
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) manifestou pública insatisfação com a direção de seu partido nesta terça-feira (23). Ela denuncia o descumprimento de acordos internos e aponta desigualdade na distribuição de recursos voltados às campanhas eleitorais de 2026.
Qual é a principal reclamação da deputada Erika Hilton?
Erika Hilton afirma estar decepcionada com a cúpula do PSOL por receber menos apoio estrutural e financeiro do que Manuela D’Ávila, que acabou de se filiar à legenda, no ano passado. Hilton argumenta que, “como uma mulher negra e travesti” no maior estado do país, necessita de uma logística robusta e segurança reforçada, mas sente que suas necessidades estão sendo ignoradas pela burocracia partidária.
O que ela quer dizer com privilégio branco e cis?
A parlamentar utilizou esses termos para criticar o que considera uma prioridade desproporcional dada a candidatos brancos e que se identificam com o gênero biológico (cis), como Manuela D’Ávila e Juliano Medeiros. Para ela, essa escolha ignoraria acordos prévios e cálculos eleitorais sérios, asfixiando lideranças que estão na linha de frente e que representam grupos minoritários.
Por que o PSOL está investindo tanto em Manuela D’Ávila?
Manuela é vista pela legenda como uma peça-chave para a estratégia de crescimento no Parlamento em 2027. O partido não possui um senador há mais de dez anos e pretende investir pesado para garantir essa cadeira. A disputa interna ocorre justamente pelo controle do fundo eleitoral, o dinheiro público destinado às campanhas, que é limitado e gera conflitos entre as diferentes correntes da sigla.
Como a cláusula de barreira afeta essa disputa interna?
A cláusula de barreira é uma regra que exige um desempenho mínimo de votos para que um partido continue recebendo dinheiro do fundo partidário e tenha tempo de TV. Erika Hilton destaca que permaneceu no PSOL justamente para ajudar a sigla a superar esse obstáculo e eleger bancadas fortes, mas exige que o partido cumpra sua palavra em relação ao suporte prometido.
Existem outros parlamentares insatisfeitos com a situação?
Sim, a deputada mencionou que o problema não é exclusivo de sua candidatura. Segundo Hilton, outras lideranças populares como Renata Souza e Rick Azevedo, no Rio de Janeiro, além de Carlos Giannazi, em São Paulo, enfrentariam dificuldades semelhantes. Ela alega que a direção nacional teria desmontado políticas de inclusão que garantiam repasses justos para mulheres, negros e pessoas com deficiência.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte. Gazeta do Povo


