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2 de junho de 2026

Israel mantém ataques no Líbano apesar de nova trégua – 02/06/2026 – Mundo

Israel mantém ataques no Líbano apesar de nova trégua – 02/06/2026 – Mundo

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Um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma nova trégua no Líbano, Israel manteve os ataques no sul do país. Segundo o Ministério da Saúde libanês, bombardeios mataram 4 pessoas e feriram outras 127, entre eles 39 funcionários de uma unidade de saúde, na cidade de Tiro.

O anúncio da trégua, portanto, teve pouco efeito prático sobre a evolução do conflito que já dura três meses. Em Beirute, o sobrevoo constante de drones israelenses manteve moradores em estado de alerta. No sul do país, ataques aéreos e bombardeios de artilharia atingiram uma série de cidades e vilarejos. O Exército israelense chegou a ordenar o esvaziamento da cidade de Nabatiyeh antes de novos ataques.

Embora o Hezbollah não tenha anunciado operações militares nesta terça, as Forças Armadas israelenses afirmaram ter interceptado dois projéteis lançados do Líbano em direção a Israel durante a madrugada. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, reforçou o tom das ameaças ao dizer que, caso as comunidades israelenses próximas à fronteira continuassem sendo atacadas, os subúrbios ao sul de Beirute também voltariam a ser alvo de bombardeios.

A incerteza tem impactado a população civil. Faten Al Chehime, moradora dos subúrbios ao sul da capital libanesa, disse que precisou abandonar sua casa novamente após os alertas emitidos por Israel na segunda. Ela havia retornado ao local apenas duas semanas antes.

“Cada vez que voltamos para nossas casas, recebemos um novo aviso para sermos deslocados novamente”, disse, em um abrigo para pessoas deslocadas em Beirute, à agência de notícias Reuters.

Segundo autoridades libanesas, mais de 1,2 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas residências desde o início da guerra. O conflito começou em 2 de março, quando o Hezbollah passou a atacar Israel em apoio ao Irã. Nos primeiros meses dos confrontos, Israel bombardeou intensamente Dahiyeh, região considerada um dos principais redutos do grupo xiita na capital. Desde que Trump anunciou um cessar-fogo para o Líbano em abril, apenas dois ataques haviam sido registrados na área.

Mas a tensão voltou a aumentar na segunda, quando Netanyahu ordenou novos ataques contra os arredores de Beirute. A imprensa estatal iraniana informou que, em resposta, Teerã suspendeu negociações indiretas com Washington devido às ofensivas. Militares iranianos também advertiram moradores do norte de Israel para deixarem suas casas caso os ataques contra a capital libanesa fossem retomados.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou ter comunicado ao presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que o Irã poderá abandonar não apenas a via diplomática, mas partir para um confronto direto caso a ofensiva israelense continue. A declaração aumentou ainda mais o temor de uma ampliação regional do conflito.

Diante desse cenário, houve intensa movimentação diplomática. Trump afirmou na segunda que havia pedido a Netanyahu que cancelasse uma grande operação militar em Beirute e afirmou que o Hezbollah, por meio de intermediários, teria se comprometido a não atacar Israel.

Enquanto isso, o governo libanês informou que pretende discutir em Washington, nesta quarta-feira, uma ampliação do frágil cessar-fogo. As conversas fazem parte de uma série de encontros presenciais entre representantes de Beirute e autoridades israelenses, apesar da oposição do Hezbollah, favorável à continuação do conflito.

Youssef al-Zein, chefe do escritório de imprensa do grupo, afirmou que a organização não pretende se posicionar oficialmente sobre os entendimentos anunciados na segunda sem uma declaração formal que obrigue Israel a encerrar completamente as hostilidades em todo o território libanês.

Segundo ele, o Hezbollah permanece desconfiado devido ao histórico recente. Zein disse que Israel continuou fazendo9 ataques após a trégua de 2024, que encerrou a guerra anterior entre as partes, e também após o cessar-fogo anunciado por Trump em abril deste ano. Por isso, acrescentou, o grupo acompanhará atentamente os próximos acontecimentos tanto no campo militar quanto nas negociações diplomáticas.

Enquanto as tratativas avançam lentamente, os confrontos continuam fazendo vítimas. De acordo com as autoridades libanesas, mais de 3.400 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início da guerra. Israel, por sua vez, afirma que as ações do Hezbollah já causaram a morte de 26 soldados e quatro civis israelenses no mesmo período.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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