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Segundo a presidente interina, Delcy Rodríguez, 2.980 feridos foram registrados até o momento, após os tremores que atingiram o país na quarta-feira (24/06).
Entre as vítimas estão dois brasileiros, segundo o Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty informou que presta assistência consular às famílias e não divulgará dados pessoais das vítimas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado com autoridades venezuelanas e anunciou o envio, nesta sexta-feira (26/5), de uma missão humanitária com bombeiros, técnicos da Defesa Civil e da Anatel, além de nove toneladas de equipamentos de resgate.
“Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”, afirmou o presidente brasileiro no X (antigo Twitter).
O governo venezuelano estima que cerca de 250 edifícios tenham sido danificados e mais de 70 mil famílias afetadas. As cidades de Caraballeda e Catia La Mar concentram a maior parte dos danos.
O número de desaparecidos ainda é incerto. Mais de 36.000 pessoas foram registradas como desaparecidas em um site chamado “Pessoas Desaparecidas Terremoto Venezuela”. Das 36.376 listadas, 2.316 foram posteriormente encontradas.
Esses números, contudo, podem não ser precisos, já que dependem de que as pessoas que procuram ativamente seus familiares confirmem posteriormente se eles foram encontrados com vida e em segurança.
O primeiro tremor de magnitude 7,2 na escala Richter atingiu a região da costa central do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
O terremoto ocorreu às 18h04 no horário local e teve seu epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.
Apenas 39 segundos depois, o USGS registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5. O epicentro foi localizado próximo ao município de Yumare, um pouco mais ao norte do epicentro inicial.
Delcy Rodríguez, disse que os Estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón foram afetados pelos terremotos e por mais de 20 tremores secundários.
Diante da situação, foi decretado estado de emergência. Rodríguez mencionou “graves consequências” e manifestou solidariedade às famílias que possam ter perdido entes queridos.
A presidente do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários autorizou o envio de todas as equipes da ONU de busca e resgate urbano para oferecer apoio logístico e outras formas de assistência a outras equipes que estão chegando.
Envio de ajuda humanitária
Diversos países anunciaram envio de ajuda humanitária à Venezuela após os terremotos que atingiram o país e deixaram centenas de mortos e milhares de feridos. As ações envolvem equipes de resgate, insumos médicos e apoio financeiro internacional.
Delcy Rodríguez confirmou que a Venezuela espera receber equipes de resgate dos Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar ao longo desta quinta e agradeceu aos governos estrangeiros pela solidariedade.
“Estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar”, disse ela.
Durante a noite, o Departamento de Estado americano anunciou a destinação de US$ 150 milhões em ajuda humanitária.
Desse total, US$ 50 milhões serão distribuídos por meio de organizações internacionais que atuam no país, como World Vision, Samaritan’s Purse, Catholic Relief Services, International Medical Corps, Organização Internacional para as Migrações e o Programa Mundial de Alimentos.
Os outros US$ 100 milhões serão direcionados a um fundo administrado pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários.
Mais cedo, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que conversou com Rodríguez e prometeu que a resposta dos EUA aos terremotos na Venezuela será “grande, rápida e eficaz”.
Rubio acrescentou que a Venezuela precisará de muita ajuda nas buscas em prédios que desabaram e afirmou que o Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, principal terminal aéreo que atende à região de Caracas, que foi gravemente destruído e está fechado.
O México enviou um contingente de 261 profissionais de busca e resgate, incluindo médicos, enfermeiros, militares e especialistas em desastres. A equipe também conta com 18 binômios caninos treinados para localizar vítimas em estruturas colapsadas, além de toneladas de equipamentos, insumos médicos e ferramentas. O país ainda prevê o envio de aeronaves adicionais com medicamentos e materiais de salvamento.
Já El Salvador mobilizou cerca de 300 especialistas em resgate e paramédicos altamente treinados, além do envio de aproximadamente 50 toneladas de medicamentos, suprimentos médicos e itens de primeira necessidade. Segundo o governo salvadorenho, os profissionais possuem experiência em operações de busca, resgate em estruturas colapsadas e atendimento em desastres de grande escala.
O governo da Alemanha afirmou que está pronto para enviar seis aeronaves militares para auxiliar nos esforços de socorro. A Suíça enviará 80 socorristas, oito cães de resgate e 18 toneladas de equipamentos.
A Holanda também anunciou que destinará 2 milhões de euros para enviar uma equipe de resgate à Venezuela. Espanha e França também se ofereceram para enviar equipes de resgate.
As ações internacionais se somam ao esforço de países da região para apoiar a Venezuela no atendimento às vítimas e na resposta à destruição causada pelos tremores.

