12:51 PM
25 de julho de 2026

Boom de médicos, pós-graduações e “pejotização” fragilizam qualidade da assistência médica

Boom de médicos, pós-graduações e “pejotização” fragilizam qualidade da assistência médica

PUBLICIDADE



Ao levar um filho a uma UPA ou acompanhar um familiar ao pronto-socorro, o paciente parte do pressuposto de que o médico responsável pelo atendimento recebeu a formação necessária para cuidar daquele caso. A confiança quase automática depositada em quem veste um jaleco branco agora convive com dúvidas em meio ao aumento de profissionais que chegam ao mercado sem a qualificação esperada.

A medicina atravessa um período que alimenta preocupações sobre a qualidade da formação e da assistência. Ao mesmo tempo em que cresce o número de profissionais formados, aumentam os questionamentos sobre a qualidade de parte das escolas médicas, avança a oferta de pós-graduações como alternativa à residência e se multiplicam formas de contratação mais flexíveis, marcadas por vínculos menos duradouros com hospitais e serviços de saúde.

“Há muitos médicos malformados hoje atendendo a população. Ficamos cerca de 10 anos expandindo e com um apagão de avaliações”, resume Mário Scheffer, pesquisador da área de Força de Trabalho em Saúde e Profissão Médica da Universidade de São Paulo (USP). “Isso vai ter impacto na relação com o paciente, mas principalmente na qualidade do atendimento e dos desfechos”, complementa.

Embora existam excelentes profissionais entre os recém-formados, tornou-se mais difícil presumir que todos tenham recebido uma formação equivalente. Se antes a trajetória profissional costumava seguir caminhos mais padronizados, passando pela graduação, residência médica e carreira vinculada a instituições consolidadas, hoje os caminhos são mais diversos e desiguais.