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16 de maio de 2026

Everest tem opções de luxo que custam até US$ 1 milhão – 16/05/2026 – Turismo

Everest tem opções de luxo que custam até US$ 1 milhão – 16/05/2026 – Turismo

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Na madrugada desta terça-feira (13), foram finalmente instaladas as últimas cordas que permitem o acesso (um pouco) mais seguro ao cume do monte Everest, a 8.848 metros de altitude, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. A abertura oficial da janela de acesso ao topo do mundo, assim, foi liberada graças ao trabalho de uma equipe de 14 sherpas que chegaram lá, após três semanas de atrasos, dúvidas e ameaças de enormes blocos de gelo ao longo da rota. Um alívio e tanto para quem pagou até US$ 1 milhão (ou R$ 5 milhões no câmbio desta terça) para testar seus pulmões rumo à zona da morte.

Para quem não está familiarizado com o mundo das montanhas: sherpas são membros da etnia predominante na região do Himalaia, logo adaptada às altitudes extremas, os principais —mas não os únicos— a trabalharem na implantação da infraestrutura que permite a escalada ao cume do mundo. E os crampons aí acima no título são os equipamentos de pontas afiadas que, adaptados às botas, permitem caminhar pelo gelo.

É bom ressaltar que já vai longe o tempo em que se via montanhistas que conseguiam alcançar o cume do Everest quase como superseres acima do comum dos mortais. Nos últimos anos, um número cada vez maior de escaladores tem congestionado os acessos ao ponto mais alto do planeta, movidos a novas tecnologias, equipamentos, treinamentos físicos específicos e, claro, o trabalho de uma multidão de trabalhadores de altitude que garantem a instalação de cordas e escadas para a ascensão segura (ou quase isso) aos píncaros instagramáveis do teto do mundo. Tudo isso, vale dizer, cada vez mais caro.

A Folha pediu a um veterano do Everest, o cinegrafista mineiro Murilo Vargas, que fizesse um levantamento dos preços em vigor nesta temporada rumo ao cume. Ele, a poucas horas de sair para sua própria jornada rumo aos 8.848 metros, que vai culminar em um documentário sobre a vida dos trabalhadores de alta montanha, não se fez de rogado.

“A maioria das pessoas que vem ao Everest paga entre US$ 35.000 e US$ 75.000”, contou ele de dentro da tenda refeitório instalada no Acampamento Base, a 5.364 metros de altitude. Esses valores equivaliam a R$ 175.000 e R$ 375.000 respectivamente e incluíam a autorização do governo nepalês para a tentativa do cume, que este ano subiu 36% em relação a 2025, a R$ 15.000 (R$ 75.000). “Mas há muitos que pagam US$ 200.000 e até US$ 1.000.000”, destacou —algo entre R$ 1.000.000 e R$ 5.000.000.

Mas o que leva a essa diferença se, no final das contas, todo mundo vai estar encolhido em barracas e sujeito a temperaturas vários níveis abaixo de zero, arriscando-se a perder extremidades por congelamento?

Bom, para começar, Vargas explica que há barracas e barracas. Para os menos abonados (tá, modo de dizer), as barracas geralmente preveem que o cidadão vai dormir no seu saco de dormir sobre um isolante, no chão protegido pelo piso da tenda e mais uma camada isolante embaixo de tudo. A turma do andar de cima conta com camas elevadas acima do chão, aquecedores dentro de cada espaço, banheiro privativo e direito a barracas individuais mesmo nos campos mais altos ao longo da rota.

Além das barracas diferenciadas, a elite da zona da morte também pode contar com chefs renomados para preparar refeições sofisticadas, enquanto a maioria vai contar com cozinheiros locais e pratos normais da culinária nepalesa, na melhor das hipóteses.

