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- Author, Cecilia Barría
- Role, Da BBC News Mundo
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Tempo de leitura: 6 min
“Os socorristas não dão conta. Estão tirando as pessoas com unhas e dentes”, disse o estudante Antoan Marín à BBC News Brasil, o serviço em espanhol da BBC. “Eles não têm maquinário especializado”, acrescentou ele, que está em Caracas. “Falta ajuda.”
Nesta quinta-feira (25/6), equipes de resgate de diversos países viajavam para a Venezuela para colaborar na busca por sobreviventes em meio à extensa devastação que atingiu Caracas e outras cidades da costa central do país.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram edifícios residenciais e comerciais completamente destruídos, principalmente na capital e em La Guaira, enquanto familiares procuram desesperadamente seus entes queridos.
Em La Guaira, moradores denunciaram nas redes sociais nesta quinta-feira que as equipes de resgate ainda não haviam chegado e que havia dezenas de pessoas presas que não podiam ser socorridas por falta de recursos.

O balanço oficial aponta pelo menos 589 mortos e mais de 2,9 mil feridos até a manhã desta quarta-feira (26/6), mas teme-se que o número de vítimas fatais possa ser ainda maior.
Os terremotos ocorreram com apenas 39 segundos de diferença em uma zona de falhas geológicas, aumentando seu impacto mortal.

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‘Há famílias inteiras presas’
Román Camacho, jornalista venezuelano, publicou em suas redes sociais imagens devastadoras de La Guaira gravadas na manhã desta quinta-feira, nas quais aparecem pessoas presas sob os escombros em áreas onde as equipes de resgate ainda não haviam chegado.
Nelas, vê-se um jovem, identificado pelo jornalista como Amir Infante, bebendo água e com a parte inferior do corpo esmagada por um bloco de concreto. “Não há maquinário, não há os equipamentos necessários para remover os escombros”, explica Camacho em seu vídeo. “Há famílias inteiras presas.”
Horas depois, Camacho informou que a mãe de Amir havia comunicado que seu filho tinha morrido.
A poucos metros dali, um jovem gritava “Jesus!” enquanto caminhava sobre os escombros procurando pessoas com vida.
“Aqui há três vivos”, relatava, apontando com a mão. “Como você se chama?”, perguntava através de um pequeno buraco. “Anthony”, respondeu uma voz que mal podia ser ouvida.
Com os olhos cheios de lágrimas, o jovem gritava mais uma vez: “Jesus, irmão, fala comigo.”
Bombeiros e paramédicos, relatou o jornalista, “estão de mãos atadas”.

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‘Somos três’: crianças são resgatadas dos escombros
Apesar de todos os esforços, a interrupção das comunicações e a falta de recursos dificultaram a resposta inicial à emergência. No entanto, à medida que as horas avançam, as equipes de resgate estão sendo mobilizadas com maior rapidez para as áreas mais críticas.

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Os canais de televisão locais não apenas divulgaram os relatos de pessoas desesperadas à procura de seus familiares, mas também as emocionantes imagens de vítimas resgatadas com vida, que dão esperança aos venezuelanos em um momento de tanta dor.
“Deus é grande!”, diz a voz de um homem enquanto um bebê que havia ficado sob os escombros é resgatado com vida, segundo as imagens de um vídeo publicado pelo veículo Noticias en Red.
Outro caso que despertou esperança na população venezuelana foi o resgate, em La Guaira, de três irmãos pequenos que saíram dos escombros com o rosto coberto de poeira, segundo imagens exibidas pela televisão estatal e nas redes sociais.
“Vem, meu filho, vem para cá”, diz um homem ao primeiro menino que sai com vida de uma abertura entre os blocos de concreto de uma casa que desabou. Em seguida, sai uma menina, e o homem pergunta: “Vocês são irmãos?”. Ela responde: “Sim, somos três.”
Logo depois, com um pouco mais de dificuldade, a terceira irmã consegue sair, soluçando e com o corpo todo coberto de poeira.
Teme-se que ainda haja centenas de pessoas vivas presas sob os escombros.
Mais de 70 mil famílias afetadas em La Guaira
Durante visita a La Guaira, a região mais atingida pelo desastre natural, o vice-presidente para Assuntos Políticos, Segurança Cidadã e Paz, Diosdado Cabello, confirmou que mais de 70 mil famílias foram afetadas no estado.
Mais de 100 prédios desabaram completamente, acrescentou, confirmando o divulgado anteriormente por uma agência da ONU.
“Os efeitos são devastadores”, concluiu Cabello, que pediu aos venezuelanos que confiem em seu governo. “Não vamos abandoná-los”, acrescentou.
As cidades de Caraballeda e Catia La Mar foram as mais afetadas, segundo o ministro.
“Não podemos simplesmente entrar com máquinas pesadas para reconstruir os prédios que desabaram”, explicou, enfatizando que esse é o desafio atual.
“Precisamos verificar se há pessoas vivas, determinar como proceder e como trabalhar.”

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O médico Franklin Rodriguez viajou da capital Caracas, onde trabalha normalmente, para a região de La Guaira.
Ele contou ao programa Today da BBC que ele e seus colegas médicos estão enfrentando uma situação desesperadora.
Rodriguez descreveu o sistema como estando em completo colapso, com os dois principais hospitais do estado “totalmente sobrecarregados”.
“Há uma grave escassez de medicamentos e suprimentos médicos. As instalações médicas não têm capacidade para atender o grande número de pessoas, e muitas ainda estão presas sob os escombros”, disse.
Presos no topo de prédios e em porões

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A BBC recebe diversos relatos de pessoas em Caracas que ficaram presas em locais como o 18º andar de um prédio ou o quarto subsolo de uma garagem quando os terremotos atingiram a região.
Jesús Armas estava em seu apartamento com o pai — que sofre de câncer — e a mãe, no 18º andar, quando um grande prédio do outro lado da rua começou a balançar.
“Ficamos simplesmente presos dentro do prédio”, disse ele ao Serviço Mundial da BBC. “Prédios estavam desabando por toda Caracas”, explicou.
O pai de Armas não conseguia descer as escadas e o elevador não funcionava porque não havia energia elétrica, então a família teve que esperar dentro do prédio até conseguir sair em segurança.
Enquanto isso, Alirio Hernández estava quatro andares abaixo do solo, na garagem de um prédio, quando as colunas começaram a tremer.
Quando finalmente conseguiu sair de carro, os seguranças explicaram que o prédio havia rachado e telhas haviam se soltado.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


