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- Author, Dale Johnson
- Role, BBC Sport
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Trump afirmou que a entidade máxima do futebol mundial “tomou a decisão certa” ao suspender a punição de Balogun, acrescentando que a aplicação da penalidade teria deixado uma “grande mancha” no torneio.
Balogun, de 25 anos, estava suspenso para o jogo das oitavas de final contra a Bélgica, na terça-feira (7/7), após receber um cartão vermelho direto por uma falta no zagueiro da Bósnia-Herzegovina, Tarik Muharemovic, na rodada anterior, quando os Estados Unidos venceram a partida por 2×0.
No entanto, no domingo, a Fifa tomou a decisão surpreendente de suspender por 12 meses a punição automática de um jogo, liberando o atacante dos Estados Unidos — que marcou três gols no torneio e é o artilheiro da seleção americana — para ser escalado na partida em Seattle.
Em declaração na Casa Branca na segunda-feira (6/7), Trump disse que pediu à Fifa para rever a decisão porque “não achava que aquilo tivesse sido falta”.
Embora tenha confirmado que conversou com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, Trump afirmou que “tudo” o que fez foi solicitar uma revisão, acrescentando que não ordenou ao dirigente suíço que suspendesse a punição de Balogun.
“Achei que foram dois grandes atletas que se chocaram e acabaram se enroscando”, disse Trump.
“Acho que isso [a suspensão] teria deixado uma grande mancha. Não posso dizer a eles o que fazer. Não acredito que tenham sido eles [os dirigentes] que tomaram a decisão; acredito que foi a comissão que decidiu. E foi a decisão certa.”
Trump classificou como “horrível” a decisão do árbitro Raphael Claus de expulsar Balogun e disse que o brasileiro era “um pouco suspeito”.
Antes disso, na segunda-feira, a Real Associação Belga de Futebol declarou-se “espantada” com a decisão da Fifa de permitir que Balogun fosse escalado para o jogo das oitavas de final.
Ao ser procurada pela BBC Sport para comentar as declarações de Trump — incluindo sua opinião sobre Claus, as alegações da Bélgica e o processo de recurso —, a Fifa informou que não tinha “mais nada” a acrescentar “por enquanto”.
Ao expressar sua preocupação, a Real Associação Belga de Futebol declarou: “Independentemente do resultado esportivo desta partida, a RBFA está profundamente preocupada com o rumo dos acontecimentos e continuará lutando nas próximas horas, dias e meses em defesa dos princípios fundamentais da ética, da competição justa e dos interesses do futebol como um todo.”
O técnico da seleção inglesa, Thomas Tuchel, que viu seu time ficar com dez jogadores contra o México após a expulsão de Jarell Quansah, afirmou que a decisão criou um precedente perigoso.
“A questão que me pergunto é: onde traçar uma linha? Não tenho resposta para isso”, disse ele.
“Devemos recorrer se um cartão amarelo não for para cartão amarelo? Devemos achar que não é para cartão vermelho ou quem acha? Onde isso começa e onde termina? Essa é a minha pergunta. Não tenho resposta.”
A UEFA, entidade que rege o futebol europeu, afirmou que intervir para, na prática, anular uma suspensão em um torneio “cruzou uma linha vermelha”.
Dos outros 189 cartões vermelhos na Copa do Mundo, apenas uma única outra vez um jogador escapou da suspensão.
Esse foi o caso de Garrincha, do Brasil, em 1962. O craque brasileiro foi expulso na semifinal contra os donos da casa, mas jogou a final, ajudando o Brasil a vencer a Checoslováquia por 3×1 e se sagrar bicampeão do mundo.
Isso foi antes da implementação das suspensões automáticas. O comitê disciplinar da Fifa decidiu com base em evidências fornecidas na ocasião, em uma decisão cercada de acusações de interferência política.
Por que a decisão da Fifa é tão polêmica
Esse caso coloca em xeque a arbitragem da Copa do Mundo, porque uma das grandes certezas do futebol é que um jogador expulso não participa do jogo seguinte. Sem poréns, nem questionamentos, nem recursos.
A decisão de postergar a suspensão a Balogun deixa muitas perguntas sem resposta e, por conta do relacionamento próximo entre a Fifa e a Casa Branca, levanta questionamentos sobre uma decisão altamente incomum, tomada em favor de um dos anfitriões da Copa.
O episódio estabelece um novo precedente no futebol?
Por que Balogun recebeu o indulto, enquanto os outros 11 jogadores expulsos nesta Copa cumpriram a suspensão?
