranaíta, Nova Bandeirantes e Alta Floresta.

Ao lado do marido, Rodrigo, e dos quatro filhos, ela administra a produção da agroindústria familiar, onde cada integrante exerce uma função. O queijo “Sesame”, premiado com ouro no Mundial, nasceu de uma brincadeira em família envolvendo gergelim e se tornou um dos produtos mais procurados da marca.

“Eu nunca imaginei que um queijo que nasceu de uma brincadeira chegaria tão longe. Hoje vejo que todo esforço valeu a pena”, conta Patrícia.

A rotina, segundo ela, é intensa. Além da produção dos derivados do leite, Patrícia também atua na igreja e administra uma loja de roupas na cidade. Mesmo assim, afirma que o maior orgulho está em ver os filhos participarem do negócio. “O prêmio não é só meu. É da minha família inteira”, resume.

Mãe e filho juntos na produção

A produtora Maristela soma três premiações na queijaria artesanal: ouro e bronze no estadual de 2024 e medalha de ouro no 4º Mundial do Queijo do Brasil, em 2026.

Em Nova Canaã do Norte, a história de Maristela Rodrigues Cupertino também começou dentro da família. Mineira, ela aprendeu desde pequena a admirar a produção artesanal feita pelos avós e pela mãe. Já em Mato Grosso, passou a fabricar queijos para complementar a renda familiar.

O primeiro parceiro na produção foi o filho mais velho, que tinha 8 anos. “Eu perguntava se ele ajudava a mãe a tirar leite para fazer queijo. E foi assim que começamos”, relembra.

Hoje, Maristela produz queijos utilizando leite de vaca, búfala e cabra na propriedade onde vive com o esposo e os três filhos e netos. O “Queijo Baguete Defumado”, medalha de ouro no Mundial, colocou o nome da produtora entre os destaques da queijaria artesanal brasileira.

Ela conta que o reconhecimento trouxe visibilidade ao trabalho e valorização aos produtos, mas afirma que o mais importante continua sendo o carinho dos clientes. “É gratificante quando alguém prova e fala que o produto está maravilhoso. Isso não tem preço”, diz.

Mesmo com as premiações, as duas produtoras mantêm a essência artesanal da produção e a participação ativa da família em cada etapa do processo.

Para Maristela, o empreendedorismo feminino passa pela capacidade de não desistir diante das dificuldades. “Nunca foi fácil. Mas a gente aprende que precisa colocar a mão na massa e seguir em frente”, afirma.

Neste Dia das Mães, as histórias das duas produtoras mostram que, no Nortão, o cuidado que começa dentro de casa também pode ganhar o mundo — em forma de queijo premiado.





Fonte Agencia Sebrae

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