Em Nova Veneza, no sul de Santa Catarina, o dialeto vêneto ainda aparece nas conversas de família e uma embarcação chegada da Itália em 2006 ocupa o centro da cidade. A 215 km de Florianópolis, a cidade nasceu em 1891 com a chegada de cerca de 400 famílias vindas do norte da Itália.
Como uma vila do sul de Santa Catarina virou pedacinho da Itália?
A história começa em 1891, quando imigrantes da região do Vêneto fundaram a Colônia Nuova Venezia. Eles vieram fugindo da miséria europeia e encontraram um vale cercado de Mata Atlântica e pedras, onde plantaram parreiras e ergueram casarões inspirados na arquitetura italiana, segundo o Portal Municipal de Turismo de Nova Veneza.
Mais de 130 anos depois, a herança não se diluiu. Cerca de 95% dos moradores descendem dos pioneiros italianos, conforme o relator do projeto de lei que reconheceu a cidade, registro do Senado Federal. O italiano é ensinado nas escolas municipais e o vêneto sobrevive entre os mais velhos.
O centro da cidade ganhou um cartão-postal raro em 2006. A Gôndola Lucille, embarcação 100% artesanal feita em um estaleiro com mais de 700 anos, foi doada pela província de Veneza e instalada num lago artificial na Praça Humberto Bortoluzzi. É uma das únicas quatro gôndolas oficiais doadas pelo governo veneziano fora da Itália, ao lado das que estão em Toronto, São Petersburgo e Pequim.

Quais reconhecimentos nacionais e internacionais a cidade carrega?
O selo mais robusto veio do Congresso. A Lei Federal nº 13.678, sancionada em 13 de junho de 2018, conferiu a Nova Veneza o título de Capital Nacional da Gastronomia Típica Italiana. A norma reconhece a tradição mantida pelos descendentes do Vêneto.
O patrimônio construído também ganhou status federal. As Casas de Pedra da Família Bratti, erguidas em 1891 pelo imigrante Luigi Bratti, foram inscritas nos Livros do Tombo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em setembro de 2015, dentro do projeto Roteiros Nacionais de Imigração. O conjunto é considerado o único da América Latina construído inteiramente em pedra e barro pelos colonos italianos.
O laço internacional vai além da gôndola. A Igreja Matriz São Marcos, de 1912, tem sinos e relógio importados de Turim e uma escultura em bronze do Leão de São Marcos doada pelo Vêneto. O pórtico de entrada da cidade ostenta outro Leão de bronze de cerca de 400 kg vindo da mesma região italiana.
O que fazer e onde comer na Itália Brasileira?
A pequena Nova Veneza concentra atrações em poucas quadras, o que facilita o passeio a pé. Entre os pontos turísticos imperdíveis, destacam-se:
- Gôndola Lucille: a embarcação veneziana original flutua no lago artificial da Praça Humberto Bortoluzzi, com visitação gratuita.
- Casas de Pedra Nono Luigi Bratti: três construções de 1891 erguidas em pedra e barro, abertas para visitação aos sábados, domingos e feriados.
- Museu do Imigrante Cônego Miguel Giacca: instalado no casarão mais antigo do município, construído em 1895, conta a história da colonização.
- Igreja Matriz São Marcos: erguida em 1912, com pinturas no teto feitas pelo artista italiano Pedro Cechetto.
- Pórtico de Entrada: marco em pedra basalto com o Leão de São Marcos em bronze, símbolo de boas-vindas à cidade.
- Rua Coberta e Ponte dei Morosi: a primeira é uma extensão coberta da praça principal, a segunda é a passarela dos cadeados de amor sobre o Rio Mãe Luzia.
A mesa é o motivo número um do título federal. Os restaurantes da cidade servem receitas trazidas pelas famílias do Vêneto e adaptadas ao terroir catarinense. Veja a seguir os pratos mais procurados:
- Polenta: protagonista das festas locais, servida cremosa, frita ou acompanhando galetos e carnes.
- Galeto: frango jovem assado lentamente em espeto, herança direta dos colonos vênetos.
- Massas artesanais: do nhoque ao espaguete à carbonara, feitas em casa nos restaurantes tradicionais.
- Fortaia: omelete grossa de queijo e salame típica da cozinha vêneta, servida em fatias.
- Vinho colonial: produzido na Vinícola Borgo e na Casa Savoia, herdeiras das parreiras plantadas pelos imigrantes.
Quem busca mergulhar na cultura e gastronomia italiana sem sair do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Beatriz Fontana, que conta com mais de 9.800 visualizações, onde Beatriz Fontana mostra um roteiro de um dia com os encantos de Nova Veneza, Santa Catarina:
Quando é a melhor época para visitar Nova Veneza?
O clima subtropical do sul catarinense divide o ano entre verões quentes e invernos secos e frios. A tabela abaixo resume o ritmo das estações na Itália Brasileira:
20°C a 30°C
Os dias são quentes e úmidos na Itália Brasileira. Aproveite para fazer agradáveis passeios pela Praça Humberto Bortoluzzi e pela charmosa Rua Coberta.
☔ CHUVA ALTA
16°C a 26°C
As temperaturas caem e trazem dias muito agradáveis na serra. Janela de transição fantástica para focar na história local, com visitas às Casas de Pedra e museus.
🌤️ CHUVA MÉDIA
9°C a 21°C
O auge absoluto da cultura luso-italiana com tempo seco! Agasalhe-se bem e desfrute da famosa Festa da Gastronomia Típica Italiana e do tradicional Carnevale di Venezia.
⭐ CARNEVALE DI VENEZIA
14°C a 26°C
A natureza se renova enquanto os termômetros voltam a subir. Excelente época indicada para realizar um farto roteiro pelas vinícolas e fazer belas trilhas na Serra Geral.
🌸 CHUVA MÉDIA
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Nova Veneza pela região sul de Santa Catarina?
A cidade fica a cerca de 215 km de Florianópolis e a 18 km do centro de Criciúma, o polo metropolitano da região. O acesso principal é pela BR-101, com entrada por Içara, Criciúma ou Forquilhinha.
Para quem chega de avião, o Aeroporto Regional Humberto Bortoluzzi, em Jaguaruna, fica a cerca de 70 km da cidade. De Porto Alegre são pouco menos de 300 km pela mesma BR-101, viagem que se faz em pouco mais de três horas em condições normais.
Leia também: A 2ª maior cidade de Minas é também a 3ª melhor do Brasil em qualidade de vida entre os grandes municípios
Vá conhecer a vila italiana do sul catarinense
Nova Veneza reúne herança vêneta, patrimônio reconhecido pelo IPHAN e uma cozinha que ganhou título federal. É um destino pequeno em quilômetros e enorme em identidade.
Você precisa atravessar o pórtico do Leão de São Marcos e provar uma polenta na Capital Nacional da Gastronomia Típica Italiana.
Fonte. MG.Superesportes


