11:46 AM
25 de julho de 2026

Sistema Famato leva debates sobre sustentabilidade e futuro da pecuária ao GAFFFF

Sistema Famato leva debates sobre sustentabilidade e futuro da pecuária ao GAFFFF

PUBLICIDADE



Entidade participou do evento com palestras técnicas, painel sobre produção sustentável e a Vitrine Sabores do Agro, valorizando a qualidade da carne produzida em Mato Grosso.

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Sistema Famato) marcou presença no Global Agribusiness Festival Farm Fair (GAFFFF), em Sorriso, levando ao público uma programação voltada à discussão dos desafios e oportunidades da agropecuária, além de ações de valorização da produção mato-grossense.

Durante os dias de evento, o Sistema Famato promoveu debates sobre sustentabilidade, inovação, tecnologia e gestão no campo, além de aproximar os visitantes da qualidade da carne produzida no estado por meio da Vitrine Sabores do Agro, realizada no estande da entidade.

Para o diretor de Relações Institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, a participação reforçou o papel da instituição em promover conhecimento técnico e valorizar os produtores rurais mato-grossenses.

“Sorriso é referência mundial na produção agrícola, e sediar um evento dessa magnitude demonstra a força do agronegócio mato-grossense. “Estamos aqui para apoiar essa iniciativa, receber os produtores em nosso estande e mostrar que o Sistema Famato está presente onde o agro acontece”, afirmou Ronaldo.

Produzir mais, utilizando os recursos de forma eficiente e com responsabilidade ambiental, é um dos principais desafios da agropecuária moderna. O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, falou sobre o assunto durante o painel “Produção e Sustentabilidade: O Novo Equilíbrio” e também palestrou sobre o tema “Soja: Mercado, Clima e Rentabilidade no Campo”.

O painel reuniu Flávio Jesus Wruck, pesquisador e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril; Gustavo Paredes, diretor executivo da Red de Innovación Sostenible; José de Barros França Neto, pesquisador da Embrapa Soja; e Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso.

Segundo o superintendente do Imea, a competitividade da agropecuária depende diretamente do conceito de sustentabilidade em sua totalidade, que engloba os pilares econômico, ambiental e social.

“Sustentabilidade é alicerçada em um tripé social, ambiental e econômico. Não adianta termos apenas sustentabilidade ambiental se a atividade não consegue sobreviver economicamente e gerar benefícios para quem produz.”

Ao abordar os avanços registrados em Mato Grosso, Gauer ressaltou que diversas tecnologias já demonstram resultados concretos tanto para a produtividade quanto para a conservação dos recursos naturais.

Entre as práticas citadas estão o plantio direto, o cultivo mínimo, os sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, o uso de bioinsumos e a adoção de tecnologias que tornam o manejo mais eficiente, reduzindo aplicações e aumentando a eficiência produtiva.

Outro ponto destacado foi o crescimento da produção sem necessidade de expansão proporcional da área cultivada.

“Nós usamos melhor o mesmo espaço que temos. Produzimos cada vez mais na mesma área. Esse é um dos principais indicadores de que Mato Grosso ganhou produtividade ao longo dos últimos anos.”

Para Gauer, um dos maiores desafios continua sendo ampliar o reconhecimento das boas práticas já adotadas pelos produtores mato-grossenses.

“É preciso lembrar constantemente que os três pilares da sustentabilidade caminham juntos e reconhecer as atividades que já vêm sendo desenvolvidas. A produção de Mato Grosso é sustentável e isso precisa ser compreendido, sem estigmas ou falsas percepções.”

O superintendente também destacou que a evolução da cadeia produtiva tem sido impulsionada tanto pela adoção natural de novas tecnologias quanto pelas exigências dos consumidores e dos mercados, especialmente em relação à rastreabilidade, ao monitoramento e à transparência da produção.

O analista de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, palestrou sobre o tema “Pecuária do Futuro no Mato Grosso: Mercado, Carbono, Sustentabilidade, Tecnologia, Gestão e Rentabilidade na Fazenda” e destacou que a sustentabilidade é um tripé formado pelos pilares econômico, social e ambiental. Segundo ele, aspectos como a reciclagem de nutrientes, o carbono e a preservação da reserva nativa deixaram de ser apenas uma pauta para se tornarem requisitos de mercado. Essas questões, somadas às exigências dos compradores, têm impacto direto sobre o acesso aos mercados, ao crédito e à comercialização da produção.

“O produtor rural sempre foi reconhecido pela sua capacidade de produzir. Agora, além de produzir bem, será cada vez mais importante demonstrar como produz. Gestão, sustentabilidade, tecnologia e eficiência são fundamentais para manter a competitividade na pecuária”, destacou Marcos.

Outro tema abordado foi a implantação gradual do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), que deverá tornar obrigatória a identificação individual dos animais antes da primeira movimentação, a partir de 2033. Marcos explicou que a mudança exigirá planejamento, investimentos e adaptação das propriedades, sobretudo porque a pecuária mato-grossense reúne sistemas produtivos bastante distintos.

Atualmente, o estado conta com cerca de 108 mil propriedades com bovinos e um rebanho de aproximadamente 33 milhões de cabeças. Embora apenas 2,38% das fazendas concentrem 38,43% do rebanho estadual, cerca de 57% das propriedades possuam até 100 bovinos, realidade que exige soluções compatíveis com diferentes perfis de produtores.

Nesse contexto, Marcos reforçou que a competitividade da pecuária começa dentro da porteira, com uma base produtiva bem estruturada. A recuperação de pastagens, a produção de alimento para o rebanho, o manejo adequado, o controle sanitário, a eficiência reprodutiva e a gestão da propriedade foram apontados como pilares para aumentar a rentabilidade. Segundo ele, tecnologias mais avançadas somente alcançam o potencial esperado quando são aplicadas sobre um sistema produtivo sólido.

Como caminho para elevar a produtividade de forma sustentável, também foram apresentadas tecnologias previstas no Plano ABC+, entre elas a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária, a recria e a terminação intensiva a pasto, além do uso de bioinsumos e sistemas irrigados. Essas práticas contribuem para produzir mais por hectare, reduzir custos e aumentar a resiliência das propriedades rurais.

O encontro também abordou tendências para a próxima década, como o uso crescente de inteligência artificial, sensores, drones, softwares de gestão e conectividade no campo, além de temas relacionados às certificações, ao mercado de carbono e à agregação de valor à produção.

“Os desafios que a pecuária enfrenta hoje vão muito além da porteira. Por isso, é fundamental que os produtores estejam organizados e atuem por meio dos sindicatos rurais, cooperativas e associações. A união do setor fortalece a representação, amplia oportunidades e nos dá mais condições de enfrentar as mudanças do mercado”, reforçou Marcos.

A Vitrine Sabores do Agro também integrou a programação do estande do Sistema Famato no GAFFFF, reforçando a valorização da pecuária mato-grossense e aproximando o público da qualidade, da diversidade e do potencial da produção de proteínas do estado. A iniciativa evidencia o trabalho desenvolvido pelos produtores rurais, além de promover conhecimento sobre cortes, preparo e aproveitamento dos alimentos.

Nos dias 23 e 24 de julho, a ação apresentou receitas e técnicas de preparo com peixe e carne suína. A programação continua neste fim de semana com a Vitrine da Carne Bovina, no dia 25 de julho, e a Vitrine Cozinha Pantaneira, no dia 26 de julho, ambas conduzidas pelo instrutor credenciado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar MT) Tiago Felipe.



Fonte Jornal de Mato Grosso

Leia mais

Rolar para cima