O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Aluisio Segurado, afirmou que a greve estudantil que já ultrapassa um mês está próxima do fim devido à perda de mobilização do movimento e ao atendimento de parte significativa das reivindicações apresentadas pelos alunos. Segundo ele, a paralisação não representa a maioria dos estudantes e possui um forte componente político.
Atualmente, segundo o reitor, 19 unidades da USP ainda mantêm algum nível de paralisação, enquanto outras 24 já retomaram suas atividades. O encerramento da greve em faculdades tradicionais, como Direito, Medicina e Escola Politécnica, é apontado por ele como um indicativo de que outras unidades poderão seguir o mesmo caminho nos próximos dias.
“Eu acho que a greve está acabando. Sinceramente, sinto que ela está perdendo força, a capacidade de mobilização. Ela vai perdendo robustez à medida que um conjunto maior de estudantes se manifesta de que é hora de voltar”, afirmou em entrevista ao Estadão publicada na noite desta segunda-feira (1º).
Aluisio Segurado atribuiu ao movimento uma motivação política direcionada ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), em um período de disputa eleitoral. Em meio à mobilização, o político criticou a greve afirmando que “estudante tinha que estudar”, mas depois voltou atrás e afirmou que as reivindicações por melhorias no programa de permanência dos alunos vulneráveis eram justas.
O reitor rebateu críticas de que a administração da universidade não estaria aberta ao diálogo e afirmou que diversas reivindicações foram atendidas ao longo das negociações. Entre as medidas citadas estão o reajuste do auxílio estudantil para R$ 912, melhorias no sistema de transporte, criação de grupos de trabalho para reforma das moradias estudantis, implantação de uma cozinha industrial para o bandejão e a criação de uma nova modalidade de bolsa para estudantes do primeiro ano.
“O reitor Aluísio foi tachado como servil ao governador. E não sou, eu tenho as minhas convicções próprias. Eu sirvo à Universidade de São Paulo, estou aqui há 51 anos”, disparou.
Ainda de acordo com ele a combinação dos benefícios poderá elevar o valor recebido por alguns alunos para até R$ 1.600 mensais. “São coisas que talvez a gente não conseguisse terminar na minha gestão. A gente puxou o turbo e acelerou”, afirmou.
Para Aluisio Segurado, a paralisação não conta com apoio majoritário entre os estudantes da universidade, e que há um “forte assédio” que supostamente hostiliza estudantes que têm uma opinião divergente do grupo que tomou para si a liderança do movimento.
“O que estava acontecendo era uma greve declarada, mas não uma greve de fato. As lideranças do movimento traziam estudantes de outras unidades, com batuques, entraram nas salas de aula para tirar os alunos”, pontuou.
Apesar de lamentar as cenas da ação policial que retirou estudantes que ocupavam o prédio da reitoria no início do mês, Segurado também criticou atitudes adotadas por integrantes do movimento durante o período de protestos. Segundo ele, houve episódios de violência praticados por ambos os lados do conflito.
Com a retomada gradual das atividades, a universidade já trabalha na reorganização do calendário acadêmico. O reitor informou que cada unidade terá um plano próprio de reposição, mas reconheceu que será impossível recuperar integralmente todas as atividades perdidas durante o período de paralisação, com aulas avançando pelo período das férias de julho para minimizar os impactos da greve.
Fonte. Gazeta do Povo