A maior parte dos escaladores segue com um sherpa que vai carregar até 25 quilos de sua bagagem mais pesada, incluindo 6 cilindros de oxigênio (US$ 500 ou R$ 2.500 cada, aos preços do acampamento-base), dos quais um vai junto com o escalador, outro atende à necessidade do próprio sherpa e os outros são back-up, porque acima dos 8.000 metros de altitude o ar é extremamente rarefeito —é o que se chama de zona da morte, por literalmente “matar” a pessoa aos poucos. Mas muita gente acaba precisando apelar para os cilindros muito antes disso, à medida que sobe.

“No ano passado”, conta Vargas, “um grupo de ingleses com alto poder aquisitivo, liderados por uma agência premium, inovou tecnologicamente ao utilizar gás xenônio, equipamentos de hipoxia e alto uso de cilindros de oxigênio, realizando a ascensão da montanha em apenas sete dias a partir da saída de Londres, e a um custo anunciado da ordem de US$ 1.000.000”. A título de comparação, o processo de aclimatação para quem chega sem toda essa traquitana, pode levar semanas e o ataque ao cume não raro exige mais de um mês até o organismo aceitar ser submetido à tortura da altitude extrema.

“Esses ingleses foram monitorados desde a contratação da viagem, treinando com os equipamentos de hipoxia, que simulam o ar rarefeito durante o treino, e o gás xenônio, que permite melhor ventilação”, explica Vargas que, neste ano, também fez o seu condicionamento aqui no Brasil com o equipamento de hipóxia. “Faz muita diferença, mesmo”, garante.

A turma VIP do Everest também pode contar com dois sherpas particulares para acompanhar toda a sua jornada, fornecimento ilimitado de oxigênio e deslocamento e resgate de helicópteros incluso caso a empreitada acabe parecendo demais. Um luxo considerável lembrando que um voo de 3 a 5 minutos do campo 2 até o acampamento-base, conta Vargas, custa US$ 5.000 (R$ 25.000) para o comum dos mortais se não for emergência incluída no seguro obrigatório (que sai por cerca de US$ 1.000 ou R$ 5.000).

“Mas aí vale lembrar que resgate de helicóptero, no Everest, só pode ser feito até o acampamento 2, a cerca de 6.500 metros de altitude”, ressalta Vargas. Acima disso, nos campos 3 e 4, respectivamente a 7.400 e 7.900 metros de altitude, os aparelhos não têm sustentação no ar rarefeito, o que impede que cheguem até lá. Não é à toa que a montanha guarda tantos corpos de pessoas que sucumbiram a seu desafio e não são resgatados —sim, estima-se que entre 200 e 300 montanhistas que perderam a vida estejam congelados por suas encostas mais altas, até porque dificilmente alguém consegue carregar algo além de seu próprio peso montanha abaixo, por mais que tenha desembolsado para chegar lá. O Everest não está nem aí para sua conta bancária.

O Everest na ponta do lápis

Passagem aérea – entre US$ 2.000 e US$ 15.000 dependendo da classe e origem até Karmandu

Equipamentos essenciais para clima e altitude extremos – entre US$ 10.000 e US$ 15.000

Licença para tentar acesso ao cume – US$ 15.000 (sem devolução em caso de desistência ou acidente)

Taxa ambiental e para a SPCC Cascata Khumbu, responsável pela instalação dos acessos – US$ 700

Seguros de viagem e resgate – entre US$ 1.000 e US$ 2.000

Licença para operar drone – pode chegar a US$ 10.000

Bônus sherpa – entre US$ 1.800 e US$ 2.000

Bônus cozinha e equipe – entre US$ 400 e US$ 500

Expedição com suporte de sherpa – entre US$ 35.000 e US$ 55.000, você assume mais riscos, é para quem tem experiência para tomar decisões em ambiente extremo

Expedição com guias de expedição internacionais – entre US$ 50.000 e US$ 120.000, ideal para iniciantes, nos valores mais altos pode incluir suporte completo e guia ao lado do escalador

Expedições com mordomias diferenciadas – entre US$ 200.000 e US$ 1.000.000, oferecem luxos como camas elevadas, banheiro privativo, uso ilimitado de oxigênio, evacuação incluída (até o campo 2) mesmo sem urgência médica ou acidente



Fonte.:Folha de S.Paulo

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