Tremores foram sentidos no Brasil
O governo brasileiro expressou pesar pelas perdas causadas pelos terremotos.
“O Brasil manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja uma rápida recuperação aos feridos”, disse o Itamaraty, em nota. Os brasileiros afetados devem entrar em contato com a embaixada brasileira pelo telefone +58 414-3723337.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter instruído o Ministério das Relações Exteriores para que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência a serem adotadas pelo governo brasileiro.
“Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, escreveu Lula nas redes sociais.
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O prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), afirmou que prédios chegaram a ser esvaziados em algumas áreas da capital paraense como precaução, mas não houve danos ou vítimas.
“Seguimos monitorando a situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança da população”, acrescentou.
Em seu pronunciamento, Delcy Rodríguez agradeceu a líderes de diversos países, inclusive a Donald Trump.
Trump havia escrito anteriormente na rede Truth Social que os EUA “estão prontos, dispostos e aptos a ajudar”, acrescentando que havia “orientado todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente”.
Nas redes sociais, Rodríguez acrescentou à sua expressão de gratidão que “a Venezuela jamais esquecerá a mão amiga estendida ao nosso povo nestes tempos difíceis”.
O Serviço Geológico dos EUA afirmou que é provável que haja um elevado número de vítimas e danos extensos na Venezuela.
“É provável que o desastre seja generalizado”, e fortes tremores secundários podem ocorrer na sequência, segundo o USGS.
De acordo com a agência, há 44% de probabilidade de mais de 10 mil mortes e 30% de chance de ultrapassar 100 mil.
Existe também um risco significativo de deslizamentos de terra e de liquefação do solo. A liquefação é um fenômeno que afeta sedimentos pouco compactados durante um terremoto e assemelha-se a um deslizamento lateral de terra.

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Alertas de tsunami
Após os terremotos, alertas de tsunami foram emitidos para a Venezuela, Aruba e Bonaire, além de avisos preventivos para Porto Rico e as Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA. Posteriormente, todos esses alertas foram cancelados.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, informou que equipes de segurança, proteção civil, bombeiros, policiais e voluntários foram mobilizadas para atender às áreas afetadas.
Ele recomendou que a população evacuasse edifícios devido ao risco de novas réplicas e relatou situações críticas em bairros de Caracas, como Los Palos Grandes e Altamira.
O prefeito do município de Chacao, Gustavo Duque, informou o desabamento de um prédio de oito andares e outro de doze andares. Segundo ele, 18 pessoas foram resgatadas com vida.
Como medida preventiva, o fornecimento de gás natural foi interrompido nas regiões afetadas para evitar acidentes.

Além disso, houve cortes de energia elétrica, falhas na internet, suspensão das operações do metrô de Caracas, interrupções em linhas ferroviárias e problemas no abastecimento de água em várias localidades.
Em La Guaira, o hotel Eduard’s, de dez andares, desabou. As imagens do hotel destruído foram checadas pela BBC Verify, a equipe de verificação de dados da BBC.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram momentos de pânico no Aeroporto Internacional de Maiquetía, onde dezenas de pessoas correram enquanto o terremoto acontecia.
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A presidente interina pediu calma e união à população e anunciou a criação de um gabinete de crise composto por altos funcionários do governo.
“A primeira mensagem para nossa população é manter a união para salvar vidas”, declarou em pronunciamento nacional.
O governo anunciou ainda a suspensão das aulas e das atividades econômicas não essenciais nos próximos dias.

