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2 de julho de 2026

Hotel Cala di Volpe preserva glamour na Costa Esmeralda – 01/07/2026 – Turismo

Hotel Cala di Volpe preserva glamour na Costa Esmeralda – 01/07/2026 – Turismo

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A Costa Esmeralda, na Sardenha, não é uma praia nem uma cidade. É um destino turístico criado nos anos 1960 quando o termo jet-set começou a ser usado para descrever pessoas ricas e famosas –hoje, VIPs e influencers– que viajavam num piscar de olhos pelos lugares mais bonitos e interessantes do mundo.

Quando o príncipe Karim Aga Khan, líder espiritual muçulmano integrante daquele seleto grupo, conheceu esse pedaço do mar Mediterrâneo, com vegetação intocada e águas cristalinas esverdeadas, a poucas horas das principais capitais europeias, se deslumbrou. Comprou terrenos no nordeste da ilha, delimitou fronteiras e lançou a Costa Esmeralda.

O nome Costa Smeralda (assim, sem “e”) é uma marca gerenciada por um consórcio, que, entre outras coisas, cuida para que características naturais e arquitetônicas sejam preservadas. Em 55 km de costa, são 3.000 hectares entre as cidades de Arzachena e Olbia, sendo só 117 deles com edificações. Aga Khan morreu em 2025. Antes disso, a maioria das propriedades do consórcio, incluindo quatro hotéis, já era controlada pelo fundo soberano do Qatar.

O nome Costa Smeralda (assim, sem “e”) é uma marca gerenciada por um consórcio, que, entre outras coisas, cuida para que características naturais e arquitetônicas sejam preservadas. Em 55 km de costa, são 3.000 hectares entre as cidades de Arzachena e Olbia, sendo só 117 deles com edificações. Aga Khan morreu em 2025. Antes disso, a maioria das propriedades do consórcio, incluindo quatro hotéis, já era controlada pelo fundo soberano do Qatar.

O ideal criado em torno da Costa Esmeralda teve como ponto de partida o hotel Cala di Volpe, construído em 1963 nas imediações de Porto Cervo. Com sua arquitetura feita de arcos, paredes rebocadas de modo imperfeito e tons terrosos, fica imerso na vegetação de frente para uma enseada, como se fosse uma vila de casas.

O francês Jacques Couëlle (1902-1996), autor de obras de formas insólitas, chamadas por ele de ‘casas-paisagem’, projetou a estrutura que tem materiais locais e detalhes rústicos, como as paredes com cacos de vidro coloridos que surgem em corredores.

O destino vingou e nos anos seguintes atraiu personagens como o beatle Ringo Starr, a atriz-princesa Grace Kelly e a princesa Margaret. Em 1976, o filme “007 – O Espião Que Me Amava” foi filmado no Cala di Volpe, com Roger Moore como James Bond.

Décadas depois, a região ficaria conhecida por festas nem sempre apropriadas promovidas por tipos como Flavio Briatore, ex-manager de Fórmula 1, e Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro. Em sua Villa Certosa, Berlusconi recebeu líderes como o britânico Tony Blair e o russo Vladimir Putin. Essa fase mais escandalosa parece superada. Após a morte de Berlusconi, a mansão acaba de vendida para a família real do Qatar. Desde o ano passado, o bar de Briatore em Porto Cervo tem outro dono.

Mais recentemente, o destino entrou na rota de americanos, que, para este verão, passou a contar com voos diretos entre Nova York e Olbia, devido à alta demanda. A Sardenha parece despontar como nova meta preferida, depois da consagração de destinos como Sicília e Costa Amalfitana. Uma diária em outubro, mês de baixa temporada sai na casa dos 993 euros (R$ 5.900).

As instalações do hotel Cala di Volpe, administrado pela rede Marriott, foram atualizadas e ampliadas, mas a essência do projeto original foi mantida. Ele lembra os resorts da série “White Lotus”, com a intenção de oferecer serviços cinco estrelas em meio a paisagens naturais isoladas.

Por ser dos anos 1960, um glamour histórico é promovido como autêntico, ao mesmo tempo em que se busca saciar novos desejos. O hotel pretende agradar tanto quem se interessa por golfe –o campo dos anos 1970 está entre os melhores da Itália– quanto quem prefere academia com vista para o mar e quadras de padel.

Se chega ao hotel em barco privado ou de carro –sobre rodas, são 30 minutos do aeroporto. De Roma ou Milão, o voo comercial dura cerca de uma hora. Outra opção são as balsas, com travessias do continente que levam entre 7 e 13 horas.

Em relação a um resort, o Cala di Volpe tem escala menor e mais acolhedora. São pouco mais de cem suítes, a distâncias curtas das áreas comuns. Tem piscina de água salgada ao ar livre, a poucos passos do mar. Para se chegar à praia com serviço (guarda-sóis e bar), uma lancha do hotel faz idas e vindas, que duram cerca de dez minutos.

Quando a reportagem visitou o hotel, em meados de junho, os hóspedes eram na maioria casais (jovens ou mais velhos) e famílias com crianças. Uma dezena de amigas comemorava a despedida de uma solteira, de forma contida. Em geral, eram pessoas que pareciam querer um pouco de sossego.

No fim da tarde e à noite, o volume de vozes sobe, e hóspedes dividem espaço com clientes de fora. Na alta estação, entre julho e agosto, visitantes costumam chegar em iates, no estilo “ver e ser visto”.

A meta é conseguir mesa no bar Atrium, a tempo do aperitivo –a happy hour. Os arcos terracota voltados para o mar emolduram a vista para o pôr do sol, e a brisa refresca. O drinque da casa é o Bellini, com pêssegos brancos e prosecco, tão década de 1960 quanto a bossa nova brasileira nas caixas de som.

Para jantar, são duas opções principais. O Le Grand serve comida mediterrânea, com pratos típicos da Sardenha e outros mais afrancesados. Vale dar atenção às massas locais, como os “fiuritti” (lembram os tagliatelli) com molho de caranguejo e tomatinhos, e à posta de peixe envolta em crosta, recheada com aspargos e creme de bottarga.

Para sabores surpreendentes, tem uma filial do Matsuhisa, do chef japonês Nobuyuki Matsuhisa, com pratos que fizeram a fama do Nobu, em Nova York. Além de sashimis e sushis com peixes sardos, a estrela é o black cod marinado em missô branco doce e saquê e depois grelhado. A vista para a baía é outra atração.

A jornalista viajou a convite do Hotel Cala di Volpe



Fonte.:Folha de S.Paulo

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