Será que a decisão irá gerar novos recursos pedindo a liberação de suspensões, mesmo quando os cartões vermelhos forem justificados, com base nas regras do futebol?
Quando a televisão mostrar “suspenso para o próximo jogo” na tela, após o próximo cartão vermelho na Copa do Mundo, deixaremos de ter tanta certeza do cumprimento da suspensão?

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Segundo o código disciplinar da Fifa, Balogun deveria receber uma suspensão de “pelo menos dois jogos, por jogada seriamente desleal”. E as regras da Copa do Mundo impedem as equipes de recorrer contra os cartões vermelhos.
A Fifa não deu nenhuma razão ou explicação para liberar a suspensão de Balogun. Ela cita apenas o “artigo 27 do código disciplinar da Fifa”.
O artigo permite que a Fifa “suspenda, total ou parcialmente, a implementação de uma medida disciplinar”. É uma regra ampla, que permite à entidade tomar qualquer decisão que desejar, sem necessidade de seguir nenhum outro critério.
O artigo 27 nunca havia sido empregado em uma Copa do Mundo.
Além disso, Balogun havia sido suspenso por apenas um jogo, não dois, como determina o código disciplinar. Este ponto também não foi explicado.
A BBC Sport perguntou o motivo desta decisão. Mas não recebeu nenhuma razão, exceto por uma referência à suspensão de Cristiano Ronaldo, que foi postergada antes do torneio.
Segundo o código disciplinar da Fifa, o jogador português deveria ter sido suspenso por três partidas por uma cotovelada no irlandês Dara O’Shea durante a vitória de Portugal por 3×0 em novembro, em jogo válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
Ele cumpriu um jogo de suspensão na rodada final das eliminatórias, contra a Armênia. Mas os dois jogos restantes foram postergados. Mas a expulsão de Cristiano Ronaldo ocorreu nas eliminatórias, não durante a Copa do Mundo. E ele não foi o único.
Houve muitos outros jogadores que contaram com uma certa leniência antes do torneio. Foi o caso do francês Laurent Koscielny em 2014 e, nas eliminatórias para a Copa de 2026, do equatoriano Moisés Caicedo e do argentino Nicolas Otamendi.
No caso de Cristiano Ronaldo, a imprensa recebeu alguma justificativa. A Fifa declarou ter considerado que “ele não tinha cartões vermelhos nas suas outras 225 participações em jogos internacionais.
Mas, em relação a Balogun, não houve nem mesmo este tipo de explicação, o que deixou um vácuo que só pode gerar especulações.
Por que este foi um caso especial? Quais fatores foram levados em consideração? Quem tomou a decisão?
As informações apuradas pela BBC não trazem nenhuma indicação de que o árbitro tenha pedido a retirada da suspensão, nem de que o protocolo do VAR não tenha sido respeitado.
Os Estados Unidos têm o direito de pedir à Fifa a publicação das razões por escrito, mas não a Bélgica.

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O comentarista da BBC Sport e ex-zagueiro da Inglaterra, Micah Richards, afirmou que se trata de uma farsa.
“Postergar a suspensão por um ano é um desrespeito com o torneio como um todo”, declarou ele. “É para manter os grandes astros na competição. Como isso pode acontecer?”
“A Fifa precisa agir melhor. Isso deixou um gosto amargo na boca de muitas pessoas.”
É claro que os belgas estão furiosos. Eles emitiram uma declaração no domingo (5/7) expressando sua “perplexidade” com a liberação de Balogun para a partida.
A Federação Belga de Futebol citou diversos regulamentos, apresentações em workshops e encontros de coordenação antes do torneio. E afirma que está “investigando todas as possíveis opções” como resposta.
Eles afirmam categoricamente que a decisão contradiz o regulamento da competição, que determina que um jogador “será automaticamente suspenso da partida seguinte da sua equipe”.
A Bélgica também defende que a Fifa usou seu código disciplinar para se sobrepor às regras da competição.
O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, foi mais além. Ele afirmou em coletiva de imprensa:
“Eu não sabia que, na Copa do Mundo da Fifa, 5 de julho, agora, é 1° de abril, dia dos tolos.”
“Não estamos defendendo nossa seleção ou a federação nacional”, prosseguiu ele. “Estamos defendendo o futebol.”
O que estariam pensando os outros jogadores expulsos neste torneio? Como Assim Madibo, do Catar, que se envolveu em um incidente infeliz que deixou o meio-campista canadense Ismael Kone com uma perna quebrada.