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‘O mais forte que senti na vida’
“Foi o tremor mais forte que senti na minha vida”, diz Nicole Kolster, jornalista e colaboradora da BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Ela mora no 7º andar de um apartamento no bairro Los Palos Grandes, no centro de Caracas, onde o terremoto foi sentido com intensidade.
“Começou a tremer, vi como as janelas se moviam, e o que me ocorreu fazer foi me colocar entre a porta de entrada e uma parede de pedra, que, na minha opinião, é bastante resistente, para tentar me proteger”, relata Kolster.
Ela permaneceu ali “por um bom tempo”, até que ouviu os vizinhos gritarem para que descesse à rua.
“É a primeira vez em 37 anos que sinto um tremor dessa magnitude. Foi tão forte que pensei que o prédio fosse cair sobre mim”, relata, enquanto conta à BBC News Mundo que, entre os escombros de um edifício desabado, é possível ouvir pessoas pedindo socorro.
Nas fotos e vídeos compartilhados, vê-se os vizinhos na rua, alguns chorando, outros abraçados.
Diversos edifícios foram evacuados na capital. Uma testemunha relatou à Reuters que o tremor causou rachaduras em seu apartamento e que os vidros se quebraram.
“O prédio estava balançando. A polícia me ajudou a descer porque eu não conseguia”, disse María Romero, uma aposentada de 80 anos que vive no sul de Caracas.

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Cabello confirmou à televisão estatal que casas e edifícios desabaram em consequência do terremoto e acrescentou que “todos os órgãos de segurança e assistência, proteção civil, voluntários, bombeiros e policiais estão mobilizados”.
O ministro pediu a todos os venezuelanos nas áreas afetadas que evacuem os edifícios para permanecerem em segurança em caso de novas réplicas e fez um apelo por calma.
Sobre a capital, informou que “há várias áreas em situação complicada”, na zona leste da cidade, como os bairros de Los Palos Grandes e Altamira, onde “há situações alarmantes” devido ao desabamento de construções.
Pior terremoto desde 1900
Um dos terremotos foi o mais forte registrado no país desde 1900, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O catálogo de terremotos da agência governamental indica que um terremoto de magnitude 7,7 atingiu as proximidades da costa da Venezuela em 29 de outubro de 1900, evento conhecido como o terremoto de San Narciso.
Um dos fatores cruciais que determinam o impacto de um terremoto na população é a profundidade em que ele ocorre em relação à superfície da Terra.
Um terremoto acontece quando duas partes da Terra se deslocam repentinamente uma em relação à outra, liberando uma grande quantidade de energia. Quando essa energia chega à superfície, provoca tremores no solo.
Quanto mais próximo da superfície, mais intensos são os tremores e maior o potencial de danos.
Os dois terremotos em rápida sucessão de quarta-feira foram muito superficiais, ocorrendo a menos de 30 km de profundidade.

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Solidariedade mundial
Além de Lula, outros muitos líderes mundiais estão manifestando seu apoio à Venezuela.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou na rede social X sua solidariedade às vítimas, aos seus entes queridos e às equipes mobilizadas no local.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou todo apoio da Espanha às pessoas na Venezuela, acrescentando que seus pensamentos e os do país estão voltados para as vítimas e suas famílias.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse em entrevista coletiva que o país faria o possível para ajudar a Venezuela, acrescentando que, até o momento, não havia relatos de vítimas chinesas.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, informou que 300 socorristas e paramédicos, juntamente com 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e suprimentos essenciais, estão prontos para serem enviados do país a Caracas.
O gabinete do presidente argentino Javier Milei afirmou que o presidente “expressa sua mais profunda solidariedade ao povo venezuelano após os fortes terremotos que atingiram a região costeira norte da Venezuela na quarta-feira”.
“Independentemente de quaisquer diferenças que possam existir entre nossos governos, o presidente Javier G. Milei estende sua mão em solidariedade ao povo venezuelano diante de um desastre natural que exige uma resposta de toda a comunidade internacional.”
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, expressou sua solidariedade ao povo venezuelano e afirmou que a Venezuela solicitou apoio com equipes especializadas de resgate e atendimento médico.
José Antonio Kast, presidente do Chile, país com vasta experiência em terremotos, declarou que ofereceu ao governo venezuelano assistência na coordenação do envio de ajuda humanitária e na colaboração com as equipes de resgate para lidar com a emergência causada pelo terremoto.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


