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18 de maio de 2026

Cultivo de plantas reduz estresse; veja benefícios – 18/05/2026 – Equilíbrio

Cultivo de plantas reduz estresse; veja benefícios – 18/05/2026 – Equilíbrio

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No ritmo agitado das cidades grandes como São Paulo e Brasília, moradores têm buscado no cultivo de plantas uma janela para a socialização e bem-estar sem foco em consumismo. Organizados nas redes sociais, os praticantes do passatempo compartilham informações e mudas com quem se dispuser a buscar, além de recomendar viveiros urbanos e hortas comunitárias que doam sementes e exemplares ou ensinam o plantio adequado.

A chamada “quiet life”, tendência que valoriza uma vida tranquila, é um dos fatores que mais atraem pessoas que querem manter contato com a terra e com o verde. Além de decorar a casa, os adeptos cultivam amizades.

Docente do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, a psicóloga Andréia De Conto Garbin diz que o contato com plantas e o ato de cultivar podem assumir caráter terapêutico. Além de favorecer a valorização da natureza, o hábito contribui para tornar os espaços domésticos e comunitários mais acolhedores.

“Tais processos repercutem positivamente na saúde mental ao promoverem experiências de convivência, pertencimento e troca de conhecimentos”, afirma Garbin.

Outra vantagem é o estímulo à convivência intergeracional, criação e fortalecimento de vínculos sociais, bem como processos educativos e de ampliação de saberes, completa a professora.

No espaço virtual, o que começa com reduzir o custo da aquisição a zero logo se torna um motivo para encontros e compartilhamento de dúvidas e conquistas. Os participantes trocam espécies difíceis de achar, plantas medicinais e até as alimentícias não convencionais, as chamadas PANCs.

No TikTok, o perfil “O Plantástico Mundo de Rose” anuncia que consegue encher de plantas a casa de quem participar dos encontros de trocas de mudas em Brasília. “Pensa num negócio que vale a pena… É trocar mudinhas. Nesses encontros, trocamos plantas, experiências e fazemos amizades”, relata uma usuária em sua rede.

Na comunidade “Doação de plantas, troca de mudas, parceria sobre vendas”, que tem 728,9 mil inscritos no Facebook, o engajamentos nos posts é alto. “Tenho mudas de babosa e também de ipê rosa para doar. Estão em São Paulo, bairro da Lapa”, escreve uma participante que recebeu 56 comentários.

O fórum é usado para procurar sementes e mudas e também para troca de informações sobre identificação e plantio.

Hortas comunitárias

A plataforma “Sampa + Rural”, da Prefeitura de São Paulo, mostra que a capital paulista dispõe de 1.890 hortas urbanas e hortas em equipamentos públicos ativas. É o caso da Horta das Flores, iniciada em 2004, na Mooca.

“Praticamente todos os dias o pessoal liga pedindo muda”, conta o publicitário José Luiz Fazzio, 62, gestor da Horta das Flores e presidente da Associação Verditude de São Paulo. O local tem produção de mudas para educação ambiental e pesquisa científica, mas costuma tirar dúvidas e fazer degustações para os participantes dos projetos desenvolvidos.

Fazzio diz que, além de estudantes de biologia e agronomia, o espaço é muito procurado por idosos e pessoas em busca de um lugar tranquilo, alguns com indicação médica para ajudar a superar quadros de depressão.

“A maioria dos voluntários diz que ali é bom para relaxar. É um espaço bem bonito e, mesmo ao lado da avenida Radial Leste, a horta, como tem muitas árvores, dá uma filtrada”, diz o gestor, que tem horta em casa e começou a plantar devido ao gosto por culinária e temperos frescos.

Sobre as trocas online, Fazzio recomenda atenção, sobretudo com as comestíveis. “As plantas, principalmente PANCs, são muito parecidas entre si. A taioba, por exemplo, tem uns tipos que são venenosos —uma que é roxa embaixo da folha e no caule. São detalhes pequenos, e é muito perigoso”, afirma.

Na Horta das Marias, criada há 14 anos no Jardim Lapena, na zona leste de São Paulo, o verde tem contribuído para a saúde mental da população com aumento da renda e possibilidade de convívio.

“Comecei a plantar hortaliças e fui pedindo para que as pessoas não jogassem mais lixo ali, que em troca levaria chá. O chá alimenta e foi se tornando uma educação ambiental que eu nem sabia que era”, afirma a agricultora Maria Edilene, 39, fundadora do Coletivo das Marias, responsável pelo espaço.

Edilene diz que é comum pessoas entrarem em contato com a horta por meio das redes sociais pedindo muda e acabarem comprando quando descobrem que o local promove empreendedorismo social, com preços mais atrativos. No local, há mudas a partir de R$ 1.

O coletivo promove ainda oficinas com idosos. “Cada um planta um chá, e eles trocam as mudas entre eles, para que todos tenham uma farmácia viva em casa, mesmo que seja pequena”, diz a agricultora.

Nas redes, elas tiram dúvidas e ensinam a cultivar em casa, deixando sempre a porta aberta para quem quer conhecer o local. “Muitas [participantes] só querem sentar e observar o verde, falam que ali é uma terapia, que voltam para casa de cabeça mais leve, vazia, com os sentimentos mais ordenados. Isso para nós é motivo de orgulho”, afirma Edilene.

Pesquisas internacionais recentes confirmam que o contato com verde tem efeitos fisiológicos e neurológicos mensuráveis. Garbin lembra que o estímulo à integração do ser humano com o ambiente e a vida em comunidade são parte das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) preconizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O relatório Lancet Countdown on Health and Climate Change (2025) indica que há correlação direta entre o índice de vegetação e a redução da mortalidade, visto que os espaços verdes urbanos reduzem a exposição ao calor extremo e contribuem para práticas que beneficiam a saúde física e mental.

Em Harvard, nos EUA, uma revisão de literatura comprovou ainda que o contato com espaços verdes e florestas reduz os níveis de cortisol, o chamado “hormônio do estresse”.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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