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4 de junho de 2026

Villa La Angostura é alternativa ao agito de Bariloche – 03/06/2026 – Turismo

Villa La Angostura é alternativa ao agito de Bariloche – 03/06/2026 – Turismo

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Basta o inverno ameaçar dar as caras para que muitos brasileiros comecem a desembarcar em Bariloche, talvez o destino de inverno mais famoso da América do Sul. A partir da semana que vem, o aeroporto da cidade já começa a receber voos sazonais diretos que partem não só de Guarulhos, mas também de Viracopos (SP), Confins (MG) e Porto Alegre (RS).

Até o fim da temporada, em meados de agosto, a cidade espera receber 65 mil turistas brasileiros. A maioria dessa multidão fica em Bariloche, que é a principal base para conhecer a região sul da província de Nequén. Mas pertinho dali, a apenas uma hora e vinte minutos de carro, fica a cidadezinha de Villa La Angostura. Com apenas 11 mil habitantes, o lugar construiu uma identidade própria baseada na tranquilidade e no luxo, bem diferente da agitação da vizinha mais famosa.

O trajeto até lá é emoldurado por montanhas. Ora a vegetação é rasteira, ora as araucárias dividem o terreno com pequenos arbustos pontiagudos — paisagem que rendeu à cidade o apelido de Jardim da Patagônia.

O frio domina a região de junho a setembro, mas a neve mais intensa concentra-se entre julho e agosto. Nesses meses, as camadas brancas de gelo formam o cartão-postal que atrai os brasileiros.

Quem visita o lugar no inverno tem no Cerro Bayo a principal estação de esqui da cidade, com pistas para todos os níveis e serviço de aluguel de roupas e equipamentos para esportes na neve. Passeios a cavalo completam as opções para quem prefere a montanha sem as descidas.

Mas à noite, enquanto Bariloche aposta em festas, baladas e outras atrações do tipo, o turismo de Angostura, por outro lado, investe em acomodações cinco estrelas e restaurantes que buscam espaço no guia Michelin.

Pratos de massas e carnes se sobressaem na culinária local, mas vale pedir um chá depois da refeição e aproveitar os chocolates caseiros com recheio de frutas.

As cartas de vinho oferecem rótulos produzidos na província de Mendoza. “Mas vocês precisam provar o Pinot Noir de Neuquén [nome da província]. Não perdem para nenhum outro”, disse Diana Moschini, gerente do hotel Correntoso, que fica à beira do lago Nahuel Huapi, homônimo ao parque nacional onde a região está inserida.

Em uma enseada a alguns quilômetros dali, o hotel Las Balsas, frequentado por celebridades argentinas, é outra boa opção de hospedagem. O estabelecimento oferece pacotes com passeios de barco e spa, mantendo casais em lua de mel e famílias em férias de inverno confortáveis sem sair do estabelecimento.

A partir da Villa, uma estrada de cascalho de cerca de 30 km leva até Villa Traful, aldeia de menos de 600 habitantes, também dentro do parque nacional. Ali, o principal é a quietude ao redor do lago Traful. Suas águas frias e cristalinas escondem, a 30 metros de profundidade, uma floresta de ciprestes intacta. É que as instabilidades geológicas da região submergiram parte do Cerro Bayo, criando o fenômeno. Dá vontade de voltar no verão só para mergulhar e ver de perto.

Os grandes lagos da Patagônia argentina, nos arredores da La Angostura, são os principais atrativos para quem visita a região. As paisagens da Rota dos Sete Lagos, que conecta a cidadezinha à vizinha San Martín de los Andes, atrai caravanas ao longo de toda a estrada.

Por ali, montanhas e rios convivem com a arquitetura de influência europeia e com a tradição indígena mapuche. O povo habitou a região antes da colonização espanhola e segue como referência cultural na região, visível nos artesanatos, na culinária e nos nomes das ruas e acidentes geográficos.

Essa mescla está bem representada nas obras do escultor Alejandro Santana, no Parque Vía Christi, em Junín de Los Andes, a cerca de 140 km de Villa La Angostura. Lá fica a escultura Cristo Luz, talhada em uma montanha com 57 metros de comprimento —quase 20 metros a mais que o Cristo Redentor, incluindo o pedestal.

É possível circular entre todos esses pontos de carro, é verdade. Mas especialmente em dias de neve, é melhor investir na contratação de um serviço de transporte acostumado a trafegar em estradas congeladas. Na região, é obrigatório ter correntes nos veículos para dar tração nos pneus, mas contar com a experiência de um motorista garante a liberdade para aproveitar a paisagem da estrada.

  O jornalista viajou a convite do NeuquenTur



Fonte.:Folha de S.Paulo

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