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6 de julho de 2026

Hiroshima: o que visitar na cidade da bomba atômica – 06/07/2026 – Turismo

Hiroshima: o que visitar na cidade da bomba atômica – 06/07/2026 – Turismo

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A cidade de Hiroshima está atrelada a um momento. Às 8h15 de 6 de agosto de 1945, um avião americano despejou ali a bomba atômica que provocou a morte de mais de 140 mil pessoas até o fim daquele ano —um número que continuaria a crescer nas décadas seguintes devido à radiação.

Apesar de a cidade ter uma história mais longa —remontando ao século 16— aquele instante se impõe ao longo da visita.

É inevitável, assim, que os principais pontos turísticos sejam os ligados à catástrofe, incluindo um memorial da paz e um museu sobre o bombardeio atômico. Sozinhos, esses dois pontos já valeriam a viagem até a cidade japonesa, que fica a cerca de 4 horas de trem-bala da capital Tóquio.

Hiroshima foi fundada em 1589. Durante a Segunda Guerra Mundial, em que o Japão lutou ao lado da Alemanha, era uma das maiores cidades e um dos principais polos industriais do país.

Foi Hiroshima que o governo dos Estados Unidos escolheu como alvo do primeiro ataque nuclear da história.

Para conhecer melhor esse episódio, comece a visita pelo Memorial da Paz, a meia hora de caminhada a partir da estação de trem. Esse extenso parque foi construído na região central da explosão. Parece pairar no gramado um silêncio respeitoso em que mesmo os turistas só sussurram.

Há muito o que ver ali, a depender do seu interesse. O que chama a atenção de imediato é o chamado Domo, uma das únicas construções dos arredores que resistiram à explosão —sobraram algumas paredes e uma cúpula. Foi mantida assim, às ruínas, como um poderoso lembrete.

Quando a reportagem visitou o local, havia um sem-fim de jovens japoneses sentados ao redor desenhando ou pintando o Domo e a paisagem. Já outros liam ou comiam alguma coisa nos bancos do parque.

Além do Domo, há mais de 50 memoriais espalhados por ali. Alguns são pequenas pedras com inscrições em japonês e passam batidos. Outros pontos são mais impactantes, como as estátuas cobertas por origamis

Vale a pena visitar o terreno sem pressa. Inclusive, vale um pequeno desvio que não aparece em todos os guias. A poucos minutos a pé, em uma rua atrás do Domo, está o marco do hipocentro, o ponto no solo diretamente abaixo da explosão. Ali, há apenas uma placa com algumas informações, sem muito alarde.

O ponto principal é o Museu do Memorial da Paz, dedicado à história da bomba. A entrada custa um valor simbólico de menos de R$ 2 para adultos e de metade desse valor para crianças. Calcule passar pelo menos uma hora ali e tenha em mente que pode sair bastante impactado.

O museu conta a história da explosão sem poupar os visitantes. Há descrições, fotografias e pinturas detalhadas dos efeitos da bomba. Um relato recorrente é o da pele que se desprendia das pessoas queimadas. Outra história repetida ali é a da chuva preta, radioativa, que caiu sobre o local e manchou seus corpos.

Em seguida, há uma série de exposições sobre os anos seguintes ao bombardeio, durante os quais Hiroshima se tornou um dos focos de um movimento pacifista pela proibição de arsenais atômicos. Essa parte transmite alguma esperança, depois dos trágicos salões que a precedem.

Se ainda tiver ânimo, caminhe mais meia hora até o castelo de Hiroshima. É uma maneira impactante de encerrar o capítulo. O castelo, que remonta ao século 16, foi demolido na explosão. O que há agora é uma reconstrução dos anos 1950 —quase uma mensagem de resiliência.

Dito tudo isso, há mais o que fazer em Hiroshima, para além da bomba.O mais interessante é caminhar sem muita intenção. Com ruas largas e pontes sobre rios, essa cidade tem um quê de Europa. Há também muito menos turistas e, assim, menos alvoroço do que em Tóquio e em Kyoto.

Em termos de comida, o prato típico é o okonomiyaki —uma panqueca de repolho, ovos e farinha. A versão local, que merece ser provada, leva noodles. Nos restaurantes mais tradicionais, você se senta no balcão e vê o cozinheiro preparar o quitute na sua frente, sobre uma enorme chapa

Se tiver um segundo dia na cidade, uma excelente opção é pegar a balsa até a ilha de Miyajima. O trajeto todo leva menos de 45 minutos. É um mundo à parte da dura história da bomba. Ao se aproximar da ilha, marcada por montanhas e florestas, a balsa vai acalentando o viajante.

A paisagem de Miyajima é um dos destaques da viagem ao Japão. Já no século 17, o intelectual Hayashi Gaho a incluiu entre as paisagens mais belas do país. É conhecido, em especial, o portão vermelho que se ergue na praia, dentro da água, dando a impressão de que flutua no mar.

A cidade, onde vivem cerca de 2 mil pessoas, tem um ar de vilarejo. Após passear pelas ruelas, considere escalar o Monte Misen. A caminhada leva um pouco mais de duas horas. Há também a opção mais fácil de pegar o teleférico. De cima, contemple a vista. É um lembrete de que há outros minutos —para além daquele em que a bomba explodiu.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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