Existe uma clara defesa neste caso, de que Madibo não teria causado a lesão, que teria acontecido por acaso, não devido à natureza da jogada.
Ainda assim, a Fifa suspendeu Madibo por cinco jogos, três a mais do que a punição padrão por jogada seriamente desleal.
A decisão sobre Balogun cria um precedente?

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A expulsão de Balogun certamente foi rigorosa.
O atacante tentava tirar a bola de Tarik Muharemovic e, acidentalmente, atingiu o tornozelo do bósnio com o pé.
Mas uma decisão rigorosa não significa que ela foi incorreta, nem que tenha sido tão grave que a Fifa simplesmente precisasse intervir.
A Fifa deverá, agora, revogar todas as suspensões automáticas em caso de expulsão por lance acidental? Afinal, os técnicos irão argumentar que surgiu um precedente e, agora, precisamos manter a coerência.
A intenção do jogador deixou de fazer parte das regras do jogo muitos anos atrás. Agora, apenas o resultado do lance deve ser analisado.
A decisão sobre Balogun aumenta os receios nos campeonatos nacionais, após as medidas tomadas nesta Copa do Mundo.
Aparentemente, é impossível reproduzir nos campeonatos nacionais e regionais a falta de cartões amarelos, parte da implementação do VAR e a interpretação das novas regras.
Um dos fundamentos dos processos disciplinares da Copa do Mundo da Fifa é que não cabem recursos. Por que, então, a Fifa criou uma situação especial para o astro de um dos países anfitriões?
O cartão vermelho e a suspensão de Balogun causaram furor nos Estados Unidos.
Os americanos se queixaram de que o atacante estaria sendo punido duas vezes, por perder um jogo e quase um terço de outro (os últimos 27 minutos da partida com a Bósnia, mais o jogo das oitavas contra a Bélgica). Comentaristas esportivos dos Estados Unidos afirmaram que seria muito injusto.
A imprensa e o governo americano pressionaram. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou na sexta-feira (3/7) que os Estados Unidos haviam sido prejudicados com aquele cartão vermelho e que “é preciso haver um processo de recurso”.
Não havia a expectativa de que a Fifa pudesse subitamente emitir uma dispensa especial que permitisse que o ex-atacante do Arsenal jogasse, até que Balogun recebeu o perdão pela partida contra a Bósnia e foi liberado para a nova partida.
Fontes da CBS News, parceira da BBC, informaram que Trump falou diretamente com o presidente da Fifa. A conversa foi curta e Infantino disse ao presidente americano que o comitê disciplinar da entidade examinaria o assunto, segundo uma das fontes.
O diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, também conversou com Infantino sobre a situação. E o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, também manteve comunicação com a Fifa.
Na noite de domingo (5/7), Trump agradeceu à Fifa por “reverter uma grande injustiça”, em postagem na rede Truth Social.
Nesta segunda, o presidente americano confirmou ter conversado com Gianni Infantino e pedido que a Fifa revisasse a suspensão.
“Eu vi o jogo”, declarou Trump.
“Conheço muito bem o esporte. Aquilo não foi falta. Eram dois jogadores correndo a toda velocidade que acabaram colidindo um com o outro.”
Para o presidente americano, Balogun “não fez nada de errado” e que impedi-lo de jogar seria “muito injusto”.
“Uma coisa é penalizar alguém pelo jogo, mas como você o penaliza por uma partida que ainda não foi disputada? É muito injusto, você não pode fazer isso.”
“Como vocês se sentiriam se retirassem Messi, Ronaldo ou Harry Kane?”, questionou ele.
O presidente americano afirmou não ter conversado com o primeiro-ministro belga a este respeito e concluiu dizendo que a Fifa “tomou a decisão certa”.
“As pessoas da Bélgica, se ganharem o jogo, podem ficar muito orgulhosas. Se eles vencessem a partida com um jogador faltando, a sensação seria diferente.”
“E sinto que precisamos ter todos os melhores jogadores no campo. Você não pode excluir os melhores jogadores.”
O comitê de ética da Fifa já havia recebido uma solicitação para investigar Infantino por suposta quebra das regras da entidade em relação à sua neutralidade política ao conceder a Trump o Prêmio da Paz da Fifa.
Os estatutos da entidade proíbem a interferência política no futebol. E, com o envolvimento do governo americano, novas questões precisarão ser respondidas.
Mas, antes disso, todos os olhos estarão voltados para Balogun e a seleção americana na partida contra a Bélgica, nesta segunda-feira, às 21 horas de Brasília.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


