10:28 AM
15 de maio de 2026

Cabernet franc: a nova uva ‘trendy’ dos vinhos

Cabernet franc: a nova uva ‘trendy’ dos vinhos

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Se você ainda associa a cabernet franc a um papel secundário nos cortes de Bordeaux, é hora de atualizar o repertório. A uva deixou de ser coadjuvante para assumir o protagonismo — e hoje é, sem exagero, uma das mais “trendy” do mundo do vinho. Curiosamente, essa ascensão tem gosto de reencontro.

Talvez pouca gente se lembre, mas a cabernet franc já foi a principal uva tinta do Brasil. Até os anos 1970, ela estava na base de muitos dos melhores tintos nacionais — líquidos que, quando bem conservados, ainda hoje podem surpreender pela elegância e tipicidade.

Seu declínio veio por uma combinação de fatores. De um lado, problemas agronômicos, especialmente a disseminação de fungos e viroses na videira. De outro, uma virada de mercado: a ascensão da cabernet sauvignon, mais estruturada, mais internacional e mais fácil de vender.

Ela passou então a carregar o estigma de uva excessivamente herbácea. E, de fato, em condições de maturação incompleta, seus traços vegetais podem dominar. Mas com as mudanças climáticas do planeta, a discussão deixou de ser apenas maturar e passou a ser como preservar a vivacidade.

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Uva em alta: de coadjuvante a protagonista em novos rótulos (Freepik/Reprodução/Divulgação)
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Uvas mais opulentas, como a merlot, podem facilmente ultrapassar o ponto, gerando vinhos alcoólicos e pesados. A cabernet franc, por manter boa acidez, tornou-se uma aliada preciosa. Além disso, o leve aumento de temperatura em muitas regiões ajudou a “domar” seu lado verde: hoje, encontramos versões mais maduras, equilibradas e aromáticas, sem perder identidade.

Esse novo momento também conversa com uma mudança de gosto. Em tempos de busca por leveza, precisão e digestibilidade, a cabernet franc entrega exatamente isso. Menos alcoólica e menos tânica que a cabernet sauvignon, privilegia a finesse em vez da força. Seus aromas — ervas recém-colhidas, grafite, frutas vermelhas, por vezes notas florais — dialogam com uma cozinha contemporânea mais leve, mais vegetal, menos marcada por excesso de gordura ou madeira.

No mapa, ela brilha em diferentes latitudes. No Vale do Loire, segue como referência de pureza e frescor. Na Argentina, especialmente em Mendoza, ganhou mais corpo sem perder elegância. E no Brasil — da Serra Gaúcha à Campanha Gaúcha — vive um renascimento, com rótulos cada vez mais precisos e gastronômicos. Há ainda um componente cultural. O consumidor atual está mais curioso, menos preso a rótulos consagrados e mais aberto à descoberta. A cabernet franc se encaixa perfeitamente nesse espírito: é clássica, mas não óbvia; é sofisticada, mas sem afetação.

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No fundo, seu sucesso diz muito sobre o momento do vinho. Menos potência, mais nuance. Menos madeira, mais fruta. Menos discurso, mais prazer. A cabernet franc não é apenas a queridinha do momento. É a prova de que o vinho — como tudo que é vivo — evolui, se adapta e, às vezes, volta melhor do que nunca.

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Cabernet franc: sugestão de rótulos (Reprodução/Divulgação)

Limited Edition Cabernet Franc 2023

Da vinícola Pérez Cruz, 100% cabernet franc da região de Maipo Andes, no Chile, com catorze meses em barricas de carvalho francês. Vermelho rubi. Aromas de frutas vermelhas e negras, com especiarias, baunilha, tostados e leve herbáceo. Paladar de médio-bom corpo, com taninos macios e acidez equilibrada. R$ 129,29, na Wine.

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Isonzo Del Friuli Cabernet Franc 2021

Da vinícola Borgo Conventi, elaborado no norte da Itália. Um cabernet franc sem madeira. Rubi escuro. Aroma de frutas negras e vermelhas, com nota herbal típica da casta. Paladar de médio corpo, macio, com taninos e acidez de estrutura média. 13% de álcool. R$ 259,90, na Grand Cru.

Publicado em VEJA São Paulo de 15 de maio de 2026, edição nº 2995.

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Fonte.: Veja SP Abril

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