12:41 PM
26 de maio de 2026

Uma em cada quatro mulheres sofre com depressão pós-aborto

Uma em cada quatro mulheres sofre com depressão pós-aborto

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Um estudo publicado no fim de 2025 no International Journal of Women’s Health Care mediu a prevalência e a intensidade dos casos de sofrimento emocional pós-aborto. O objetivo era compreender se esses sintomas diminuem ou persistem com o passar dos anos. Para isso, um grupo de mulheres entre 41 e 45 anos participou da pesquisa, liderada pelo padre Donald Paul Sullins, da Universidade Católica da América e do Instituto Ruth.

No total, o estudo contou com mil mulheres residentes nos Estados Unidos. Deste grupo inicial, a amostra analítica foi composta por 226 mulheres que relataram ter passado por pelo menos um aborto ao longo da vida. Analisando o histórico dos últimos 20 anos desse grupo, Sullins observou que o tempo não diminuiu o sofrimento pós-aborto. Do contrário, ele persistiu por décadas.

Entre as respostas obtidas pelo pesquisador nesse grupo, 44,8% das mulheres disseram ter lidado com um tipo de sofrimento emocional relacionado ao procedimento, sendo 20,7% de nível moderado e 24,1% de nível alto. Também 31,2% mencionaram ter sentimentos frequentes de perda, luto ou tristeza, enquanto 24,6% relataram ter pensamentos, sonhos ou flashbacks frequentes sobre o aborto.

Baseado nessas informações, Sullins concluiu que embora grande parte das mulheres que induziram o aborto não se sinta perturbada com a decisão, há uma parcela significativa que permanece angustiada. O estudo mostra que, em 2022, estimava-se que 14 milhões de mulheres nos EUA sofriam de estresse pós-aborto.

Segundo Sullins, na conclusão do estudo, “são necessárias pesquisas para melhor compreender os fatores de risco para o sofrimento emocional a longo prazo após um aborto e para desenvolver intervenções terapêuticas eficazes. As mulheres que consideram fazer um aborto devem ser informadas sobre a possibilidade de vivenciarem sofrimento emocional persistente”.

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A superação da depressão pós-aborto

A paraibana Zezé Luz, missionária católica, orientadora familiar e fundadora da Rede Colaborativa Brasil, é um caso que ilustra com clareza o sofrimento pós-aborto. Ela conta que engravidou após sofrer uma violência na juventude. Sem o amparo de pessoas que valorizassem a vida na época, decidiu abortar e, como consequência psicológica, viveu em depressão dos 19 aos 33 anos, entregou-se ao alcoolismo e manteve relacionamentos passageiros.

Alguns anos mais tarde, Zezé teve uma filha e, passados cinco anos do nascimento da criança, ela descobriu um endometrioma que, segundo o médico que a atendia, havia sido causado por restos daquele primeiro bebê que foi abortado. “Foi retirado um pedaço de carne viva dentro de mim e o médico disse que aquilo não era normal. Tratava-se dos restos do bebê que eu havia abortado. Era a sequela do aborto que eu tinha feito porque naquele procedimento o meu endométrio foi perfurado e eu não sabia disso”, contou ela ao Sempre Família, em 2016.

Em outubro de 2014, após passar pelo Crisma e conhecer as pastorais e movimentos da Igreja Católica, ela foi chamada para participar do lançamento da Comissão Arquidiocesana de Defesa da Vida do Rio de Janeiro. “Foi aí que entendi que aquela era uma oportunidade de reparação que eu estava recebendo, compreendendo a gravidade do que vivi, da depressão e das consequências da prática do aborto provocado”, lembra ela em conversa recente com a Gazeta do Povo, ao explicar que foi ali que tomou consciência de que poderia ajudar outras mulheres a não passarem pelo mesmo que ela.

Nas palestras e acolhimentos a mulheres que faz hoje, Zezé atesta o que Sullins observou em seu estudo, sobre o sofrimento emocional. “Há situações em que se passaram 10, 20, 30 e até 50 anos, casos de pessoas já idosas, que tiveram um aborto provocado e ainda hoje se lembram e sentem a perda. A grande maioria diz que, se tivesse conhecido a verdade no passado, não teria desistido dos seus filhos e se deixado persuadir”.

Para Zezé, esses são sofrimentos da alma que precisam ser ressignificados. E ela afirma isso baseada em sua experiência e no que aprendeu no Projeto Esperança, que nasceu no Chile em 1988 e foi trazido ao Brasil em 2009.

O programa oferece acompanhamento para o luto por um filho não nascido, em casos de aborto espontâneo ou provocado, e ajuda mulheres a superar as sequelas pós-aborto. “Sou da primeira turma deste projeto e ele fez toda a diferença na minha recuperação, mesmo eu já atuando nessa área. Foi importante para minha reconciliação com Deus e com minha filha não nascida”, recorda-se.

“É preciso tratar o tema com seriedade e foco na dignidade da mulher. A partir do momento em que deixa de haver comunicação e orientação sobre o que é o aborto e passam a ser criadas políticas públicas que incentivam o ato, o Brasil comete um crime contra as mulheres”, finaliza.



Fonte. Gazeta do Povo

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